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ANTES DO VENTO FORTE

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Janaína de Castro


 


Um fenômeno da natureza foi responsável por provocar uma mudança de atitude ou, mais do que isso, de estilo de vida. Assim foi o vento forte que levou, junto com o papagaio que um garoto empinava no Largo da Câmara de Araraquara, a forma de vida e a postura às quais ele estava submetido, impostas pela família e sociedade - "Vento forte para um papagaio subir". Trata-se de José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso - ator, autor, diretor, tradutor, cineasta, adaptador de textos teatrais, conferencista e advogado formado pela Faculdade do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo (USP) que nunca foi buscar o diploma.
Nascido em Araraquara, São Paulo, lá viveu sua meninice e juventude até chegar a época da faculdade.
Sobre essa figura tão talentosa existem vários livros publicados, a maioria enfatizando seu trabalho no Teatro Oficina.
Diante disso, a melhor abordagem para tratar desse ilustre araraquarense foi buscar o Zé Celso menino, antes do Zé Celso sob a luz dos holofotes.
Como era? O que fazia? Com quem se relacionava?
Este livro buscou recuperar algumas situações vivenciadas por José Celso Martinez Corrêa em Araraquara, durante sua infância e juventude, contadas por ele mesmo, seus familiares, Ignácio de Loyola Brandão e outros amigos. 
O livro evidencia um garoto tímido e muito bem arrumado, que via beleza, cenários e figurinos na Igreja e no padre da cidade, gestos teatrais, posturas e frases de efeito na professora do primário. 
Não houve a preocupação de defender nenhuma tese, identificar comportamentos que viriam a nortear sua carreira, mas apenas lembrar situações que mostram o quanto há de nossas raízes em qualquer vida, qualquer destino, qualquer trajetória.

Trata-se de excelente publicação para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares em sala de aula, bem como para despertar o interesse de crianças e jovens pelas artes cênicas.


 


Este livro foi lançado em comemoração aos 10 anos de atividades da Junqueira&Marin Editores na cidade de Araraquara/SP. Uma maneira de resgatar um pouco da história do município através da história de um de seus mais ilustres filhos, o Zé Celso.


 


 




 


 


Prefácio

Zé Celso.
Que foi José Celso.
José Celso Martinez Corrêa.
Zé, um mito.
Ele não se incomoda com essas coisas de ter se tornado um
mito, uma legenda, um marco no teatro, na cultura brasileira.
O Zé que é das pessoas que mais admiro neste Brasil,
pela coragem, integridade, pelo sonho mantido de pé, às vezes contra
tudo e contra todos.
O Zé impávido colosso,
do brado retumbante,
o Zé com quem aprendi a ser crítico, irônico, mordaz, sarcástico.
O Zé que me fez ler os Beatniks, Carson Mc Cullers, me fez
gostar de Isaura Garcia,
da Itala Nandi, me fez aprender a ver teatro, a ser honesto
comigo mesmo.
O Zé que, antes de tudo, é um forte.
Não se rende.
Me causa inveja essa força e essas batalhas.
O Zé tem história e um dos meus orgulhos é ter, em certo
momento, sido um apêndice desta história.
O Zé nunca teve idéia de que um dia iria transformar a arte
cênica no Brasil.
Ele fazia, faz, quer fazer, cria, inventa, imagina, é delirante.
Nem liga para a posteridade, seu nome no futuro. O que ele
quer, sempre, é colocar um texto em cena, fazer os personagens viverem
no palco, na rua.
Zé nos mostra como o delírio é necessário, fundamental, vital.
O Zé é a poesia,
a temeridade,
a insensatez num mundo que exige tudo no lugar,
o alucinado num mundo que pede a lógica.
Invejo o Zé e olho a distância que há entre nós.
Eu tímido, introvertido, pequeno; ele um gigante.
Janaína recupera momentos do Zé nunca antes tocados.
Um pedaço dele que não pode ser esquecido,
foi recuperado, vai servir de roteiro para futuros documentários,
biografias.
Zé, que devia ser nome de avenida, de praça, de teatro em
Araraquara.
Mas a lei exige que só se homenageiem pessoas mortas.
De que adiantam homenagens frias?
De quê?
Este é um livro simples, feito com amor.
Segui Janaína em sua feitura, vi como ela ama o assunto, o
homem, a terra, os feitos.
Eu gostaria de ter feito este livro.
Curtam, desfrutem, amem o Zé como ele merece ser amado e
admirado.

