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CULTURA E POLÍTICA DE CURRÍCULO

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Disponibilidade: Esgotado

R$37,00

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DISPONÍVEL no formato digital/e-Book: Livraria Cultura ou KOBO BOOKS


 


Alice R. C. Lopes, Elizabeth F. de Macedo & Maria Palmira C. Alves - orgs.


Os textos reunidos neste volume foram apresentados no II Colóquio Luso-brasileiro sobre Questões Curriculares, realizado em 2004. Analisam políticas curriculares contemporâneas com foco em documentos elaborados pelos poderes centrais, preocupando-se, no entanto, com a articulação entre esses documentos e o cotidiano dos espaços educativos em que são implementados. As discussões sobre educação e cultura e os estudos que analisam princípios de organização curricular assumem especial relevo, buscando problematizar a centralidade que o debate desses temas assume no cenário atual. Busca-se, assim, instigar os leitores a avançar na produção de novos estudos, novos conhecimentos e novas práticas em torno de questões de currículo.


 


 




 


 


Apresentação: 

Reunimos neste livro versões ampliadas e revistas de textos que serviram de base a mesas do II Colóquio Luso-brasileiro sobre Questões Curriculares, no qual foi abordada a interface entre o campo do currículo e a cultura. Embora os estudos do currículo venham se caracterizando, cada vez mais, por uma multiplicidade de temáticas e referenciais, os estudos sobre políticas têm sido uma preocupação constante do campo. Pode-se dizer que, em parte, essa preocupação é produto do grande número de intervenções, governamentais ou não, no campo do currículo tanto escolar quanto ligado a movimentos sociais mais amplos. Um aspecto que tem marcado as políticas curriculares é a preocupação com a diferença, entendida sob as mais diversas formas, e o foco na organização curricular. Tais aspectos são privilegiados nos textos escolhidos para este livro, compondo uma diversidade de discussões que não visam montar um panorama do campo, mas dar visibilidade às discussões que se fizeram presente no evento e que expressam pesquisas no campo do currículo.
Os textos de Reinaldo Matias Fleuri e Vera Maria Candau focalizam o momento contemporâneo, de profunda transformação cultural, e refletem sobre os sentidos de políticas multi/interculturais em curso. Fleuri apresenta os estudos desenvolvidos pelo grupo MOVER, buscando pensar a formação de educadores a partir de subsídios teórico-metodológicos advindos da análise de práticas multiculturais. Essas práticas envolvem a diferença numa perspectiva ampla, abordando as interfaces entre gênero, etnia, geração. Defende o autor que a riqueza das propostas de educação para a alteridade reside na possibilidade de que múltiplas perspectivas interajam sem que sejam reduzidas "por um único código e um único esquema a ser proposto como modelo transferível universalmente". 
Se a centralidade do trabalho do grupo MOVER reside no entendimento da complexidade das políticas interculturais associadas aos movimentos sociais, Candau desenvolve sua argumentação tendo em vista a educação escolarizada. A autora propõe elementos que possam contribuir para a "reinvenção da escola", uma escola em que a diferença possa existir. São elementos que, na visão de Candau, devem ser introduzidos nas práticas escolares e na formação de professores. Primeiramente, a autora advoga que o processo pedagógico precisa tornar professores e alunos conscientes de suas identidades, dos hibridismos que elas comportam, assim como das formas de representação dos outros. Um outro aspecto defendido por Candau é a concepção da prática pedagógica como processos de negociação cultural, evitando o daltonismo cultural que tem caracterizado a cultura escolar como monocultural e evidenciando o caráter histórico-social dos conteúdos. Essa prática, ainda segundo a autora, precisa conceber a escola como espaço de crítica e de produção cultural, no qual o educador tem um papel importante como agente cultural promovendo experiências de interação sistemática com os outros.
Mantendo a centralidade no currículo escolar, Magda Soares considera a escrita no currículo, entendendo o ler e o escrever como componentes curriculares. Busca discutir a escrita ensinada e escolarizada, portanto, reinterpretada e reconstruída na escola, de forma associada ao "Efeito Mateus". Segundo a autora, com base em Bourdieu, o processo de escolarização da língua oral ou escrita é desenvolvido tendo por referência as variantes lingüísticas, bem como os comportamentos em relação à leitura e à escrita dos grupos de prestígio na sociedade. Destaca como esse prestígio pode ser entendido com base em relações de classe social, mas também por raça, gênero ou faixa etária. Por "Efeito Mateus", a autora entende a hipótese explicativa, baseada originalmente nos estudos sociológicos de Robert Merton, que considera uma progressiva ampliação da diferença, ao longo do processo de escolarização, entre os que iniciam tal processo em condições vantajosas e os que iniciam em condições de desvantagem. Com base nessa análise, a qualidade e a quantidade de experiências e vivências prévias com a língua escrita seriam os fatores determinantes do sucesso ou fracasso na aprendizagem da leitura e da escrita. 
