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ASSESSORIA PEDAGÓGICA NA UNIVERSIDADE: (con)formando o trabalho docente

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Cecilia Luiza Broilo


 


"[...] Este trabalho está imbuído de uma forte experiência profissional, pois, como a própria autora refere, ela “busca o saber e o sabor da vivência no trabalho pedagógico”. E não é por acaso que refere o sabor. É que uma das suas características é o entusiasmo, o gosto que põe nas suas atividades. Gosto que, aliado ao saber, é contagiante. É minha convicção que irá contagiar os leitores como costuma contagiar quem a escuta ou com ela dialoga." Dra. Isabel Alarcão


"[...] Nas páginas deste livro o leitor encontrará sugestões e caminhos advindos dos diferentes contextos estudados. Vai perceber que a ação pedagógica na universidade deve ser garantida e efetivada tanto como ‘prática de qualificar a prática’ dos professores universitários quanto responsabilidade social das instituições. Boa leitura!" Dra. Denise Leite


 


Esta edição recebeu apoio institucional.


 




 


PREFÁCIO


Se recuarmos umas décadas no tempo, nós os mais velhos nos lembramos que a expressão “pedagogia universitária” não fazia parte do vocabulário que circulava no meio académico. A consciencialização de que os professores universitários também precisam de pensar a pedagogia começou a emergir nos anos 70/80 do século passado. Não quero com isto dizer que não existissem, até essa data, bons professores universitários; e também não se leia nas entrelinhas destas minhas afirmações a ideia de que a consciencialização a que aludi veio transformar a universidade numa arena pedagógica de grande qualidade. Sem extremismos ou olhares enviesados, devemos olhar a realidade como ela se nos apresenta e interpretá-la sem desvios intencionais.


Poderá perguntar-se então a razão pela qual, na segunda metade do século passado, se começou a questionar o perfil do docente universitário e a sua formação. A razão que emerge com mais força tem a ver com a grande expansão que se verificou no ensino superior, a sua democratização com tudo o que esse fenómeno político-social envolve em termos do número e qualidade dos docentes, dos discentes e dos equipamentos. A expansão, em si boa, trouxe novas realidades às quais as instituições e o seu corpo docente se tiveram de adaptar. Não bastava agora ser cientificamente bom para conseguir criar condições de aprendizagem e de desenvolvimento a uma massa heterogénea de alunos, bem diferente das pequenas elites que antigamente frequentavam as universidades. Os índices de abandono e de reprovação começavam a aumentar. E se, inicialmente, os docentes e as instituições se escudavam dizendo que os alunos não aprendiam porque eram fracos, desinteressados, vinham mal preparados, não tinham bases, progressivamente foram tomando consciência de que esses alunos eram os “seus” atuais alunos e que, se as características dos alunos tinham mudado, havia que mudar as estratégias de ensino, procurar novas formas de procurar, para esta geração, novas relações com o saber e com a construção de saberes. Também os currículos precisariam de ser revisitados, não só para terem em atenção os novos alunos, mas para se aproximarem da nova realidade social que, na sua evolução vertiginosa, colocava sobre a universidade novas exigências de formação.


Enquanto vice-reitora de uma universidade portuguesa, a de Aveiro, tive a oportunidade de coordenar um projeto de revisão curricular que envolveu toda a universidade e que designámos por “Repensar os currículos”. Considerando que os currículos, entendidos na sua dimensão total e não como meros planos de estudo ou grades disciplinares, são a base estruturante do ensino e da aprendizagem, repensar os currículos implicava ter uma visão orientadora dos respetivos cursos, antever perfis e saídas profissionais flexíveis, perceber como podiam articular-se, criando sinergias inter e transdisciplinares, identificar conteúdos essenciais e complementares, antever estratégias pedagógicas e modos de avaliação dos conhecimentos. Que melhor forma de formar os professores do que colocá-los, eles próprios, a pensar estas questões, como atores fundamentais no processo educativo? Como trabalho preliminar, decidimos tentar identificar as razões de algum insucesso que começava a preocupar-nos. A partir da análise de relatórios de grupos de trabalho sobre essa problemática e de diálogo com professores e estudantes, consegui identificar quatro fatores aglutinadores das causas do insucesso. Pormenorizadamente descritos em Alarcão (2000), os fatores que identifiquei e sistematizei em esquema apresentado à comunidade universitária constelavam-se em redor dos seguintes vetores: professor, aluno, currículo, instituição. No dizer de um professor: “aquele esquema fez-me um clique; nunca tinha pensado nisso, mas é óbvio que temos de ter em conta a conjugação desses fatores; e ao aperceber-me disso, eu mudei o meu modo de ensinar”


Depois deste meu pequeno desvio contextualizado numa vivência pessoal, voltemos à temática na sua generalidade.


As universidades não estavam preparadas para enfrentar a nova realidade a que acima aludi e, na minha opinião, tiveram dificuldade em adaptar-se. São instituições, por natureza, conservadoras, embora este panorama esteja também a mudar. Por outro lado, sendo lugares de pesquisa, possuem no seu interior, como eu costumo dizer, a capacidade de tomar como objeto de pesquisa a realidade pedagógica para a compreenderem e transformarem. E, em muitos aspetos, estão efetivamente a olhar para estas problemáticas e a transformar-se. Um dos aspetos que se situam neste esforço de compreensão e transformação pedagógica tem sido o desenvolvimento de sistemas de orientação/tutoria para os alunos e de assessoria pedagógica para os docentes, institucionalmente apoiados.


