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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O FAZER INTERDISCIPLINAR NA ESCOLA

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Angélica Cosenza Rodrigues


A presente obra surgiu de uma pesquisa de abordagem qualitativa elaborada e desenvolvida nos anos de 2002 e 2003 no Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Tal estudo visou compreender os saberes de professores de uma escola da Rede Pública Municipal da cidade de Juiz de Fora/MG sobre a construção interdisciplinar da educação ambiental. Nesta obra a Autora discute: 1) como a educação ambiental tem sido revista na busca de novos paradigmas para a construção de uma sociedade socialmente justa, igualitária e ambientalmente equilibrada e 2) como a construção interdisciplinar necessária à educação ambiental vem sendo compreendida e praticada por professores de uma escola da rede pública municipal da cidade de Juiz de Fora. 


 


Esta edição contou com o apoio do Fundo de Apoio à Pesquisa na Educação Básica - Prefeitura Municipal de Juiz de Fora - MG.







 


PREFÁCIO

Carlos Frederico Bernardo Loureiro 


 Rio de Janeiro, julho de 2008



É indiscutível que vivemos no Brasil um momento de significativa expansão quantitativa e diversificação das iniciativas em educação ambiental. Este movimento qualitativamente novo se iniciou principalmente após a aprovação da Política Nacional de Educação Ambiental, em 1999, e a institucionalização de inúmeras políticas públicas (federal, estaduais e municipais), que estimulam, materializam e regulam projetos e programas em variados setores da sociedade. 
Em tal cenário, constituído pela dedicação e luta de incontáveis educadores e educadoras ambientais, anônimos ou reconhecidos, mas todos elos importantes da mesma história, um dos processos educativos que mais avançou, no sentido de sua universalização, foi o escolar, particularmente aquele que se institui no ensino fundamental. 
Após pesquisas e levantamentos realizados pelo Ministério da Educação nos últimos cinco anos, é possível afirmar que praticamente a totalidade das escolas realiza modalidades de educação ambiental, que são vistas pela comunidade escolar como viáveis diante da realidade concreta que vivenciam: atividades pontuais, eventos comemorativos, projetos, projetos político-pedagógicos, transversalização e inserção disciplinar são as mais recorrentes. Observamos, neste complexo de experiências, algumas iniciativas ocorrendo por meio da articulação de mais de uma destas possibilidades simultaneamente; encontramos também grupos protagonizando ações com clareza pedagógica e política das implicações de cada escolha, outras vezes não. Mas o fato a destacar é que a educação ambiental, em suas contradições e identidades, conflitos e consensos, está presente no cotidiano da escola e se define frente ao contexto de degradação socioambiental como uma exigência para todos os que buscam a concretização de uma sociedade justa, igualitária, democrática e sustentável.
Diante de sua expansão e de tamanhas incertezas quanto aos rumos a serem tomados pela própria existência social, para os que se assumem como parte integrante e viva da educação ambiental, os desafios práticos e teóricos são enormes! Mais ainda, frente a tais desafios, manter a coerência entre discursos e atuação objetiva, entre intenções e comportamentos e atitudes, em uma sociedade que prima pelo individualismo, pela fragmentação, pelo pragmatismo e pelo efêmero, não é fácil! 
Angélica Cosenza é um destes exemplos de educadora que procura ser coerente e que em sua atividade profissional manifesta permanentemente seu compromisso com as finalidades da educação ambiental crítica, possuindo a indispensável dose de "inquietação epistemológica" para que não caia no equívoco de separar a motivação em refletir e conhecer da prática cotidiana. É uma pessoa de conduta simples, aguçada capacidade intelectual e de posições firmes, sem ser inflexível, que nos presenteia neste momento com o livro A educação ambiental e o fazer interdisciplinar na escola.
Vejo na publicação deste livro alguns aspectos relevantes. O primeiro é o momento oportuno em se disponibilizar para pessoas e instituições interessadas conhecimento sistematizado que contribua com a crescente discussão nacional sobre as diretrizes curriculares para a educação ambiental. Neste escopo voltam à cena política intensos debates sobre limites e vantagens no uso de procedimentos metodológicos disciplinares e interdisciplinares, suas proximidades e incompatibilidades. Logo, um livro que se propõe, em cima de uma experiência concreta e bom desenvolvimento teórico, a afirmar a validade de uma prática interdisciplinar e complexa, mas de modo realista, ou seja, reconhecendo seus entraves nas instituições escolares atuais, permite acrescentar a tais debates públicos elementos novos que auxiliam na busca por inovadoras diretrizes e marcos regulatórios.
O segundo grande mérito de Angélica está no esforço em articular, e não meramente juntar sem mediações e cuidados epistemológicos, conceitos complexos que envolvem ciências naturais e sociais. Este é um exercício obrigatório para os que atuam em educação ambiental, que está longe de ser simples e que exige muita força de vontade pessoal para não se recair em reducionismos e no senso comum.
Outro ponto de destaque está no modo como apresentou o histórico da educação ambiental e as distinções internas ao campo. O fez sem ser repetitiva, afinal existem vários trabalhos sobre isso, e de modo didático, facilitando a compreensão e esclarecendo as diferenças nem sempre percebidas por quem realiza ou se interessa pela educação ambiental. Além disso, não descreve somente, apresenta questões centrais e ao mesmo tempo se posiciona.
E sua posição é clara: assume premissas da complexidade, como meio para pensar e compreender a unidade relacional e auto-organizada da vida e da existência na natureza; e as vincula aos pressupostos consagrados da tradição crítica na análise historicizada da realidade socioambiental e sua problematização, e na forma de intervir concretamente nesta. Com isso, dá sentido de integralidade e radicalidade à educação ambiental, por objetivar simultaneamente a mudança das subjetividades e a transformação das condições sociais, com vistas à consolidação de um novo patamar de relações que assegurem a sustentabilidade democrática e a reprodução da vida planetária.
É à luz desta perspectiva, que vem ganhando espaços no campo da educação ambiental e que encontra ressonância no âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), que a autora mergulha na descrição e reflexão do caso focado em sua pesquisa, trazendo situações, falas e fatos que merecem nossa atenção.
Em sua argumentação final, desenvolvida a partir da experiência vivenciada, chama atenção para algo efetivamente estruturante de uma atividade concreta, interdisciplinar e transformadora na comunidade escolar: a necessidade de se promover ampla e democrática participação de todos os sujeitos do processo educativo no cotidiano institucional e na construção das diretrizes políticas e pedagogias que balizam as ações, como forma de se construir uma educação ambiental crítica. Associado a isto coloca a pertinência de uma gestão escolar voltada para superar as necessidades materiais, metodológicas e de organização do tempo e do currículo levantadas por professores, visando que esta práxis educativa se concretize de modo interdisciplinar e complexo.
É, sem dúvida, um livro que deve ser lido por todos aqueles que se identificam com a educação ambiental e suas realistas utopias, contribuindo para a formação de seus profissionais e a atuação de seus militantes. 



