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AUTORIDADE POLICIAL NA ESCOLA

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Antonio Alberto Brunetta


Nunca se falou tanto sobre a presença de práticas de violência nas escolas brasileiras tal como hoje se divulga cotidianamente por todos os meios. Não é obra do acaso, portanto, que a polícia seja convocada tanto para reprimir tais práticas violentas que ameaçam a vida dos agentes educacionais, quanto para realizar programas preventivos, tais como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), trazendo sensação de mal-estar, talvez pela ambigüidade que os professores sentem diante da figura de autoridade que se transfere do professor para a do policial. É a análise crítica dessa situação que o leitor encontrará nesse livro.


 






 


Apresentação: 

Nunca se falou tanto sobre a presença de práticas de violência nas escolas brasileiras tal como hoje. Cotidianamente, somos surpreendidos com notícias dos jornais impressos e televisivos sobre assassinatos de alunos cometidos por colegas da própria turma ou professores que são agredidos, ou mesmo mortos, por seus alunos em sala de aula e à luz do dia. Assim que tais fatos acontecem, a mídia em geral focaliza as luzes de seus holofotes para o crime mais recente que tende a ser rapidamente esquecido em decorrência de um outro crime mais "espetacular". De fato, este crime vence a "concorrência" com outros acontecimentos bárbaros e consegue, como diriam Adorno e Horkheimer, movimentar novamente os trilhos gastos de nosso aparato perceptivo, fazendo com que a nossa atenção lhe seja direcionada. 
Quando a violência se banaliza desta forma, ela se torna um sinal indicativo não apenas do modo como as pessoas se dessensibilizam diante de acontecimentos que precisam ser cada vez mais brutais para que consigam atrair a atenção, como também dos sentimentos de impotência e de perplexidade que nos assolam. Os adolescentes que freqüentam as escolas, e que não se sentem partícipes das decisões que são tomadas pelos diretores e docentes, não abandonam a necessidade de tentar expressar de alguma forma sua revolta latente, geralmente de forma violenta, tal como as pichações, feitas pelos próprios alunos nos muros escolares, que imploram pelo reconhecimento de que existem e gostariam de ser vistos e ouvidos, nem que isto seja feito, em muitas ocasiões, às expensas da destruição do patrimônio público. 
Diante de um quadro como esse, recrudesce a ânsia na busca de repostas que possam auxiliar a encontrar subsídios para amainar tanto a sensação de impotência quanto a de perplexidade, sensações estas que, na verdade, ilustram o despreparo dos agentes educacionais para lidar com as agressões simbólicas e objetivas que, muitas vezes, implicam em risco de morte. Freud já havia observado, no livro O Mal Estar na Civilização, que, além dos educadores não prepararem os alunos para questões concernentes à sexualidade, outro pecado seria o de "não prepará-los para a agressividade da qual se acham destinados a se tornar objetos. Ao encaminhar os jovens para a vida com essa falsa orientação psicológica, a educação se comporta como se se devesse equipar pessoas que partem para uma expedição polar com trajes de verão e mapas dos lagos italianos". 
Apesar de Freud ter publicado tal livro nas primeiras décadas do século vinte, a sua ironia se revela atualíssima em virtude dos acontecimentos descritos anteriormente. É difícil evitar a sensação de incômodo e, até mesmo, de certa impotência, quando os alunos e alunas dos cursos de pedagogia, que participam das disciplinas de estágios nas instituições escolares, se desesperam frente às situações de indisciplina que são quase incontroláveis. A queixa geral de tais alunos e alunas de pedagogia se refere à falta de disciplinas da grade curricular (aliás, o termo grade curricular já é auto-revelador de tal sensação de aprisionamento nas escolas) que discutam tais problemas enfrentados no cotidiano escolar e que podem se transformar, literalmente, em caso de polícia. Não é obra do acaso, portanto, que a polícia é convocada tanto para reprimir tais práticas violentas que ameaçam a vida dos agentes educacionais, quanto para a realização de programas preventivos, tais como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD). 
Porém, a presença da polícia nas instituições escolares certamente não passa despercebida por parte dos agentes educacionais, de tal forma que se torna notória uma sensação de mal-estar que talvez seja proveniente da ambigüidade que os professores e professoras sentem diante do alívio e também do desconforto de perceber que a figura de autoridade respeitada pelos alunos transfere-se do professor para o policial. E é justamente a análise crítica e rigorosa dessa ambigüidade que o leitor e a leitora encontrarão neste livro, pois Antonio Alberto Brunetta investiga, de forma pormenorizada e competente, a constelação de contradições que se destacam diante da presença do policial no ambiente escolar. Fundamentado em textos de pensadores tais como Adorno, Horkheimer, Arendt e Bourdieu, o autor do livro oferece aos leitores subsídios teóricos para que eles próprios possam elaborar reflexões a respeito da relação que se estabelece entre os policiais que participam do PROERD e os agentes educacionais. E se tais reflexões forem feitas, novas questões certamente irão surgir, tais como: É possível fazer com que a polícia se preocupe não só com ações imediatas de coibição da violência nas escolas, como também com práticas preventivas e, portanto, que possam estimular as relações dialógicas com os agentes educacionais? De que forma os professores se relacionam com a figura policial presente no cotidiano escolar? Há de fato uma transferência da figura de autoridade do professor para o policial? 
São questões como essas que o autor do livro não se esquiva de tentar responder. Dessa forma, o texto se insere, filosoficamente falando, na tradição kantiana de não se evitar a reflexão da grande contradição pedagógica, a saber: como é possível pensar a liberdade em meio ao exercício de práticas coercitivas? Esta é uma questão que não pode mais ser ignorada pelos educadores, ainda mais nos dias de hoje, pois, caso contrário, continuaremos a correr o sério risco de preparar nossos alunos e alunas para o rigor e o frio de uma expedição polar com trajes de banho.




 



capa

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Detalhes

SUMÁRIO

  • Apresentação Antônio A. S. Zuin
  • Introdução 
  • I. Violência, Educação e Autoridade 
  • II. Autoridade em Ambiente Democrático 
  • III. Polícia e Autoridade 
  • IV. Severidade e Afeto: a superação da autoridade
  • Referências Bibliográficas

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Antonio Alberto Brunetta
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 85-86305-31-6
Área (s) / Assunto (s) Filosofia da educação, Sociologia da educação, Pesquisa em escola
Edição / Ano 1ª / 2006
Nº de Páginas 100
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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