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DAS MARGENS AO CENTRO: perspectivas para as políticas e práticas educacionais no contexto da educação especial inclusiva

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Enicéia Gonçalves Mendes & Maria Amelia Almeida - orgs.


Este livro é uma coletânea que reúne textos de pesquisadores da área de Educação Especial no Brasil. O título "das margens ao centro" foi escolhido por refletir as questões predominantes na área que são as perspectivas para as políticas e práticas educacionais no contexto da educação especial inclusiva. A obra contém 42 capítulos organizados em 15 partes que abordam os temas mais importantes desta área.


 


 




 


 


INTRODUÇÃO

Enicéia Gonçalves Mendes
Fabiana Cia
Márcia Duarte


Este livro é uma coletânea que reúne textos de pesquisadores da área de Educação Especial no Brasil. O título "das margens ao centro" foi escolhido por refletir as questões predominantes na área que são as perspectivas para as políticas e práticas educacionais no contexto da educação especial inclusiva. A obra contém 42 capítulos organizados em 15 partes que abordam os temas mais importantes desta área.
Existe na atualidade uma tendência de globalização das políticas de educação inclusiva e isso tem despertado a curiosidade de pesquisadores que buscam conhecer em estudos transculturais como são as expressões locais dessas políticas e práticas educacionais para ampliar os horizontes sobre como as diferentes sociedades contemporâneas têm buscado soluções para favorecer a questão da escolarização de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais.
A primeira parte apresenta ao leitor algumas análises das perspectivas internacionais das políticas de inclusão escolar trazidas por pesquisadores brasileiros que estiveram em programas de pós-doutorado em outros países. Adriana Lia Friszman de Laplane, Mônica de Carvalho Magalhães Kassar e Enicéia Gonçalves Mendes discutem nos três capítulos iniciais a atual proposta de escolarização para crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, respectivamente na Inglaterra, na Espanha e na França. As autoras baseiam suas análises no quadro legislativo e em estudos e opiniões de pesquisadores dos países em questão e apresentam os principais aspectos das políticas públicas em geral, e em particular das políticas educacionais voltadas para essa parcela da população. No conjunto, os três textos indicam que existe de fato uma globalização nos padrões das mudanças induzidas na política, economia e cultura, de modo que conhecimentos e práticas produzidos num país viajam e são traduzidos em outros lugares e espaços fazendo com que, apesar das diferenças entre os países, muitas semelhanças também podem ser encontradas. Os autores concluem que Brasil, ao menos no enquadramento legal, está alinhado com as atuais concepções, idéias e reflexões sobre educação especial, deficiência e inclusão escolar ou social. 
A principal conclusão que permite os estudos é a de que mesmo em países desenvolvidos onde, os benefícios sociais conquistados têm sido mais numerosos, estes tem sido no presente considerados insuficientes (e às vezes ineficientes), quando enquadrados nos orçamentos internacionais, nas economias, nas incertezas da universalidade dos direitos, obrigações das e entre as nações. Os impasses dos discursos baseados nos conceitos de diversidade e exclusão, a dificuldade em avançar em relação à natureza paralela dos dois subsistemas (um baseado na escola comum e o outro nas instituições filantrópicas), que traz em si uma complexa relação entre o setor público e o privado, são questões que possivelmente desafiam o avanço das políticas de escolarização de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais em todos os países.
Desolando o foco do âmbito internacional para o nosso país, o livro traz na segunda parte, cinco capítulos de autores que trazem contribuições para melhor compreender as políticas de inclusão escolar no Brasil.