É precisamente sobre a assessoria pedagógica que versa o livro que tenho a honra de prefaciar. Como diz a autora na introdução “É preciso pensar com os professores o projeto político pedagógico, a avaliação e os processos de ensinar e aprender, pois, mais do que nunca, a universidade necessita de um assessoramento pedagógico e humano, mas com estrutura institucional especialmente direcionada aos seus docentes”. E noutro lugar, neste mesmo livro afirma: “Cabe aos assessores pedagógicos universitários - profissionais que integram o setor pedagógico da universidade - refletir e propor ações conjuntas de desenvolvimento de competências específicas dos docentes de ensino superior, utilizando a investigação para iniciar um processo de intervenção e “superar” o senso comum pedagógico”.


Com experiência de terreno, uma vez que exerceu funções de assessora pedagógica numa instituição universitária, a autora discute, com base na análise de três situações em três países diferentes, a problemática da formação do pessoal docente universitário. A simples leitura do título “Assessoria Pedagógica. (Con)formando o trabalho docente” coloca-nos uma questão: o que é formar? Formar não é conformar no sentido de “meter na forma” ou “formatar”. Formar é criar condições de questionamento, de experimentação, de reflexão e transformação aos verdadeiros atores que, neste caso, são os professores, face à realidade das situações de ensino/pesquisa/aprendizagem/avaliação em que se encontram com os seus alunos. O assessor pedagógico não se deve substituir ao professor; deve ajudá-lo, apoiá-lo, desafiá-lo, escutá-lo, com ele refletir e, em conjunto, avaliarem os resultados. Estou a usar o singular, mas eu acredito na força do coletivo e, por isso, entendo que, a par do trabalho com os docentes individualmente, há que criar condições de apoio em grupo ou até no coletivo criando uma cultura reflexiva, crítico-transformadora nos professores e nas próprias instituições.


O livro que agora vem à estampa resulta da tese de doutorado da autora que tive a responsabilidade de acompanhar em Portugal, durante vários meses, aquando da fase “sanduiche” do seu doutorado que estava a ser orientado, no Brasil, pela Professora Denise Leite, colega que muito estimo e que fará a apresentação deste livro, pelo que não me referirei pormenorizadamente ao seu conteúdo.


Este trabalho está imbuído de uma forte experiência profissional, pois, como a própria autora refere, ela “busca o saber e o sabor da vivência no trabalho pedagógico”. E não é por acaso que refere o sabor. É que uma das suas características é o entusiasmo, o gosto que põe nas suas atividades. Gosto que, aliado ao saber, é contagiante.


É minha convicção que irá contagiar os leitores como costuma contagiar quem a escuta ou com ela dialoga.


Dra. Isabel Alarcão


Aveiro, novembro de 2014

Capa1

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Detalhes

SUMÁRIO

  • Prefácio por Isabel Alarcão
  • PRIMEIRA PARTE - Um olhar sobre a Universidade e a sua relação com o pedagógico 
  • A UNIVERSIDADE E O CONTEXTO PEDAGÓGICO 
  • (RE)VENDO A PROFISSÃO E A FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DO DOCENTE UNIVERSITÁRIO 
  • (RE)VISITANDO A ASSESSORIA PEDAGÓGICA NA UNIVERSIDADE 
  • SEGUNDA PARTE - Investigar e construir categorias foi um processo 
  • PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DAS CATEGORIAS DE ANÁLISE 
  • Síntese das dimensões, categorias de análise e indicadores (Quadro-síntese 1) 
  • TERCEIRA PARTE - Viver e sentir a experiência pedagógica foi importante para as análise realizadas 
  • O CAMINHO INVESTIGATIVO: DESENHO DE UM PROCESSO 
  • VIVÊNCIAS E O SABOR DA EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA NA UNIVERSIDADE: SUAS PRÁTICAS E SABERES 
  • Práticas e saberes dos sujeitos participantes: Universidade do Vale do Rio dos Sinos/UNISINOS - Brasil - (Quadro 2) 
  • Práticas e saberes dos sujeitos participantes: Universidade de La República/UDELAR - Uruguai - (Quadro 3) 
  • Práticas e saberes dos sujeitos participantes: Universidade de Aveiro/UA - Portugal - (Quadro 4) 
  • OS CONTEXTOS, SUAS PRÁTICAS E SABERES PEDAGÓGICOS 
  • UM OLHAR SOBRE O PEDAGÓGICO DO CONTEXTO DA UNISINOS 
  • O CONTEXTO DA UNIVERSIDAD DE LA REPÚBLICA / UDELAR E AS AÇÕES PEDAGÓGICAS 
  • O CONTEXTO DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO E AS PREOCUPAÇÕES PEDAGÓGICAS 
  • QUARTA PARTE - Rever e considerar os contextos foi necessário para as conclusões 
  • CONSIDERANDO E (RE)VENDO
  • REFERÊNCIAS 
  • SOBRE A AUTORA

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Cecilia Luiza Broilo
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-8203-091-2
Área (s) / Assunto (s) Ensino Superior; Desenvolvimento Profissional Docente; Professor Universitário; Projetos Institucionais; Políticas Institucionais; Assessorias
Edição / Ano 1ª / 2015
Nº de Páginas 264
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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