Bem Vindo!

CRIAÇÃO E DOCÊNCIA EM ARTE

Seja o primeiro a comentar este produto

Disponibilidade: Em estoque

R$33,00
OU

Descrição Rápida

Lourdes Stamato De Camillis




É um livro que aborda a atividade de criação relatando a articulação entre os processos desenvolvidos na atividade de artes plásticas e na atividade do ensino da arte.
A autora baseia seus estudos na teoria histórico-cultural da chamada escola russa, privilegiando a análise dos processos do trabalho em arte como premissa para a compreensão do ensino da arte.
Obra fundamental para tratar questões de formação e atuação de professores na área de arte-educação, uma área com pequena produção, sobretudo com a abordagem teórica utilizada.


 


 




 


 


PREFÁCIO

Educar e fazer arte têm, sem dúvida alguma, seus
pontos de convergência: são atividades humanas que têm
como um de seus aspectos centrais o processo de 
formação do ser humano. O longo caminho do
desenvolvimento de nossa espécie foi pautado pela
interação humana em torno do conhecimento e da 
experiência estética.

Abordar estas duas formas de atividade humana em um
mesmo trabalho é um dos pontos de interesse deste
livro. A autora, dedicada à educação e à arte, soube
encontrar um caminho próprio para refletir sobre seus
fazeres. Em alguns momentos é o refletir sobre sua
criação artística que problematiza a ação de
educadora. Em outros, é a emergência da ação educativa
que faz com que o artista se coloque em uma outra perspectiva.

Vivemos em tempos tais que a arte acabou sendo
considerada, por muitos, como algo complementar à
formação humana. O espaço da arte, de maneira
geral, acabou diminuindo nos cursos, da pré-escola ao
ensino superior. Quando cortes são necessários no
orçamento da educação, são as artes as primeiras a
serem cortadas. Este trabalho sugere que o caminho
inverso deveria ser adotado, para favorecer tanto o
educando como o educador.

Ao longo dos capítulos apresentados aqui, vai ficando
claro um tema subentendido: o livro revela como é
enriquecedor para o educador se ocupar de arte. O
próprio percurso da autora é um exemplo
extraordinário. A arte amplia a experiência do
educador, contribuindo para seu trabalho de formar as
novas gerações. Da mesma maneira, a experiência
estética pode trazer aos educando novas
possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento.

A mim, orientadora da tese de doutorado que deu
origem a este livro, coube a satisfação enorme de
acompanhar as idas e vindas da autora, sua busca para
construir significado no entrelaçamento de suas
atividades, suas questões sobre como o outro, aquele
que não faz arte, se inclui em uma instalação ou em um
contexto organizado esteticamente.

O leitor que acompanhar este trajeto, não o fará sem
interesse. Provavelmente encontrará outros aspectos
interessantes para explorar neste livro. Várias
leituras são possíveis. Ao final da leitura ficará,
seguramente, uma certeza: são muitos os caminhos de
encantamento que uma obra de arte pode abrir a quem
interagir com ela, assim como são várias as
possibilidades para se envolver com o outro em uma
aventura de ensinar e aprender.

Elvira Souza Lima
Verão de 2002



APRESENTAÇÃO


 
Para a maioria das mulheres de minha geração não se colocava a questão da formação profissional visando a assumir um trabalho futuro. O que estava muito presente era a perspectiva de ser dona de casa, esposa e mãe. Eu não fugi à regra, porém, retomei meus estudos com três filhos pequenos e 30 anos de idade. A atividade de arte nunca foi interrompida desde o início na pré-adolescência, entretanto, graduação, mestrado e doutorado só foram possíveis na maturidade.
Desde meu primeiro trabalho houve a tentativa de aliar a educação com a arte. Algumas vezes isso ficou mais claro por se tratar de aulas de arte, outras vezes, por exemplo, em aulas de didática para graduandos, essa relação estava posta pela abordagem direcionada para o desenvolvimento criador dos alunos.
É objeto da reflexão deste estudo, a articulação entre os processos desenvolvidos na atividade de artes plásticas e na atividade do ensino da arte. Com base na teoria histórico-cultural da chamada escola russa, privilegiei a análise dos processos de trabalho em arte como premissa para a compreensão do ensino da arte. Para tal, a apresentação de depoimentos de meus próprios processos de criação subsidia a discussão, além de apontar implicações para a relação arte e educação no processo institucional.
Pensar a arte na escola, necessariamente, leva à questão da formação do educador e de seu papel no desenvolvimento dos alunos e, nesse sentido, estão presentes algumas reflexões que julgo importantes.
Considerei dois critérios ao fazer o recorte para o estudo. Partir da minha experiência pessoal considerando a relação entre o fazer e o refletir sobre a ação; e abordar o que considero básico para o ensino da arte. Toda opção, porém implica escolher uma coisa em detrimento de outra, e este trabalho não é exceção. Esclareço que não tive a intenção de historiar o ensino da arte no período analisado; o enfoque se restringe a determinadas linhas teóricas, ou seja, às teorias de criatividade e à abordagem histórico-cultural.