Analisando propostas educacionais e curriculares contemporâneas, ainda com foco na diferença cultural, os textos de Luiz Alberto Oliveira Gonçalves, Carlinda Leite e Elizabeth Fernandes de Macedo abordam, respectivamente, a política de cotas, a reforma curricular portuguesa e os parâmetros curriculares nacionais (PCN) no Brasil. Oliveira focaliza as ações afirmativas de entrada de negros nas universidades brasileiras. Busca ressaltar o papel dos movimentos sociais na construção dessas políticas, por meio da apresentação dos antecedentes sociais e históricos que sustentam tais políticas, bem como localiza a conjuntura política que favoreceu o debate sobre o tema e sua inclusão nos programas de partidos e nas ações do executivo federal. Nesse debate, o autor identifica o que julga ser o maior obstáculo nas políticas afirmativas de negros no Brasil: a definição de quem é negro. Sua análise visa a apontar os avanços das ações afirmativas no ensino superior, não as limitando à reserva de vagas para negros, mas associando o potencial acadêmico com o da liderança. 
Leite situa, nas políticas portuguesas da educação, as origens dos princípios da "igualdade de oportunidades" e da "escola para todos", caracterizando o contexto em que emergiu a atenção à multiculturalidade no campo escolar e explicitando o modo como essa multiculturalidade está presente nas medidas de territorialização educativa que foram instituídas em Portugal, nesta transição de século. Observa a autora que de um papel que confinava a educação escolar à instrução pela mera transmissão de conhecimentos, tem-se vindo a exigir que a escola participe na formação global das crianças, jovens e adultos, seus "clientes". Educação para a cidadania, formação cívica e desenvolvimento de competências de ordem pessoal e social passaram a ser expressões com que se convive, tanto nas políticas curriculares em curso em Portugal, como no dia-a-dia escolar.
Pensando as reformas contemporâneas no Brasil, Macedo analisa a questão da diferença tendo por objeto a proposta curricular para ciências naturais dos PCN. Enfoca tanto conteúdos dessas ciências como o próprio discurso pedagógico que enforma o documento. A autora considera que esses currículos apresentam estereótipos - a estratégia principal do discurso colonial - que, mesmo ambivalentes, tendem a embasar práticas discursivas e políticas da hierarquização cultural. Um dos principais recursos de eliminação do outro nos PCN analisados é a valorização de uma concepção universalista de conhecimento, que dificulta a tematização da diferença. No sentido de reverter a polarização Eu/Outro visível nos currículos, Macedo defende ser necessário pensá-lo como espaço-tempo ambivalente em que culturas diferentes negociam sua existência. 
As políticas curriculares contemporâneas são, ainda, tratadas nos textos de Alice Ribeiro Casimiro Lopes e Maria Palmira Carlos Alves, com foco privilegiado nas questões relativas à organização curricular. Lopes critica o entendimento dessas políticas como homogêneas e centradas em ações governamentais, propondo duas questões inter-relacionadas concernentes aos atuais discursos sobre o currículo integrado. Na primeira, sinaliza a existência de uma defesa do currículo integrado a partir de relações por demais imediatas entre conhecimento científico e conhecimento escolar, entre disciplinas científicas e disciplinas escolares. Ao discutir os limites dessas relações, discute a especificidade sócio-histórica das disciplinas e do conhecimento escolar. Na segunda questão, a autora defende que as disciplinas escolares sejam consideradas no processo de apresentar e/ou refletir sobre propostas de integração curricular. Nessa análise, focaliza particularmente a ação dos grupos disciplinares na produção das políticas de currículo, tanto nas esferas de governo quanto nas escolas.
Alves analisa o decreto-lei 6/2001 de 18 de Janeiro, do Ministério da Educação, em Portugal, que definiu o conjunto de competências consideradas essenciais e estruturantes no âmbito do desenvolvimento do currículo nacional, para cada um dos ciclos do ensino básico; o perfil de competências de saída deste nível de ensino; e, ainda, os tipos de experiências educativas que devem ser proporcionadas a todos os alunos. O documento publicado pelo Ministério da Educação Currículo Nacional do Ensino Básico Competências Essenciais, ao utilizar novos conceitos e termos, e, ainda, ao tomar o conjunto das competências gerais como um fio condutor e um elemento que enquadra a concepção e o desenvolvimento do currículo, tanto na sua expressão nacional, como ao nível dos projectos curriculares de escola e de turma, poderá ter constituído um marco de viragem no processo de ensino/aprendizagem. A autora analisa as vantagens e/ou desvantagens do desenvolvimento do currículo e da avaliação por competências, no sucesso escolar e pessoal dos alunos, ao mesmo tempo que clarifica a abordagem por capacidades e a abordagem por competências, evidenciando a complementaridade das duas abordagens.
Por fim, trazemos para a discussão um texto de John Willinsky que, a primeira vista, não trata de currículo. Trata-se de um artigo em que Willinsky defende o livre acesso aos textos acadêmicos e a circulação de idéias de forma democrática. Argumenta o autor que um projeto de educação multicultural não pode prescindir de tornar público aquilo que é produzido no mundo. Entendemos, então, que, ao falar sobre a diferença no currículo, cumpria-nos pensá-la também no espaço que nos é próprio: o da produção do conhecimento acadêmico. Criar alternativas que viabilizem a produção e sua divulgação ampla, sem os limites impostos por aqueles que definem e controlam o mercado da produção científica, parece-nos fundamental num momento em que discutimos como podemos pensar o currículo numa contemporaneidade marcada não apenas pela diferença, mas por tentativas de ocultá-la.