No capítulo 4 a pesquisadora Rosângela Gavioli Prieto aborda as políticas de inclusão escolar no Brasil trazendo elementos que nos permitem questionar as mudanças e se não estaríamos de fato falando sobre novos/velhos significados para Educação Especial. No Capítulo 5 o pesquisador Marcos José da Silveira Mazzotta discute algumas idéias sobre inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais com enfoque no distanciamento entre as políticas e as práticas escolares, explicado por fatos tais como o desconhecimento de políticos e educadores acerca da história da educação brasileira e das ações públicas em educação especial e a importação acrítica de modelos de políticas européias e norte-americanas. No capítulo 6 o pesquisador Antônio Carlos do Nascimento Osório traz reflexões sobre a escolarização na educação especial em sua latência, tendo como subsídios teóricos e metodológicos parte dos escritos nos referenciais de Michel Foucault, dando conotação, ao itinerário em torno de subsídios sobre as relações entre saber e poder em suas complexidades e diferentes dimensões. No capítulo 7 o pesquisador Vanderlei Balbino da Costa analisa o papel da escola, a questão das deficiências e diferenças, a educação inclusiva, e a inclusão social via trabalho e da profissionalização, e conclui trazendo sua própria ótica, enquanto acadêmico e de pessoa em situação de deficiência. Finalizando essa segunda parte, no capítulo 8 as pesquisadoras Adriana Cunha Padilha e Kátia Regina Moreno Caiado traçam um paralelo entre as desigualdades sociais e educacionais no município de Campinas, no Estado de São Paulo, relacionado-as as políticas públicas educacionais no Brasil, como forma de compreender o contexto social em que são implementadas as políticas voltadas à inclusão educacional, que por sua vez encontram-se imbricada aos interesses diversos da economia globalizada na virada do século XX para o XXI.
O Brasil tem vivido uma onda de reforma no sistema educacional, que teve como marco político-institucional a Constituição Federal de 1988, e a partir de então uma série de ações oficiais vêm sendo empreendidas sob a justificativa de alcançar a "equidade", traduzida pela universalização do acesso a todos à escola e à "qualidade do ensino". Entre tais medidas destacamos a perspectiva de se adotar uma diretriz mais efetiva para a política de inclusão escolar de estudantes com necessidades educacionais especiais, que vem sendo referendada em todos os documentos oficiais do Ministério da Educação publicados a partir da década e 1990. Tal política tem implicado num aumento da demanda generalizada de qualificação dos professores na perspectiva da inclusão escolar. É justamente este assunto que vai ser abordado nos três próximos capítulos que compõem a terceira parte do livro.
A despeito do aumento da demanda, a questão da formação específica de professores de Educação Especial enfrenta no país sérios desafios, pois com a reformulação do curso de Pedagogia as habilitações em Educação Especial foram extintas, eliminando com isso o modelo mais tradicional de formação nessa área, em nível superior. Até o ano 2000 tínhamos 31 cursos de Pedagogia com habilitação em Educação Especial, muitos deles hoje extintos ou em fase terminal. Restava-nos apenas um único curso de Licenciatura Plena em Educação Especial, que era o da Universidade Federal de Santa Maria. 
No capítulo 9 as pesquisadoras Enicéia Gonçalves Mendes, Maria Amélia Almeida, Fátima Elisabeth Denari e Maria Piedade Rezende da Costa descrevem como a Universidade Federal de São Carlos, tomando como base a experiência de 31 anos de formação de profissionais de alto nível em Educação Especial (mestres e doutores) implantou a partir de 2009 uma nova proposta de formação em nível de graduação: um curso de Licenciatura Plena em Educação Especial. No capítulo 10 a pesquisadora Ana Augusta S. Oliveira discute o embate entre a formação geral e a específica na questão da formação de professores na perspectiva da inclusão escolar, a importância de se garantir não só a formação permanente ou continuada e a formação inicial, e sobre as possibilidades de diálogo entre o comum e o especial, entre igualar e o diferenciar na busca de contornos realmente inclusivos. Finalizando esta parte a pesquisadora Edileine Vieira Machado traz no capítulo 11 algumas reflexões a respeito de uma experiência de outra proposta de formação de profissionais de educação na perspectiva da inclusão escolar e sugere repensar o sentido de universidade, para então, pensar numa nova proposta de formação de professores personificada.
Para além da formação dos professores, a concepção atual do processo de ensino e aprendizagem implica mudanças importantes no modelo de avaliação das necessidades educacionais especiais dos alunos e, consequentemente, nas práticas e nos instrumentos utilizados. O modelo vigente, orientado para o indivíduo e baseado na utilização de instrumentos muitas vezes descontextualizados, revela-se claramente insuficiente para a formulação da resposta educativa.
A avaliação educacional deve proporcionar uma informação relevante não só para conhecer de forma completa as necessidades dos alunos e seu contexto escolar, familiar e social, como também para fundamentar e justificar a necessidade de introduzir mudanças na oferta educacional e, se for o caso, a adoção de medidas de caráter extraordinário. No entanto, vê-se nas instituições de ensino uma dificuldade em conseguir desenvolver uma avaliação adequada às necessidades dos educandos incluídos, assim como em conseguir utilizá-la para melhorar o processo de ensino-aprendizagem do aluno. Tal temática será o foco da quarta parte do livro, que contém dois capítulos. 