capa

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Detalhes

SUMÁRIO

  • PREFÁCIO Carlos Frederico Bernardo Loureiro 
  • APRESENTAÇÃO 
  • 1 - MOVIMENTO AMBIENTALISTA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
  •  OS PRIMEIROS ARES DO MOVIMENTO AMBIENTALISTA E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
  •  DIFERENTES OLHARES SOBRE A SUSTENTABILIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
  • 2 - A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A INTERDISCIPLINARIDADE NO CONTEXTO ESCOLAR 
  •  INTERDISCIPLINARIDADE: UM TRABALHO CRÍTICO E SOLIDÁRIO 
  •  COMPLEXIDADE, INTERDISCIPLINARIDADE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
  •  PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: CONTRIBUIÇÕES E LIMITES À EDUCAÇÃO AMBIENTAL ESCOLAR 
  • 3 - SABERES DOCENTES EM FOCO: A CONSTRUÇÃO INTERDISCIPLINAR DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
  •  A QUESTÃO DE ESTUDO E A OPÇÃO METODOLÓGICA 
  •  O AMBIENTE DE INVESTIGAÇÃO 
  •  O PLANEJAMENTO (INTER)DISCIPLINAR EM DISCUSSÃO 
  •  A DISTÂNCIA ENTRE TEORIA E PRÁTICA: QUANDO O MODELO INTERATIVO CHOCA-SE COM A PRÁTICA SOLITÁRIA 
  •  SOBRE A "MISCELÂNEA CURRICULAR": ENSINO POR DISCIPLINAS X ENSINO POR PROJETOS 
  • CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • NOTAS 
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Angélica Cosenza Rodrigues
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-66-5
Área (s) / Assunto (s) Currículo, Educação ambiental, Pesquisa em escola, Interdisciplinariedade, Didática, Formação de professor, Metodologia de ensino de ciências.
Edição / Ano 1ª / 2008
Nº de Páginas 152
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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