Bem Vindo!

A ESCOLA COMO OBJETO DE ESTUDO - escola, desigualdades, diversidades

Seja o primeiro a comentar este produto

Disponibilidade: Em estoque

R$48,00
OU

Descrição Rápida

 


José Geraldo Silveira Bueno, Kazumi Munakata & Daniel Ferraz Chiozzini - orgs.


 


"[...] uma coletânea como a que aqui se apresenta é não apenas relevante pela qualidade acadêmica de cada texto, mas é fundamental como processo educativo em si mesmo: a sua leitura nos ensina que o fenômeno da educação é multidimensional, é histórico, é complexo, é controvertido. Sua leitura nos conduz para além daquilo que constitui a contribuição acadêmica explícita de cada trabalho/capítulo."


Maria Amalia Andery




Esta edição recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP.


 




 


Prefácio




Contribuições à educação futura



O que define a humanidade? Há e houve na história muitas respostas diferentes a tal pergunta, provavelmente tão ancestral como o é a própria história das ideias. Uma das respostas mais confiáveis do ponto de vista de padrões científicos atuais, e de compreensão relativamente simples, é a de humanidade definida biologicamente, ou melhor, geneticamente, como espécie.
A resposta parece mais simples do que realmente é, não apenas porque a própria definição de espécie é difícil, mas porque a humanidade do homem se define, para os próprios biólogos evolucionistas, de um modo que expande em muito os limites da definição biológica. Por quê? Porque a espécie humana, como produto dos próprios processos históricos regidos pela seleção biológica, transcendeu a seleção natural. Porque a espécie humana se mostrou capaz de se construir como espécie, superando os processos biológicos evolutivos.
Com esta conclusão, biólogos e estudiosos com abordagens mais filosóficas retornam à questão original: o que define a humanidade? Muitos concluem que a definição de humanidade se dá naquele “turning point” da história em que o humano se converte em agente e ator da cultura. A espécie humana tornar-se-ia de fato humana quando e porque se tornou culturalmente uma espécie. Isso nos remete às perguntas seguintes: afinal, o que é a cultura? Por que a cultura é definidora da espécie? A resposta a ambas é uma só: a cultura como a possibilidade de reinvenção e reinserção da espécie e – portanto – dos indivíduos no mundo. A cultura é o ambiente do homem, é seu ecossistema, é seu universo, por assim dizer. A cultura é o conjunto de todas as práticas humanas – de intervenção no mundo, de invenção de coisas e de modos de agir do mundo. A cultura é o conjunto das maneiras humanas de criar e recriar o mundo. Mas o que tornou a cultura possível? No contexto recente da biologia, da paleontologia e da própria história social encontramos uma sucessão de respostas: o tamanho do cérebro do Homo sapiens, o polegar opositor, a habilidade de fazer ferramentas, a ausência de especialização biológica, a socialidade, entre outras. Ainda que todas essas respostas sejam corretas, indiscutivelmente, a característica humana fundamental e necessária para a evolução da cultura como modo de vida é a linguagem, indissociável de sua consequência mais importante: nossa capacidade de comunicar aos outros o que aprendemos, permitindo a acumulação e a preservação de práticas, descobertas, invenções e modos de ser. Esta característica nos fez humanos e, neste sentido, define a humanidade.
Esta característica resume o que podemos chamar de educação: os conjuntos de práticas dos grupos humanos que são socialmente aprendidos e ensinados por sucessivas gerações de indivíduos, permitindo a inserção histórica dos grupos em seus ambientes físicos, sociais, culturais, simbólicos. A educação é nosso “modo de vida”: todos somos produto de práticas educativas e todos somos agentes de práticas educativas.
Os processos educativos não são apenas relevantes para a espécie, mas constituem nossa fonte primordial de sobrevivência, já que estão na base de toda a possibilidade de acumulação e de preservação de conhecimento, além de serem a fonte que permite a produção de nossa própria inventividade.