No capítulo 12 a pesquisadora Edicléa Mascarenhas Fernandes apresenta um percurso da revisão teórica e paradigmática em relação à pessoa com deficiência intelectual – denominado da deficiência à funcionalidade. O texto se apóia nos estudos de Vygotsky apresentados nos escritos da Defectologia, fazendo uma análise da importância em não se limitar a uma pedagogia reducionista, que considera a pessoa com deficiência mental/intelectual somente pelo ponto de vista da defasagem cognitiva, em detrimento das relações sociais deste indivíduo. Apresentam-se também os paradigmas da atualidade, tendo como perspectiva de análise a Associação Americana de Deficiência Intelectual. Conclui-se que estas transformações no campo do diagnóstico e do acompanhamento de pessoas com deficiência intelectual convergem para a perspectiva da Educação Inclusiva e trazem novas configurações para o campo da educação, que instiguem educadores na busca de práticas pedagógicas que contemplem a singularidade deste alunado. No capítulo 14, a pesquisadora Marilda Moraes Garcia Bruno discute elaborações teóricas sobre o processo de avaliação educacional de crianças com deficiência visual e múltipla, apresentando proposta de avaliação das necessidades específicas e educacionais especiais, por meio de procedimentos de ludodiagnóstico. Tal proposta de avaliação mostrou-se essencial para a elaboração do plano de inclusão, para as adequações e complementações curriculares tendo em vista o sistema de apoio e suporte à inclusão do aluno com múltipla deficiência na escola regular.
Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. "Deve-se considerar que o atendimento educacional especializado tem como funções as de identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas" (p. 10). Assim, a temática da inclusão escolar, em relação às diferentes necessidades educacionais especiais será o assunto abordado nos capítulos das partes cinco a 12 do livro.
Iniciando a parte cinco sobre como os alunos sem fala articulada se comunicam em sala de aula, as pesquisadoras Cátia Crivelenti de Figueiredo Walter, Leila Regina d’Oliveira de P. Nunes e Sonia M. Moreira Delgado apresentam no capítulo 14 um estudo que faz parte de um projeto mais amplo, que está sendo desenvolvido em 15 países. Em específico, este estudo descreveu e analisou as respostas de duas jovens, com diagnóstico de paralisia cerebral, com dificuldades na comunicação oral e usuárias de sistema de comunicação alternativa composto por símbolos gráficos (PCS) ao serem submetidas às Provas de Compreensão. As participantes do estudo apresentaram dificuldades em ordenar as palavras e enunciados de forma idêntica à linguagem falada. Em contrapartida, foi possível verificar a possibilidade de comunicação das mesmas com a pesquisadora e com seus pares utilizando seus sistemas de comunicação alternativa com símbolos gráficos do PCS. Ainda na parte cinco, no capítulo 15 as pesquisadoras Leila Regina d´Oliveira de Paula Nunes, Danielle Abranches Brito, Silvia Regina Simeão Sant’Anna, Cláudia Miharu Togashi, Catia Figueiredo Walter e Carolina Rizzotto Schirmer desenvolveram um estudo com o objetivo de descrever as modalidades e funções comunicativas empregadas pelos alunos oralizados e não oralizados nas interações sociais em sala de aula. Os alunos não oralizados recorreram predominantemente ao uso de gestos – manuais, corporais e expressões faciais – de forma única ou associada para se comunicar. No entanto, observou-se um crescente uso da comunicação gráfica, seja isoladamente ou acompanhada por gestos e vocalizações, pelos alunos não falantes, pelos alunos oralizados, assim como pela professora e pelas assistentes de pesquisa. 