Ignácio de Loyola Brandão
Primavera de 2004



Apresentação

Um fenômeno da natureza foi responsável por provocar uma mudança de atitude ou, mais do que isso, de estilo de vida. Assim foi o vento forte que levou, junto com o papagaio que um garoto empinava no Largo da Câmara de Araraquara, a forma de vida e a postura às quais ele estava submetido, impostas pela família e sociedade. Falo de José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, ator, autor, diretor, tradutor, cineasta, adaptador de textos teatrais, conferencista e advogado formado pela Faculdade do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo – USP – que nunca foi buscar o diploma. Nascido em Araraquara, Estado de São Paulo, lá viveu sua meninice e juventude até chegar a época da faculdade.
Em sua terra natal, Zé Celso, apesar de todas as alegrias que viveu, não conseguiu se sentir à vontade. Todos os seus desejos eram reprimidos e ele era obrigado, para ser aceito e se encaixar nos moldes impostos pela sociedade, a representar perfeitamente seu papel de membro da burguesia, freqüentando o melhor clube da cidade junto à alta sociedade.
Caso ficasse, estaria condenado a essa vida de representações pelo resto de seus dias. Seria sempre sufocado pelos valores moralistas, nunca demonstrando o que realmente é, ou gostaria de ser, de fazer.
Zé Celso nunca se conformou com as desigualdades sociais existentes em sua cidade. Apesar de ter nascido em uma família com boas condições financeiras, nunca conseguiu desfrutar dos privilégios reservados à sua classe social e fechar os olhos à triste realidade vivida pelos marginalizados de sua sociedade.
Assim, enquanto seus pais o levavam à missa todos os domingos e esperavam que fosse um perfeito católico, ele, escondido, cultivava amizade com as prostitutas da cidade e freqüentava suas casas. Ao mesmo tempo em que participava do footing na rua Três e dos bailes no Clube Araraquarense junto aos seus irmãos e amigos, freqüentava, também, o baile do Clube Renascença e o footing no jardim da Praça da Independência, reservados às pessoas de cor negra.
Essa preocupação com a questão social foi levada por Zé Celso ao teatro, assim como a conscientização política. Suas primeiras peças, porém, diziam respeito apenas ao seu próprio universo, com características autobiográficas. Em Vento forte para um papagaio subir, sua primeira peça, Zé Celso começa a romper com o mundo que o sufoca, contando a história de um garoto que vê em um temporal o sinal para uma mudança radical, deixando a cidade onde nasceu em busca de novas oportunidades.
Sua segunda peça, A incubadeira, na mesma linha autobiográfica, desconstrói os clichês de comportamentos impostos pela família, os tais códigos de conduta. Com essa peça, baseada em dramas familiares, Zé Celso deixava claro que rompia com o moralismo pequeno-burguês da família.
O próximo passo de Zé Celso no teatro – agora já com o grupo Oficina, ainda em fase amadora – seria a apresentação de uma peça baseada em um roteiro cinematográfico do filósofo Jean Paul Sartre: A engrenagem, a primeira de conotação claramente política, apresentada no Teatro Oficina e assistida pelo próprio filósofo francês e sua mulher, a escritora Simone de Beauvoir. O casal, em sua visita ao Brasil, também esteve em Araraquara, onde Sartre realizou uma conferência.
A peça seguinte, A vida impressa em dólar, de Cliff Odets, foi a escolhida para inaugurar a profissionalização do Teatro Oficina, no dia 16 de agosto de 1961, tendo Zé Celso estreado como diretor.
A partir daí, o grupo não parou mais: são mais de quarenta anos de existência profissional, usando o teatro como um instrumento de luta e atualização. Suas peças marcaram a história do teatro nacional, tendo entre as principais encenações Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams; Os pequenos burgueses, de Gorki; Andorra, de Max Frisch; O Rei da vela, de Oswald de Andrade; Roda viva, de Chico Buarque; Galileu Galilei e Nas selvas da cidade, de Brecht; Gracias Señor, criação coletiva do Teatro Oficina; Mistérios gozozos, de Oswald de Andrade; As bacantes, de Eurípides; e, mais recentemente, Os sertões, de Euclides da Cunha, entre muitas outras.
São todas peças bastante polêmicas e que punham o público em sintonia com as grandes questões universais. Tão polêmicas que levaram o Oficina a ser invadido, diversas vezes, pela censura, assim como a um processo – dirigido a Zé Celso – por vilipêndio a símbolos religiosos, após a apresentação da peça Mistérios gozozos em Araraquara. O fato deixou ainda mais evidente a Zé Celso que a cidade nunca o compreendeu, nem antes nem depois da fama.
O Teatro Oficina é hoje, sem dúvida, um patrimônio cultural do país, e Zé Celso, um dos ícones do teatro brasileiro. Não é figura local nem regional, mas sim cidadão do mundo. Polêmico, intransigente algumas vezes, controverso sempre, mas, sem dúvida, brilhante e com um currículo cheio de surpresas, inovações e vislumbres reservados a alguns poucos talentos.
Sobre essa figura tão talentosa, existem vários livros publicados, a maioria enfatizando seu trabalho no Teatro Oficina. Diante disso, a melhor abordagem para tratar desse ilustre araraquarense me pareceu buscar o Zé Celso menino, antes do Zé Celso sob a luz dos holofotes. Como era? O que fazia? Com quem se relacionava?
A pesquisa que realizei, o encontro com os amigos e familiares e, por fim, com o próprio personagem do meu livro-reportagem foram me mostrando um Zé Celso bem diferente do que é hoje. Um garoto tímido e muito bem arrumado, que via beleza, cenários e figurinos na Igreja e no padre da cidade, gestos teatrais, posturas e frases de efeito na professora do primário, antecipando o futuro de diretor teatral.
De alguma forma e em grau que este texto não teve a preocupação de decifrar, Araraquara gerou José Celso Martinez Corrêa. Assim como, de alguma forma, desde sua mais tenra idade, ele já prenunciava a personalidade em que se tornaria mais tarde.
Este livro buscou recuperar algumas situações vivenciadas por José Celso Martinez Corrêa em Araraquara, durante sua infância e juventude. Não teve a preocupação de defender nenhuma tese, identificar comportamentos que viriam a nortear sua carreira, mas apenas lembrar situações que mostram o quanto há de nossas raízes em qualquer vida, qualquer destino, qualquer trajetória.

Janaína de Castro

capa

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Detalhes

SUMÁRIO

  • Prefácio  Ignácio de Loyola Brandão
  • Apresentação
  • A Família As Brincadeiras
  • O Colégio
  • O Cinema
  • A Igreja
  • O Bordel A Política
  • A Turma O Footing
  • O Carnaval
  • O Vento Forte
  • Anexo

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Janaína de Castro
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 85-86305-36-7
Área (s) / Assunto (s) Interdisciplinariedade; Apoio pedagógico; Educação artística; Artes cênicas; Biografias/Memórias
Edição / Ano 1ª / 2006
Nº de Páginas 156
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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