Tão importante é a educação apreendida como modo de vida, que ficamos intrigados e encantados quando testemunhamos casos em que adultos (em geral) de outras espécies, propositalmente ou não, ensinam “algo” a um filhote. Por quê? Em parte porque somos biologicamente sensíveis aos outros, especialmente quando bebês ou crianças, e porque “gostamos” de nos ver refletidos nos outros. Mas, sobretudo, porque tais exemplos indicam de maneira simples e direta a importância das práticas educativas para a preservação e a possível reinvenção de nossos modos de ser.
De fato, tão importante é a educação como modo de vida, que as sociedades humanas se organizam, por assim dizer, ao seu redor, investindo partes consideráveis de seus recursos materiais, sociais e simbólicos nas suas práticas educativas.
Entendida desse modo, a educação seria um fenômeno invasivo e universal nas culturas humanas: está presente nas relações familiares, nas relações sociais afetivas ou profissionais e nas instituições sociais. Tão importante é a educação que, na medida em que se complexificam as sociedades, a própria educação torna-se uma instituição com conjuntos de práticas específicas e definidas tanto externa quanto internamente, convertendo-se assim em estrutura cultural dotada de recursos sociais a
ela alocados e que assume papeis e compromissos definidos culturalmente e limitados socialmente.
Desse ponto de vista, a educação torna-se um novo fenômeno, distinto daquele que se define apenas como transmissão cultural de práticas selecionadas historicamente, erigindo-se em vetor de construção da cultura e do que é propriamente humano na humanidade. A educação torna-se instituição e passa a ser parte da estrutura também formal das culturas/sociedades humanas. A educação como fenômeno social é marca humana. Como instituição social, a educação constitui nossos modos de ser: é meio de construção de nossa individualidade e nossas sociabilidades. Como instituição, participa da construção simbólica e material do mundo. É atividade econômica e estruturante no mundo atual. É atividade que condiciona e é condicionada social e historicamente. É um fenômeno único pela sua importância e pela sua complexidade, que se converte na história das ideias humanas em um campo de conhecimento, ou melhor, um objeto de estudo e de investigação. Entretanto, as mesmas características constitutivas de nossa humanidade e as características que contribuíram para que a educação se constituísse como campo de investigação são muitas vezes uma ameaça ao próprio campo. Se todos somos simultaneamente objeto e agentes da educação, todos nos sentimos um pouco especialistas e conhecedores do campo, aptos a dizer o que é e o que não é, o que é bom e o que não é, o que é legitimo e o que não é, o que é desejável e o que não é e, principalmente, como deve ser a educação.
Assim, corremos o risco de desconstituir como campo de conhecimento aquele que talvez seja um dos mais difíceis e importantes de todos os campos de conhecimento humanos. Desse ponto de vista, uma coletânea como a que aqui se apresenta é não apenas relevante pela qualidade acadêmica de cada texto, mas é fundamental como processo educativo em si mesmo: a sua leitura nos ensina que o fenômeno da educação é multidimensional, é histórico, é complexo, é controvertido. Sua leitura nos conduz para além daquilo que constitui a contribuição acadêmica explícita de cada trabalho/capítulo.
Sua leitura nos ensina que a compreensão do fenômeno da educação transcende a nossa experiência cotidiana e nossa familiaridade com o tema. A leitura nos ensina que há necessidade premente de que o campo seja explorado como área de conhecimento e como estrutura social, sistematicamente, em todas as suas facetas.
Se nosso passado e nosso presente dependeram de nossas práticas educativas, seguramente nosso futuro também dependerá delas e não parece razoável deixar tal futuro à mercê de acasos ou da mera repetição irrefletida da nossa experiência pessoal.