A parte seis engloba dois capítulos que trabalharam com a temática da inclusão digital-escolar. No capítulo 16, as pesquisadoras Enicéia Gonçalves Mendes e Gerusa Ferreira Lourenço descreveram um estudo que faz parte de uma agenda de pesquisas sobre inclusão escolar no Brasil, que vem sendo realizada no âmbito do Grupo de Pesquisas sobre Formação de Recursos Humanos em Educação Especial – FOREESP, da UFSCar. O projeto iniciado em 2005 teve as seguintes fases: etapa preliminar de condução dos procedimentos éticos, estudo exploratório das condições do campo e fase de implementação dos recursos. A fase de implementação foi desenvolvida em uma classe de recurso nos anos letivos de 2006 e 2007, com nove crianças com paralisia cerebral em idade escolar, que freqüentavam também classes comuns. Os resultados demonstraram que todos os participantes tiveram acesso facilitado ao computador, apresentaram melhora no domínio do instrumento, e que as atividades pedagógicas foram enriquecidas com o uso do computador. Os pesquisadores Nassim Chamel Elias e Antonio Celso de Noronha Goyos, no capítulo 17, apresentaram e descreveram o MestreLibras, um sistema automatizado desenvolvido pelos autores para auxiliar a aplicação de tarefas de escolha de acordo com o modelo e que pode ser utilizado como base para investigar o processo de aquisição de habilidades cognitivas complexas. Assim como apresentaram uma série de estudos que utilizou o referido programa no ensino de sinais a populações com características distintas.
Na parte sete, tem-se a exposição de dois capítulos que abordaram a inclusão escolar de pessoas com surdocegueira. Claudia Sofia Indalecio Pereira, no capítulo 18 descreveu um relato de experiência, em que constam as ações da Associação Brasileira de Surdocegos Abrasc, fundada em 1998 por pessoas com surdocegueira e profissionais atuantes em centros especializados em surdocegueira. Dando sequência, no capítulo 19, a pesquisadora Fatima Ali Abdalah Abdel Cader Nascimento compartilha o que a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal – SEEDF tem realizado no atendimento ao estudante surdocego matriculado e reqüentar o regularmente aulas no sistema de ensino regular e, como os professores têm assumido a função de guia-intérprete. Funções assumidas pelo professor na função de guia-intérprete, assim como os desafios na área são apontados no final do capítulo. 
A oitava parte do livro, "Inclusão escolar e deficiência múltipla", constitui-se de três capítulos. No capítulo 20, as pesquisadoras Susana Maria Mana de Aráoz e Maria da Piedade Resende da Costa apresentaram relatos de experiências bem sucedidos na utilização de redes de apoio e da atuação de associações de pais que são instrumentos importantes na inclusão de alunos com deficiência múltipla. Shirley Rodrigues Maia, no capítulo 21 descreveu sobre o trabalho desenvolvido na Associação Educacional para Múltipla Deficiência – Ahimsa, criada em 04 de Março de 1991 que tem como um dos seus objetivos o atendimento educacional de pessoas com deficiência múltipla sensorial. No capítulo 22, Sandra R. S. H. Mesquita descreveu a proposta de trabalho desenvolvida no Núcleo de Práticas Educativas Inclusivas – de Deficiência Múltipla e Surdocegueira, criada em agosto de 2008, com seu pólo instalado no Parque Escola na cidade de Santo André-SP.
A nona parte do livro "Inclusão escolar e surdez" é organizada pela compilação de cinco capítulos que contextualizam a educação de surdos. Tárcia Regina da Silveira traz no capítulo 23, algumas reflexões sobre o movimento de inclusão e a escolarização de surdos, buscando relacionar as atuais propostas da legislação educacional e a concepção de surdos como pertencentes a um grupo minoritário com língua e cultura próprias, dentro da perspectiva multicultural crítica. Para esclarecer esses aspectos, a autora discutiu o conceito de cultura, de multiculturalismo crítico e apresentando, como exemplos, estudos que têm mostrado a importância da presença da cultura surda na escola, representada pelo professor/educador surdo, para constituir um currículo em ação relevante socialmente e significativo, considerando que todo currículo tem uma base teórica que congrega posições. Dando sequência, no capítulo 24, Lodenir Becker Karnopp socializa pesquisas realizadas em comunidades de surdos, focalizando a literatura surda, caminho que envolve tradução e a articulação de olhares entre culturas. No capítulo 25, a pesquisadora Tárcia Regina da Silveira Dias, traz reflexões sobre possíveis condições na escola como caminho para implementar uma educação de qualidade aos surdos, a partir de estudos realizados em projetos e junto a orientandos, sem se limitar somente a eles. No capítulo 26 a pesquisadora Maria Cristina da Cunha Pereira, discute sobre a constituição de sentidos na leitura e na escrita por alunos surdos e descreve o efeito da exposição a textos na constituição do conhecimento de português, por um aluno surdo. No capítulo 27, a pesquisadora Ronice Müller de Quadros traz alguns reflexões sobre os significados atribuídos pelos surdos à língua de sinais e à língua portuguesa.