 



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SUMÁRIO

  • Apresentação Alice Ribeiro Casimiro Lopes; Elizabeth Fernandes de Macedo e Maria Palmira Carlos Alves
  • Intercultura, Educação e Movimentos Sociais: a perspectiva de pesquisas desenvolvidas pelo Núcleo Mover (UFSC) Reinaldo Matias Fleuri
  • O/A Educador/a como Agente Cultural Vera Maria Candau
  • A Escrita no Currículo e o "Efeito Mateus" Magda Soares
  • Ações Afirmativas e Universidade Luiz Alberto Oliveira Gonçalves
  • As Mudanças Curriculares, em Portugal, e a Multiculturalidade Carlinda Leite
  • Currículo e Diferença nos Parâmetros Curriculares NacionaisElizabeth Fernandes de Macedo
  • Integração e Disciplinas nas Políticas de Currículo Alice Ribeiro Casimiro Lopes
  • O Desenvolvimento do Currículo e a Avaliação por Competências Maria Palmira Carlos Alves
  • Acesso Livre: letramento (Pesquisa) na era da informação John Willinsky - Tradução de Carlos Magno Sady Valadares

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Alice R. C. Lopes, Elizabeth F. de Macedo & Maria Palmira C. Alves - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 85-86305-29-4
Área (s) / Assunto (s) Currículo; Políticas de Currículo; Cultura; Política Educacional; Formação de Educadores; Avaliação.
Edição / Ano 1ª / 2006
Nº de Páginas 208
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cmx21cm

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