Maria Amalia Andery


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


Agosto de 2014


 


======================================================================


 


Apresentação




Diferentes estudos sobre a escola foram realizados em países diversos desde meados do século XX mas, nos anos de 1960, passaram a ser incrementados na busca da compreensão do que ocorre no seu interior.
As obras já clássicas de Willard Waller (The sociology of teaching, 1962) e Philip W. Jackson (La vida en las aulas, 1996), estas últimas publicadas originalmente 1932 e 1968, bem como a coletânea organizada por Michael Young (Knowledge and control: new directions of sociology of education, 1978), são exemplos de estudos que foram desenvolvidos no século XX, tomando facetas da escola por meio de objetos específicos. Apesar de contarmos hoje com expressiva produção internacional e nacional sobre a instituição escolar, continua sendo um grande desafio o seu estudo, no sentido de apreendê-la de modo total, com tantas questões, problemas e fenômenos que nela ocorrem e que só podem ser compreendidos na relação com o contexto social. Com a perspectiva de contribuir para o adensamento de estudos e investigações sobre a escola, o Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade da PUC-SP tem realizado Seminários Internacionais trienais, com focos definidos sobre a educação escolar no Brasil.
O primeiro seminário internacional (1995) abordou as políticas internacionais e a influência do Banco Mundial sobre as políticas educacionais nacionais, com destaque para os países da América Latina, com a participação de estudiosos do tema, como José Luiz Coraggio, Rosa Maria Torres, Marcos Arruda, Livia De Tommasi, Maria Clara Couto Soares e Marília Fonseca.
O segundo (1998) se voltou para as políticas educacionais, agora sob o enfoque dos impactos das reformas educativas, e que contou com pesquisadores como Michael Apple, Cecília Braslavsky, Anne-Marie Chartier, José Luiz Coraggio, José Gimeno Sacristán, Christian Laville, Vanilda Paiva, José Roberto Perez, Thomas Popkewitz, Rosa Maria Torres e Geoff Whitty.
O terceiro (2008) teve como tema central Escola e cultura, integrado por temas sobre diversidade cultural e currículo em sua relação com a escola, abordados por especialistas como Kabengele Munanga, Bernard Lahire, Fúlvia Rosemberg, Teresa Artieda, Angelina Peralva, Wolfgang Leo Maar, Clarice Nunes, Pablo Pineau e Lucíola Licínio de Castro Paixão Santos.
Neste quarto seminário, o Programa – um dos mais antigos da Pós- Graduação em Educação no Brasil e primeiro doutorado na área – comemorou 40 anos de existência, reafirmando a tradição em estudos e pesquisas com focos na constituição, organização e práticas educativas e sua relação com problemas oriundos das condições sociais e econômicas da população e das diversas culturas que caracterizam nossa sociedade.
Por esses motivos, a organização do IV Seminário privilegiou os campos temáticos sobre os quais nossos docentes têm dirigido seus estudos e investigações, quais sejam:


 



  • A configuração da escola moderna;

  • A escola como objeto de estudo;

  • A escola e a diversidade cultural; e

  • A escola e os alunos com deficiência.


 