Na décima parte, tem-se a exposição de dois capítulos que abordaram a inclusão escolar, superdotação, altas habilidades e talentos. Zenita C. Guenther, no capítulo 28, descreveu o ideário teórico, e a prática desenvolvida no Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento, CEDET – uma metodologia estabelecida em cerca de 20 anos de trabalho com escolares dotados e talentosos, em Minas Gerais, com centros estabelecidos e funcionando em outros estados, instalados principalmente pelos sistemas municipais de ensino. As pesquisadoras Soraia Napoleão Freitas e Tatiane Negrini no capítulo 29 problematizam a respeito da organização da gestão educacional na conjuntura contemporânea para a inclusão dos alunos com altas habilidades/superdotação.
A décima primeira parte do livro apresenta ao leitor, estudos que abordam a temática sobre autismo e baixa visão. Cecilia Guarnieri Batista e Fernanda Caroline Pinto da Silva, no capítulo 30, apresentam um estudo sobre a formação de conceitos em crianças cegas e com baixa visão. São discutidas as formas de planejar os recursos para o ensino de conceitos, levando-se em conta as diferentes maneiras de apresentação das informações, as diferentes modalidades de representações e a importância da interrelação entre conceitos cotidianos e conceitos científicos na construção do significado de um conceito. Nesse feixe teórico, a pesquisadora Débora Regina de Paula Nunes, no capítulo 31, descreve e discute sobre as prerrogativas no uso de rotinas interativas, inseridas no contexto de intervenção em linguagem e comunicação, para crianças com autismo. Em seguida, o texto apresenta resultados de pesquisas com a mesma abordagem, contando com a participação e apoio dos pais enquanto agentes terapêuticos. A adequabilidade em utilizar esta modalidade de intervenção para populações com autismo é, posteriormente, discutida.
A décima segunda parte é organizada por três capítulos, que abordam a temática inclusão escolar e educação física. No capítulo 32, as pesquisadoras Joslei Viana de Souza e Maria da Piedade Resende Costa discutem e analisam a respeito da implantação dos programas de tutoria e os efeitos destes programas em relação ao tutores e os alunos com deficiência, bem como o papel do professor de educação física. José Luís, no capítulo 33, discute sobre a tutoria em Educação Física, a partir de uma reflexão sobre sua efetiva aplicação, e como fazer acontecer, levando-se em conta ganhos para o Tutor e Tutelado e as efetivas possibilidades de inclusão da clientela envolvida na educação especial. Ainda na décima segunda parte do livro, no capítulo 34, Marli Ribeiro, apresenta um estudo sobre o papel do colega tutor nas aulas de educação física inclusiva. Os dados apontam que houve uma aplicação por parte dos colegas tutores das instruções oferecidas no treinamento, e isso propiciou uma melhora na participação das alunas com deficiência visual nas aulas.
Para uma efetiva construção no processo de inclusão, deve-se considerar não somente uma transformação nas escolas ou nas políticas públicas, mas uma pareceria com todos aqueles envolvidos, professores, comunidade escolar e a família do estudante. 
No âmbito político há diferentes referencias no que se diz respeito à relação família e escola e suas interferências no desenvolvimento dos estudantes. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional -9394/96 afirma que a família deve agir juntamente com o Estado para promover a educação. No Estatuto da Criança e do Adolescente, a família é contemplada em todas as etapas da formação e do desenvolvimento da criança e do adolescente. O Plano Decenal de Educação para Todos (1993) afirma que seu sucesso depende do compromisso da União, dos Estados, Municípios, familiares e outras instituições. Tal temática será o foco da décima terceira parte do livro intitulada: "Sociedade inclusiva e a família de pessoas com deficiência", que contém dois capítulos. 
No capítulo 35, a pesquisadora Marcia Maurilio Souza descreveu sobre o Programa de Atendimento Domiciliar & Famílias Apoiadas (Programa AD & FA) que desenvolvem na AHIMSA – Associação Educacional Para Deficiência Múltipla, nesse programa são atendidos alunos com surdocegueira e com deficiência múltipla sensorial que por motivos diversos não conseguem freqüentar outros programas ou escolas. O programa tem como objetivo principal a inclusão dessas pessoas na família, escola e comunidade. No capítulo 36 as pesquisadoras Silvana Maria Moura da Silva e Maria da Piedade Rezende da Costa discute algumas idéias sobre o brincar na família e a importância da orientação a pais ou cuidadores sobre atividades estimuladoras. 