HISTÓRIA PESSOAL
"O meio não é outra coisa senão o conjunto mais ou menos duradouro das circunstâncias onde se desenrolam existências individuais" (Wallon, 1975, p. 165).

Meu envolvimento com a arte – na forma de cursos e contatos- vem da pré-adolescência. Lembro, nitidamente, que fui menina à primeira Bienal de Arte no Trianon, levada por meu pai – como lembro, também, das minhas primeiras aulas particulares de desenho. Minha ida ao Trianon não foi por acaso. Certamente motivos relacionados com o interesse de meu pai pela cultura – além de outros, ele colecionava os fascículos do "Lello Enciclopédia" para encadernar em quatro volumes, colocar minhas iniciais e me presentear -–me estimulavam e iam abrindo universos de descoberta e de fascínio.
Meu primeiro impulso de aprofundamento nesses mistérios foi a idéia de que fazer um curso de Filosofia poderia ser interessante. Por circunstâncias de vida, só muito depois pude entrar nessa senda. De certa forma, aos caminhos – até chegar à filosofia novamente – foram sendo acrescentadas novas bifurcações.
O papel fundamental exercido pelos adultos e pelo contexto na formação das pessoas, fica claro no meu caso como um dos fios condutores para minhas atividades de adulta, ou seja, me tornar artista plástica e professora.
Como professora, desde o primeiro contato com alunos, embora de maneira incipiente, me indagava sobre as diferentes percepções dos indivíduos frente ao mundo das coisas, então desconhecidas. A hipótese que eu me colocava era a de que existia uma base semelhante – potencial/estrutural – em todo ser humano, que abarcava a sensibilidade e a tentativa de compreensão mais racional do mundo. Buscando clarear meu próprio questionamento, além do curso de Pedagogia, fui procurar outras vias, outras culturas, outros autores... Participei de cursos de verão em Buffalo (Nova York), sobre Criatividade e Solução de Problemas; fiz curso de Psicologia da Criatividade na USP; Teatro; Expressão Corporal... Visitei instituições aqui e no exterior; fiz estágio na FAAP em Arte-Educação. Realizei entrevistas com pessoas que tinham um trabalho relacionado com o pensamento e com a arte, dentro e fora de campo educacional.
Entrementes, eu continuava meu envolvimento pessoal com a arte. Após fazer um curso sobre Arte Pré-Histórica no Brasil, com Nonê Andrade, fui convidada para trabalhar numa escola particular. Lá fiquei por onze anos, como professora, orientadora e coordenadora da área de arte da escola. Esse trabalho me possibilitou muitos "insight" enriquecedores, especialmente com alunos menores – na faixa de 7 anos – nos quais quase se podia "ver" a evolução do pensamento no processo de descobertas. Tais percepções me estimularam a buscar formas de fazer propostas de trabalho que possibilitassem um caminho para os alunos, prazeroso e fluido, nas relações novas que iam se construindo na atividade com a arte.
O tempo que passei nessa escola possibilitou as condições para me tornar mais profissional como professora, além de ampliar meu trabalhar didático. Produzi material para uso dos alunos, em colaboração com a orientadora de Língua Portuguesa, no qual articulamos criatividade com expressão escrita e oral.
Mais tarde, em 1980, entrei no curso de mestrado em Filosofia da Educação. Fazer o curso foi decisivo para minha conscientização social e amadurecimento. Reflexões e situações, anteriormente desconhecidas, tornaram-se objeto de muito interesse. Foi um curso sofrido, porém uma experiência fundamental.
Ao tornar-se professora de Didática em curso de Pedagogia de uma faculdade paulista, na qual permaneci cinco anos, procurei realizar um trabalho que possibilitasse aos alunos o resgate do prazer da busca de conhecimento, apesar das deficiências oriundas de sua formação básica. Os obstáculos maiores referiam-se à sua grande dificuldade em formular um pensamento próprio, por escrito, oral ou graficamente.
Foi durante minha passagem pela Febem – durante seis meses, no Projeto Quadrilátero – que comecei a definir o que seria minha dissertação de mestrado, ou seja, um estudo sobre a Suplência.
Após o trabalho com os meninos da Febem, que não chegou a se desenvolver completamente, fui para a Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo – S.E.E., o que me possibilitou contato mais próximo com a realidade da escola pública.
Desde 1988, participo de projetos desenvolvidos junto à Rede Estadual de Ensino, em contato com professores, supervisores, diretores, assistentes técnicos e assistentes de apoio pedagógico. Há dois anos trabalho com a relação arte, educação e informática.
Articular o meu próprio trabalho de arte com o trabalho em educação sempre foi uma meta perseguida por mim. A experiência com a Informática tem possibilitado desenvolver estudos em torno desse tema com os professores de Arte da Rede Estadual, em oficinas de vivência e discussão.
Minhas duas atividades principais sempre estiveram relacionadas e toda vez que articulo uma, a outra está presente. Assim, quando fui a Turim, como bolsista do governo italiano, cheguei até Bolsena e entrevistei Manacorda, o que se constituiu, também, num certo prazer estético por ter-me proporcionado compartilhar de seu ambiente.
Manacorda vive numa casa do século XVI, na qual passei o dia. Lá almocei numa cozinha enorme, com lareira de pedra e na mesa produtos de sua "campagna", como favas, vinho, azeite e muito calor latino.
A pedido dele trouxe seu livro sobre história da pedagogia, editado pela Cortez em 1989.
Em outra viagem (1990), entrevistei George Snyders (entrevista publicada na série Idéias nº 11) e dele, também, trouxe seu então último livro sobre música na escola. Nesse livro, publicado pela Cortez em 1991, ele retoma idéias colocadas no seu "Alegria na Escola".
Tanto um autor quanto outro articulam as questões do pensamento, da educação, da imaginação e da cultura com o prazer da busca do conhecimento.
Semelhantes contatos, não tão próximos, tive com Dr. Guilford e com de Bono, além do acesso, via textos, ao pensamento de outros autores.
Ao iniciar o doutorado, as questões sobre história, cultura, arte e educação se tornaram objeto de muita reflexão, sendo abordadas articulada e sistematicamente.
No embate com questões teóricas para eleger e construir um projeto de tese, falou mais alto a necessidade de investir na tentativa de aglutinar arte e educação – na tarefa de levar avante esse projeto.
Pela via da arte, foi aprovado o projeto de criação de um espaço cultural que, por meio de intervenções plásticas na paisagem cotidiana da universidade, ou seja, rupturas visuais provocando impactos reflexivos e fruição estética, no sentido de transformar os espaços sociais da universidade em espaços de veiculação e participação cultural, além de mobilizar a comunidade da instituição para o desenvolvimento de sua identidade cultural.
Relacionar esse projeto com o desafio de elaborar uma reflexão em doutorado tornou-se um horizonte possível – primeiro, intuitivamente, sabendo que a relação estava posta: arte, cultura, educação e – depois objetivamente.
Penso ser oportuno registrar que o fazer arte pressupõe não apenas o sensível, mas o racional, e especialmente, a materialidade – o fazer concreto. O núcleo da ação do artista plástico, - do grego platikós (relativo às dobras de argila); do latim plasticu (que modela); - é uma atividade prática, que visa estabelecer uma conversação reflexiva, próxima do conceito de Rorty.
Rorty (1988) afirma que:
"(...) o motivo da filosofia edificante é mais fazer prosseguir a conversação do que encontrar a verdade objetiva. Essa verdade, do ponto de vista que advogo, é o resultado normal do discurso normal. A filosofia edificante não é somente anormal mais reativa, apenas tendo sentido como um protesto contra as tentativas de encerrar a conversação, mediante propostas de comensuração universal, através da hipostasiação de um conjunto privilegiado de descrições.
O perigo que o discurso edificante tenta afastar é o de que um dado vocabulário, uma maneira pela qual as pessoas pudessem vir a pensar em si mesmas, as induza erroneamente a pensar que de agora em diante todo discurso pode ser, ou deve ser, discurso normal. O congelamento da cultura daí resultante seria, aos olhos dos filósofos edificantes, a desumanização dos seres humanos".
(p. 291/292)

