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CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E FILOSOFIA DA LINGUAGEM: da pragmática informacional à web pragmática

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Luciana de Souza Gracioso & Gustavo Silva Saldanha


A produção massiva e relativamente desordenada de informações promovidas principalmente pelo desenvolvimento, ampliação e uso das plataformas interativas e comunicativas da Web, tem gerado muitas inquietações para os pesquisadores e profissionais da informação. Neste sentido, o livro apresenta e discute a filosofia da linguagem em sua abordagem pragmática, especialmente relacionada ao filósofo L. Wittgenstein, considerando sua contribuição para o entendimento de todo este movimento virtual contemporâneo, sugerindo aportes teóricos, conceituais e até metodológicos tanto para Ciência da Informação, como para as demais áreas que se ocupam dos estudos da linguagem, da comunicação e da internet.


 






 


Apresentação: 

As primeiras páginas deste livro contam uma estória muito especial: era uma vez dois jovens do sudeste brasileiro, ele de Minas e ela do interior de São Paulo, ambos chegando ao Rio de Janeiro e indo para o mesmo lugar. Mas o melhor estava para acontecer: os jovens trazem na mala, tratados antigos de investigações filosóficas! É quando a história, contada neste livro, começa ...
A cena nos leva imediatamente à pergunta de Agamben sobre o que é ser contemporâneo. Gustavo e Luciana, com suas malas forradas com pano forte, brim cáqui, abrigando as investigações filosóficas, vão participar de muitos seminários neste lugar em que se encontram. Também o filósofo italiano Agamben ministra um seminário recente na cidade italiana de Veneza, no qual recorda que pensadores apartados por longos períodos de tempo, serão lidos, em conjunto, naquele seminário. Pergunta então se estes autores são nossos contemporâneos e se falam para o nosso tempo. Como podem falar ao nosso presente, se estão tão distantes uns dos outros e de nós. Mas, então, o que é ser contemporâneo? Eis a questão colocada... 
Giorgio Agamben faz duas considerações sobre a contemporaneidade. A primeira diz respeito ao conceito de Nietzsche de Inatual. Nas suas "Considerações intempestivas" Nietzsche entende que há que se acertar contas com o seu tempo. A "cultura histórica" foi considerada por Nietzsche como algo vergonhoso, um "inconveniente e um defeito". Para ele, como esclarece Agamben, pertencer a seu tempo é conseguir dissociar-se deste tempo; não coincidir com adequação perfeita ao seu tempo, ser inatual! Nas palavras de Giorgio Agamben: "[...] exatamente por isso, exatamente através desse deslocamento e desse anacronismo, ele é capaz, mais do que os outros, de perceber e apreender o seu tempo". (p. 59)
A segunda consideração, de riqueza conceitual e poética é a de que o Contemporâneo é aquele capaz de abstrair as luzes de seu tempo e enxergar na escuridão aquilo que poucos vêem. Este contemporâneo existe no tempo presente. Ele urge e tem a capacidade de transformar. O contemporâneo está num tempo fora do tempo. Nas palavras de Agamben "um "muito cedo" que é, também, um "muito tarde" de um "já" que é, também, um "ainda não". Nas palavras de Deleuze, poderia ser: algo que está colocado num entretempo – intermezzo. E aqui, a imagem trazida é saborosa e muito didática. A moda. Em que tempo a moda se coloca? Não era moda e logo não será moda, mas neste ainda não e já foi, a moda se instaura. Assim chegou, para mim, o livro de Gustavo e Luciana, como numa brecha do tempo. Um livro-acontecimento, um livro-encontro de malas vindas do interior – que festa!
É em meio à festa que formulo minha provocação aos autores: se é verdade que para Wittgenstein, o "dado" não é o conteúdo da experiência imediata, mas as formas de vida que tornam possível a experiência, não estaríamos então diante de um empirismo transcendental, tal como Deleuze nomeia a filosofia de Hume? 