Desolando o foco da temática sociedade inclusiva e família para, trabalho e sexualidade das pessoas com deficiências, o livro traz na décima quarta parte, dois capítulos de autores que trazem contribuições para melhor elucidar outras tarefas do desenvolvimento das pessoas com necessidades educativas especiais, como por exemplo, a sexualidade e o ingresso no mercado de trabalho. No capítulo 38 a pesquisadora Ana Cláudia Bortolozzi Maia discute sobre a relação entre sexualidade e deficiência, com a compreensão de que esses fenômenos são construções sociais. O estudo trouxe apontamentos relacionados à exclusão a partir de padrões definidores de normalidade; a deficiência e a Sexualidade como fenômenos socialmente construídos; sexualidade, deficiência e o respeito à diversidade sexual. Já no capítulo 39 os pesquisadores Roberta Bezerra Brite, Francisco de Paula Nunes Sobrinho e Danielle Castelões analisaram as concepções de gestores a respeito das pessoas que ocupam postos de trabalho em uma rede de supermercados. O estudo contou com 18 participantes, encarregados da supervisão direta dessas pessoas.
A décima quinta parte do livro, intitulada "Sociedade inclusiva, lazer e esportes adaptados para pessoas com deficiências", é constituída de três capítulos que tratam dos esportes como proposta de apoio à educação inclusiva. No capítulo 36, os pesquisadores Mey de Abreu van Munster e José Júlio Gavião de Almeida discorrem sobre a concepção de esporte adaptado no contexto da extensão universitária. Nesse âmbito, descrevem o trabalho desenvolvido no Departamento de Educação Física e Motricidade Humana, com apoio da Pró-reitoria de Extensão da UFSCar no Projeto "Atividades Físicas, Esportivas e de Lazer Adaptadas a pessoas com deficiências" – PROAFA. No capítulo 40 os pesquisadores Paulo Ferreira de Araújo, Rita de Fátima da Silva e Décio Roberto Calegari abordam sobre as possibilidades de reflexão sobre o desporto adaptado praticado pelas pessoas em condições de deficiência. Amauri Ribeiro, Maria da Piedade Resende da Costa e Edison Martins Miron trazem no capítulo 41 um estudo sobre o voleibol sentado como proposta de apoio à educação inclusiva. Finalmente no capítulo 42, Carlos Jorge W. Rodrigues traz um relato de vida sobre as práticas do mergulho.
Espera-se com essa coletânea de pesquisas e relatos, o leitor possa refletir sobre a temática da Educação Especial, assim como, que os textos suscitem diretrizes para futuros trabalhos na área, a partir da exposição de diferentes concepções teóricas. 



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SUMÁRIO

  • INTRODUÇÃO
  • I. PERSPECTIVAS INTERNACIONAIS DAS POLÍTICAS DE INCLUSÃO ESCOLAR
  • 1. A INCLUSÃO ESCOLAR NA INGLATERRA Adriana Lia Friszman de Laplane
  • 2. ASPECTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA ESPANHA Mônica de Carvalho Magalhães Kassar
  • 3. A ESCOLARIZAÇÃO DE CRIANÇAS E JOVENS COM DEFICIÊNCIAS NA FRANÇA E A PERSPECTIVA DA INCLUSÃO ESCOLAR Enicéia Gonsalves Mendes
  • II. PERSPECTIVAS NACIONAIS DAS POLÍTICAS DE INCLUSÃO ESCOLAR
  • 4. POLÍTICAS DE INCLUSÃO ESCOLAR NO BRASIL: SOBRE NOVOS/VELHOS SIGNIFICADOS PARA EDUCAÇÃO ESPECIAL Rosângela Gavioli Prieto
  • 5. INCLUSÃO ESCOLAR E EDUCAÇÃO ESPECIAL: DAS DIRETRIZES À REALIDADE DAS ESCOLAS Marcos José da Silveira Mazzotta
  • 6. ESCOLARIZAÇÃO: PRÁTICAS SOCIAIS, CULTURAIS E PEDAGÓGICAS - FRAGMENTOS DE UMA REALIDADE SELETIVA Antônio Carlos do Nascimento Osório