Rorty faz uma distinção entre filósofos revolucionários: filósofos sistemáticos – são construtivos e oferecem argumentos, constróem para a eternidade; filósofos edificantes – são reativos e oferecem sátiras, paródias, aforismos, metáforas e desconstroem para o bem de sua própria geração.
A conversação reflexiva é um conceito que de certa forma está relacionado com o que Vygotsky coloca como o verdadeiro conteúdo da obra de arte: o seu conteúdo ativo – aquele que determina o caráter específico da vivência estética que provoca. Uma experiência individual que transforma sentimentos e emoções, e que nessa metamorfose transcende o individual, generaliza-se e se torna social.



capa

Mais Visualizações

Detalhes

SUMÁRIO 

  • Prefácio  Elvira Souza Lima
  • Apresentação 
  • Introdução 
  • 1 - A arte e seu significado
  • 2 - As teorias de criatividade e a abordagem histórico-cultural 
  • 3 - A atividade no espaço educativo 
  • 4 - O lugar da arte na intituição escolar 
  • Bibliografia 
  • Anexo I - Soluções 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Lourdes Stamato De Camillis
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 85-86305-11-1
Área (s) / Assunto (s) Educação Artística; Formação de Professores; Psicologia da Educação; Didática; Metodologia do Ensino de Artes; Currículo.
Edição / Ano 1ª / 2002
Nº de Páginas 128
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

Tags do Produto

Utilize espaços para separar tags. Utilize aspas simples (') para frases.