Parece que tanto Deleuze quanto Wittgenstein entendem que para filosofar é preciso um certo construtivismo, única maneira de fugir da representação, dos universais ou do platonismo. E nesse sentido a construção do plano ou da imagem do pensamento perpassa o fazer filosófico de ambos. Mas atenção: imagem do pensamento ou plano de imanência é algo bem diferente de visões de mundo, essas sim, interpretativas e histórico-culturais. O plano de imanência é pré-filosófico e nele não há sujeitos ou objetos e muito menos interpretação, como supõem as visões de mundo. A construção do plano de pensamento é necessariamente um enfrentamento ao caos. E há tantas imagens de pensamento se lançando contra o caos e fixando um plano ou um estilo de vida quantos jogos de linguagem ou formas de vida. Há uma frase de Wittgenstein trazida por Bento Prado Jr. que diz assim: "através da filosofia devemos mergulhar no caos arcaico e lá sentirmo-nos bem". 
A relação entre a filosofia e o caos tem a vantagem, no dizer de Bento Prado Jr., de nos desviar de uma Epistemologia ou da Teoria do conhecimento facilitando nossa permanência nas relações da Filosofia com a pré-filosofia e com a não filosofia (as artes e as ciências). Se assim é, o virtual não seria apenas uma questão de plataformas tecnológicas. Mas seria um antídoto ao mundo da representação, presente nas filosofias pragmáticas e empíricas transcendentais. Pois são filosofias identificadas a um fazer, a uma construção. Constrói-se o plano e os conceitos; o plano de imanência é o campo onde se produzem e circulam os conceitos. 
Gustavo e Luciana trazem com propriedade a imprevisibilidade dos jogos de linguagem e em vários momentos tocam nas teses empiristas clássicas, presentes em Wittgenstein. O leitor perceberá um acento mais forte na questão dos usos da linguagem, ou nas condições histórico-sociais das formas de vida, apesar de reconhecerem que as formas de vida não são fruto de uma evolução histórica. Definem formas de vida, esse importante conceito wittgensteiniano, como o conjunto de hábitos, comportamentos e ações, compartilhadas situacionalmente, por meio da linguagem. Reconhecem, entretanto, que o conceito é pouco abordado pelo filósofo austríaco. Aqui retomo a surpreendente aproximação que o filósofo brasileiro Bento Prado Jr. oferece entre Deleuze e Wittgenstein: filosofar é cortar o caos, crivando-o com uma ordem ou um mínimo de consistência: esse corte significa a instauração de um plano de pensamento que Deleuze nomeia plano de imanência. Mas é ao mesmo tempo que construímos o plano e os conceitos que virão habitá-lo. O plano é horizonte e é solo. Horizonte absoluto e independente do observador. Os jogos de linguagem também cortam o caos segundo um plano e ao fazê-lo, criam esse espaço no qual as proposições podem tornar-se significativas. Cada jogo de linguagem funciona como um crivo no caos, pois é certo que há qualquer coisa de virtual na linguagem. Aliás, Wittgenstein identifica os jogos de linguagem com nossa própria vida, ao dizer que eles são imprevisíveis, nem verdadeiros, nem falsos e estão aí, como nossa vida. A vida também aparece no último texto testamento de Deleuze chamado Imanência ... uma vida , quando o filósofo explica o empirismo radical (e transcendental) exigido pelo plano de imanência na experiência primordial da vida. É sempre através da literatura e das artes os exemplos sugeridos para entendermos o plano de imanência e o empirismo transcendental, pois aí os personagens saem da história ou do vivido e podem alçar em sua embriaguez ou loucura, o campo do transcendental. Um campo impessoal, e quase sem história, apenas vida. Talvez seja por isso que Gustavo e Luciana nos ensinam que as formas de vida não passam por evolução histórica. Pois é esta aproximação oferecida por Bento Prado Jr., no texto chamado A idéia de Plano de Imanência, que deixo ao leitor e aos autores deste livro-acontecimento. 
Não bastasse essas questões de fundo que nos tomam uma vida para entender, este livro traz saborosos conceitos no capítulo quatro, e sou fã de um: a web pragmática. Até lá o leitor percorrerá capítulos imperdíveis e inovadores de nossos jovens contemporâneos. O bom da história é quando lemos um livro que traz conceitos inovadores para movimentar a Ciência da Informação. É aí nesse terreno relacional entre a filosofia e a ciência que vemos ressoar os esforços de uma e de outra. 