  • 7. PANORAMA NACIONAL SOBRE AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS Vanderlei Balbino da Costa
  • 8. MARCAS DA EXCLUSÃO E DA INCLUSÃO SOCIAL E EDUCACIONAL: UMA REFLEXÃO A PARTIR DO MUNICÍPIO DE CAMPINAS/SP Adriana Cunha Padilha e Katia Regina Moreno Caiado
  • III. FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA PERSPECTIVA DA INCLUSÃO ESCOLAR
  • 9. PROFESSORES DE EDUCAÇÃO ESPECIAL E A PERSPECTIVA DA INCLUSÃO ESCOLAR: UMA NOVA PROPOSTA DE FORMAÇÃO Enicéia Gonçalves Mendes, Maria Amélia Almeida, Fátima Elisabeth Denari e Maria da Piedade Resende da Costa
  • 10. INCLUSÃO ESCOLAR E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: O EMBATE ENTRE O GERAL E O ESPECÍFICO Anna Augusta S. Oliveira
  • 11. É TEMPO DE ESPAÇOS HUMANOS DE INCLUSÃO. COMO FORMAR O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO PARA ESSES AMBIENTES? Edileine Vieira Machado
  • IV. QUESTÕES EMERGENTES NA AVALIAÇÃO DAS PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCAIONAIS ESPECIAIS
  • 12. DA DEFICIÊNCIA À FUNCIONALIDADE: NOVOS PARADIGMAS DE AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA MENTAL/INTELECTUAL Edicléa Mascarenhas Fernandes
  • 13. A AVALIAÇÃO DAS NECESSIDADES ESPECÍFICAS E EDUCACIONAIS ESPECIAIS DA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA VISUAL E MÚLTIPLA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Marilda Moraes Garcia Bruno
  • V. INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS SEM FALA ARTICULADA E OS SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA
  • 14. AVALIAÇÃO DA LINGUAGEM RECEPTIVA DE ADOLESCENTES USUÁRIAS DE SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Cátia Crivelenti De Figueiredo Walter, Leila Regina D’oliveira De P. Nunes e Sonia M. Moreira Delgado
  • 15. COMO ALUNOS SEM FALA ARTICULADA SE COMUNICAM EM SALA DE AULA: ESTUDO DESCRITIVO DAS MODALIDADES E FUNÇÕES COMUNICATIVASLeila Regina D’oliveira De Paula Nunes, Danielle Abranches Brito, Silvia Regina Simeão Sant’anna, Cláudia Miharu Togashi, Catia Figueiredo Walter e Carolina Rizzotto Schirmer
  • VI. INCLUSÃO DIGITAL-ESCOLAR: APLICAÇÕES DA ALTA TECNOLOGIA ASSISTIVA NA ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS
  • 16. O USO DOS RECURSOS DE ALTA TECNOLOGIA ASSISTIVA NO PROJETO ALTA TA & INCLUSÃO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS Enicéia Gonçalves Mendes e Gerusa Ferreira Lourenço
  • 17. MESTRELIBRAS NO ENSINO DE SINAIS: TAREFAS INFORMATIZADAS DE ESCOLHA DE ACORDO COM O MODELO DE EQUIVALÊNCIA DE ESTÍMULOS Nassim Chamel Elias e Antonio Celso De Noronha Goyos
  • VII. INCLUSÃO ESCOLAR E SURDOCEGUEIRA
  • 18. INCLUSÃO DA PESSOA COM SURDOCEGUEIRA: AÇÕES DA ABRASC - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SURDOCEGOS Claudia Sofia Indalecio Pereira
  • 19. SURDOCEGUEIRA E A PECULIARIDADE DO PROFESSOR NA FUNÇÃO DE GUIA-INTÉRPRETE Fatima Ali Abdalah Abdel Cader Nascimento e Maria Da Piedade Resende Da Costa
  • VIII. INCLUSÃO ESCOLAR E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
  • 20. ISOLAMENTO OU TRABALHO EM REDES? COMO BENEFICIAR A INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA Susana Maria Mana De Aráoz e Maria Da Piedade Resende Da Costa
  • 21. PROGRAMAS DE INTERVENÇÃO NA DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA SENSORIAL Shirley Rodrigues Maia
  • 22. DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA: UMA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA ALTERNATIVA Sandra R. S. H. Mesquita
  • IX. INCLUSÃO ESCOLAR E SURDEZ