Além disso, o Programa decidiu que deveria compor mesas com apenas dois participantes em cada uma, sendo um conferencista estrangeiro, referência nos temas indicados, acompanhado de um professor do Programa com trajetória e reconhecimento acadêmico, ambos com tempo alargado para suas apresentações e para responder as questões apresentadas pelo público.
A conferência inaugural, sob a responsabilidade de Ivor Goodson (Inglaterra) desenvolveu reflexão ampla e abrangente sobre a escolarização, dentro de um contexto político marcado pela desigualdade social e pela diversidade cultural.
A primeira sessão plenária, a cargo de Marcelo Caruso (Alemanha) e Kazumi Munakata, teve por fim analisar a trajetória histórica da constituição da escola moderna nesse cenário de desigualdades e diversidades. A segunda sessão plenária, sob a responsabilidade de José Alberto Correia (Portugal) e Alda Junqueira Marin, teve por objetivo analisar os desafios teóricos de estudo e investigação da escola no mesmo cenário de desigualdades sociais e diversidades culturais.
A terceira sessão plenária, composta por Antón Costa Rico (Espanha) e Circe Bittencourt, colocou sob crivo crítico o problema da diversidade cultural em terras europeias, ao lado de análise de escolas das comunidades indígenas e quilombolas, ambas as abordagens privilegiando seus processos de históricos de constituição, nas peculiaridades das políticas educacionais e na análise de práticas curriculares em dimensões políticas e epistemológicas.
A quarta sessão plenária, a cargo de Thomas Skrtic (EUA) e José Geraldo Silveira Bueno, teve como foco a relação entre processos de escolarização e deficiência, especialmente no que se refere à produção de conhecimento nessa área relativamente nova e de pouca tradição de pesquisa.
Esta coletânea reúne os textos apresentados, com exceção do Prof. Dr. José Alberto Correia que, por motivos alheios à sua vontade, não pode enviá-lo a tempo para publicação.
Os organizadores da coletânea decidiram que os textos escritos em espanhol e galego, respectivamente de autoria de Marcelo Caruso e Antón Costa Rico, muito próximos de nossa língua, deveriam ser publicados na língua original, para se manter fidelidade do seu conteúdo. No entanto, visando ampliar o acesso de leitores aos textos em inglês de Ivor Goodson e Thomas Skrtic, esses trabalhos foram traduzidos para o português. Sob a mesma óptica decidimos padronizar as referências bibliográficas dos autores brasileiros, mas não modificar as elaboradas pelos diferentes autores estrangeiros no intuito de manter o padrão utilizado em seus países de origem.
Não podemos, neste momento, deixar de agradecer esses últimos, que permaneceram conosco durante toda a realização do Seminário, abrilhantando-o, ainda mais, com diálogos públicos com os demais conferencistas, bem como a todos os professores e alunos do Programa que contribuíram para a realização do seminário e aos participantes (alunos e pesquisadores convidados).
Nosso especial agradecimento à Profª Drª Maria Amália Pie Abib Andery, pesquisadora reconhecida nacionalmente no campo da Psicologia, que, apesar dos imensos compromissos que suas funções atuais exigem, se dispôs a prefaciar esta obra.
Por fim, cabe uma menção especial ao apoio da FAPESP, sem o qual seria impossível a realização do Seminário e, especialmente, o da CAPES que, além de contribuir para a sua efetivação, contribuiu decisivamente para a publicação desta coletânea.


José Geraldo Silveira Bueno, Kazumi Munakata, Daniel Ferraz Chiozzini - Organizadores


São Paulo, agosto de 2014

Capa 1

Mais Visualizações

Detalhes

  • SUMÁRIO
  • APRESENTAÇÃO José Geraldo Silveira Bueno, Kazumi Munakata, Daniel Ferraz Chiozzini
  • PREFÁCIO Maria Amalia Pie Abib Andery
  • PARTE I
  • A ESCOLA COMO OBJETO DE ESTUDO
  • O futuro da democracia social e o desenvolvimento de uma nova política de educação Ivor Goodson
  • Em busca da compreensão sobre a escola Alda Junqueira Marin
  • PARTE II
  • AS CONFIGURAÇÕES DA ESCOLA
  • El encuentro de la burocracia y la pastoralización: el fin del utilitarismo urbano en los orígenes de la escuela moderna Marcelo Caruso
  • O ocaso das palavras: mudanças nos paradigmas epistemológico e pedagógico no século XIX Kazumi Munakata
  • PARTE III
  • ESCOLA E DIVERSIDADES
  • A escola fronte á diversidade cultural Antón Costa Rico
  • Reflexões sobre currículo e diversidade cultural Circe Fernandes Bittencourt
  • PARTE IV
  • ESCOLA E DEFICIÊNCIA
  • A injustiça institucionalizada: construção e uso da deficiência na escola Thomas M. Skrtic
  • A pequisa brasileira sobre educação especial: balanço tendencial das dissertações e teses brasileiras (1987-2009) José Geraldo Silveira Bueno
  • SOBRE OS AUTORES

 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) José Geraldo Silveira Bueno; Kazumi Munakata & Daniel Ferraz Chiozzini - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-8203-064-6
Área (s) / Assunto (s) Escola e Ensino; Didática; Espaço Escolar; Currículo; Educação Especial; Sociologia da Educação; Diversidade Cultural.
Edição / Ano 1ª / 2014
Nº de Páginas 256
Acabamento / Formato brochura luxo - costurado e colado / 18cm x 26cm

Tags do Produto

Utilize espaços para separar tags. Utilize aspas simples (') para frases.