Solange Puntel Mostafa


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Prefácio

Em diferentes campos disciplinares e áreas do conhecimento, se admite hoje considerar a linguagem como princípio paradigmático para o entendimento de ações e processos de caráter social ou coletivo: na Economia, no Direito, nos Estudos Sociais da Ciência, na Comunicação. 
É interessante lembrar a complexa trilha de compreensão da relação entre linguagem e informação, que tem antecedentes tão importantes como as referências ao estruturalismo de Suzanne Briet, na década de 50 ou as referências de Bar Hillel ao papel da semântica, nas abordagens formalistas da tradução automática, já na década de 60. 
No cenário contemporâneo, temos reconhecido duas principais orientações, na Ciência da Informação. Uma, retoma a relação entre códigos especializados e as linguagens cotidianas ou "linguagens naturais", focalizando a linguagem como dimensão dos dispositivos de tratamento da informação, onde à releitura das linguagens documentárias tradicionais, agregam-se: os estudos da terminologia, da linguística computacional e do processamento da linguagem natural (além de Bar Hillel, Sparck Jones, entre os iniciadores); as ontologias, numa importante interface com as Ciências da Computação. Podemos incluir, nessa mesma categoria, os estudos críticos e as reformulações que buscam novos pontos de partida em Wittgenstein e a filosofia da linguagem (Blair, Frohmann). Outra orientação, consideraria a linguagem e a informação como dimensão das práticas e ações de informação dos sujeitos e das organizações, como formas primárias de produção de saberes e discursos, tal como na abordagem da produção de sentido (Brenda Dervin), os estudos da significação incorporados à "análise de domínio" (Hjorland, Albrechtsen), o uso metodológico da análise do discurso (Frohmann) e as abordagens socioantropológicas das redes sociais e informacionais (Star, Bowker, Agree, entre outros). A teoria da ação comunicativa de Habermas, por sua vez, oferece um arcabouço conceitual que tem sido objeto de experimentação em diversos contextos analíticos, tanto dos estudos de Organização do conhecimento como nos de epistemologia, ética, política e economia da Informação (Lyntinnien, Benoit, Dervin, Wersig, entre outros).
O presente trabalho é um indicativo da necessidade de cruzar cada vez mais as diferentes linhas de indagação, e pode caracterizar-se como um esforço nessa direção. A abordagem pragmática à qual aderem os autores, sem a demarcação disciplinar estricta da linguística nem os referenciais utilitaristas de algumas vertentes do Pragmatismo, antes bem organizada pelas referencias a Wittgenstein e a filosofia da linguagem, atualiza no horizonte intelectual brasileiro algumas dessas premissas contemporâneas que fazem, dos usos da linguagem, um plano de virtualização da ação coletiva e individual. Isto permite assim pensar em figuras complexas de autonomia e de controle, de codificação estruturante e interações criativas e reflexivas, para reconstruir as atuais intermediações e mediações infocomunicacionais, com vigor indagativo, além de apriorismos transcendentais ou históricos.
É nessa direção que consideramos o aporte desta linha de pesquisa, agora formalmente iniciada, além das obrigações acadêmicas formativas, com a dimensão prospectiva de uma vontade temática e argumentativa que busca desenhar seu próprio espaço intelectual.

Maria Nélida González de Gómez



capa

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Detalhes

SUMÁRIO

  • APRESENTAÇÃO
  • PREFÁCIO
  • INTRODUÇÃO
  • 1. A caminho dos becos e travessas da Ciência da Informação 
  • 2. Pragmatismo e Ciência da informação: indícios de uma tradição
  • 2.1. Pragmatismo: teias conceituais
  • 2.2. O pragmatismo na epistemologia da Ciência da informação
  • 2.2.1. Algumas categorias fundamentais
  • 2.2.2. Uma filosofia pragmática por trás dos estudos de organização do conhecimento: a forma de vida dos contextos
  • 2.2.3. Wittgenstein: os jogos de linguagem dentre as redes informacionais
  • 3. Investigando a significação em Wittgenstein
  • 3.1. Jogos de linguagem: pluralidade e diferença
  • 3.2. A questão da significação
  • 3.3. Jogo de linguagem e significação
  • 3.4. Regras e significação
  • 3.5. Gramática e significação
  • 3.6. Semelhança de família e significação
  • 3.7. Forma de vida e significação
  • 4. A pragmática dos jogos de linguagem no virtual
  • 4.1. Olhares pragmáticos sobre a Ciência da informação
  • 5. Um olhar sobre a Ciência da informação sem informação
  • Posfácio - Pragmática dos diálogos: relato de um encontro
  • Referências
  • Referências indicativas

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Luciana de Souza Gracioso & Gustavo Silva Saldanha
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-91-7
Área (s) / Assunto (s) Ensino Superior; Didática; Estudos da Linguagem; Estudos sobre Internet; Pesquisa sobre Informação; Fundamentos Informacionais
Edição / Ano 1ª / 2011
Nº de Páginas 160
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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