  • 23. O PROCESSO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA DOS SURDOS E A PERSPECTIVA MULTICULTURAL CRÍTICA Tárcia Regina Da Silveira Dias
  • 24. SINAIS E OLHARES: PRODUÇÕES CULTURAIS EM COMUNIDADES DE SURDOS Lodenir Becker Karnopp
  • 25. A EDUCAÇÃO DO ALUNO SURDO: ALGUNS ESTUDOS REALIZADOS Tárcia Regina Da Silveira Dias
  • 26. POLÍTICAS LINGUÍSTICAS: AS REPRESENTAÇÕES DAS LÍNGUAS PARA OS SURDOS E A EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL Ronice Müller De Quadros
  • 27. A CONSTITUIÇÃO DE SENTIDOS NA LEITURA E NA ESCRITA POR ALUNOS SURDOS Maria Cristina Da Cunha Pereira
  • X. INCLUSÃO ESCOLAR E SUPERDOTAÇÃO, ALTAS HABILIDADES E TALENTOS
  • 28. DESENVOLVER DOTAÇÃO E TALENTO PELA EDUCAÇÃO Zenita C. Guenther
  • 29. A INCLUSÃO DOS ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO NA PERSPECTIVA DA CONJUNTURA CONTEMPORÂNEA DE GESTÃO Soraia Napoleão Freitas e Tatiane Negrini
  • XI. INCLUSÃO ESCOLAR, AUTISMO E BAIXA VISÃO
  • 30. CONCEITOS EM CRIANÇAS CEGAS E COM BAIXA VISÃO: O TATO SUBSTITUI A VISÃO? Cecilia Guarnieri Batista e Fernanda Caroline Pinto Da Silva
  • 31. CONTEXTO DE INTERVENÇÃO PARA CRIANÇAS COM AUTISMO: ROTINAS INTERATIVAS Débora Regina De Paula Nunes
  • XII. INCLUSÃO ESCOLAR E EDUCAÇÃO FÍSICA
  • 32. TUTORIA
  • Maria Da Piedade Resende Da Costa e Joslei Viana De Souza
  • 33. A TUTORIA EM EDUCAÇÃO FÍSICA EM ESCOLA ESPECIAL COM PERSPECTIVA INCLUSIVA José Luis Rodrigues
  • 34. O COLEGA TUTOR NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA Marli Nabeiro
  • XIII. SOCIEDADE INCLUSIVA E A FAMÍLIA DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS
  • 35. PROGRAMA DE ATENDIMENTO DOMICILIAR & FAMILIAS APOIADAS (PROGRAMA AD & FA) Marcia Maurilio Souza
  • 36. BRINCAR NA FAMÍLIA: ORIENTAÇÃO A PAIS OU CUIDADORES SOBRE ATIVIDADES ESTIMULADORAS Silvana Maria Moura Da Silva e Maria Da Piedade Resende Da Costa
  • XIV. SOCIEDADE INCLUSIVA, TRABALHO E SEXUALIDADE DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS
  • 37. SOCIEDADE INCLUSIVA E R SEXUALIDADE: REFLEXÕES SOBRE A DEFICIÊNCIA E A DIVERSIDADE SEXUAL Ana Cláudia Bortolozzi Maia
  • 38. CONCEPÇÕES DE GESTORES SOBRE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: TRABALHADORES DE UMA REDE DE SUPERMERCADOS Roberta Bezerra Brite, Francisco De Paula Nunes Sobrinho e Danielle Castelões
  • XV. SOCIEDADE INCLUSIVA, LAZER E ESPORTES ADAPTADOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS
  • 39. O ESPORTE ADAPTADO NO CONTEXTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA Mey De Abreu Van Munster e José Júlio Gavião De Almeida
  • 40. O DESPORTO ADAPTADO: ORGANIZAÇÃO E CONFIGURAÇÕES Paulo Ferreira De Araújo, Rita De Fátima Da Silva e Décio Roberto Calegari
  • 41. O ESPORTE COMO PROPOSTA DE APOIO À EDUCAÇÃO INCLUSIVA: O CASO DO VOLEIBOL SENTADO Amauri Ribeiro, Maria Da Piedade Resende Da Costa e Edison Martins Miron
  • 42. PRÁTICA DO MERGULHO NA MINHA VIDA Carlos Jorge W. Rodrigues 

 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Enicéia Gonçalves Mendes & Maria Amelia Almeida - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-86-3
Área (s) / Assunto (s) Educação Especial Inclusiva; Política Educacional para Inclusão; Práticas Educacionais Inclusivas; Formação de Professores; Psicologia da Educação; Didática.
Edição / Ano 1ª / 2010
Nº de Páginas 496
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 18cm x 26cm

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