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DOCENTES UNIVERSITÁRIOS APOSENTADOS: ativos ou inativos?

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Ilma Passos Alencastro Veiga - coord.


Este livro resultou de uma pesquisa envolvendo doze docentes universitários aposentados da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. A pesquisa de cunho qualitativo buscou compreender e interpretar a identidade de um grupo de professores; analisar o processo de construção dos saberes profissionais; examinar como foram suas trajetórias profissionais; analisar as contribuições desses profissionais para a construção de uma proposta de formação continuada voltada para os docentes universitários.
Esta é uma obra de interesse de toda a comunidade universitária. A principal lição aprendida com a realização desta pesquisa refere-se à evidência que a maturidade deixará de ser a marca de incapacidade e isolamento, para ser um momento de vida com direito a alegrias e realizações.


 






 


Prefácio

Este livro, que relata uma pesquisa sobre a identidade, os saberes e a prática docente de um grupo de professores universitários aposentados da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, teve sua origem numa pesquisa mais ampla que ali se realiza sobre desenvolvimento profissional e docência universitária.
Não só os doze sujeitos da pesquisa pertencem aos quadros daquela IES, agora na condição de aposentados, mas também os investigadores fazem parte do corpo docente da Instituição. Sob a coordenação da Professora Doutora Ilma Passos Alencastro Veiga, o trabalho teve a participação dos Professores Doutores José Vieira de Sousa, Lívia Freitas Fonseca Borges, Lúcia Maria Gonçalves de Resende, a Doutoranda Ana Maria Albuquerque Moreira e a Mestra Maria Eveline Pinheiro.
Agradeço-lhes minha inclusão neste trabalho, ainda que nesta forma secundária e indireta de prefaciá-lo, o que faço com um prazer enorme, por duas razões pelo menos. A primeira, de sem ter sido sujeito da pesquisa sentir grande afinidade com os colegas que dela participaram, pois, como eles, sou aposentada da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. A segunda razão se prende ao fato de que também eu tenho adiado o meu desinvestimento, continuando a exercer a docência e a pesquisa no Mestrado em Educação da Universidade Católica de Brasília. Assim, quando lia suas histórias de vida pessoal e profissional tinha a impressão de estar de frente a um espelho, pois me via lá, em circunstâncias muito assemelhadas, numa perfeita identificação com seus traços, seus pensamentos, suas reflexões, sua visão da profissão, suas crises existenciais e o balanço de uma existência dedicada a uma carreira que escolhi e tenho dificuldade de dar por encerrada.
O livro relata uma pesquisa de cunho qualitativo, que buscou compreender e interpretar a identidade de um grupo de professores aposentados da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, a forma como construíram seus saberes docentes, a natureza de suas trajetórias profissionais, para, finalmente, especular sobre o papel de uma formação continuada de docentes universitários, a partir da concepção de propostas por eles apresentadas.
A relevância do presente estudo é comprovada no âmbito internacional e no Brasil pelo crescimento da pesquisa na área de formação dos professores e pelo volume de livros e artigos sobre o tema registrados na literatura de ciências da educação. Os achados da pesquisa aqui relatada contribuem para a ampliação desse precioso acervo.
A busca e a análise dos dados estão alicerçadas teoricamente em Maurice Tardif, no seu enfoque dos saberes docentes e da formação profissional, e em M. Huberman, no tratamento que este autor dá ao o ciclo da vida profissional dos professores. Outros bons autores reforçam a sustentação teórica do trabalho. A partir dessas contribuições, os pesquisadores mapearam os dados em três eixos de análise: as características dos docentes pesquisados; as questões da docência: edificação dos saberes profissionais, as dimensões do processo didático e uma proposta de desenvolvimento profissional; as trajetórias profissionais dos docentes aposentados.
O primeiro capítulo procura responder à questão: Quem são os docentes universitários aposentados? Os procedimentos de pesquisa utilizados foram: o questionário e a entrevista semi-estruturada.
Nas análises e reflexões dos pesquisadores, o traço marcante do perfil dos professores pesquisados é que eles, após a aposentadoria, continuam produzindo intelectualmente, para satisfazer à necessidade de continuar atuando, praticamente todos no setor privado, não obstante a precariedade dos ambientes de atuação, embora com algumas exceções. A esta tendência se soma a manifesta percepção do caráter de incompletude do ser humano: os professores aposentados, sujeitos da pesquisa, alimentam perspectivas de continuidade e investimento pessoal e profissional. 
Apesar de não ser objetivo da pesquisa, dessa constatação emerge uma questão crucial: por que uma instituição pública, tendo investido em seus profissionais, não tem uma política de valorização de seus mestres e doutores aposentados para garantir-lhes espaços acadêmicos reconhecidos e valorizados? Outra constatação significativa vem da abordagem da tríade pesquisa – ensino – ação coletiva, que leva a uma segunda especulação, agora sobre a fragilidade dos processos de socialização de saberes entre pares, que parece só se realizar na atividade de pesquisa: as ações docentes são desarticuladas, gerando certo isolamento acadêmico e um perfil universitário indefinido. 
Entretanto, o relatório conclui que o grupo de docentes aposentados revela um estilo universitário de postura e atuação profissional constituído pelos saberes da docência na concepção de Tardif.
No segundo capítulo, que focaliza as concepções de saberes docentes e docência universitária, a pesquisa registra os resultados do diálogo teórico entre pesquisadores e pesquisados por meio de entrevistas semi-estruturadas, construídas a partir de três eixos orientadores: os saberes fundamentais da docência universitária; as dimensões do processo didático e contribuições para um programa de desenvolvimento profissional para a docência universitária. 
Com base em suas experiências vivenciadas, os professores pesquisados percebem a pluralidade e a temporalidade de seus saberes relativos às ciências da educação e das idéias pedagógicas, os saberes curriculares relativos à seleção dos conhecimentos acadêmicos ligados ao ensino e os saberes das experiências provenientes da prática profissional, construídos individualmente ou na socialização do seu trabalho.
Sempre afinados com as concepções de Tardif, identificam os seus saberes como pluralismo pedagógico vitalizado pelas ferramentas da tecnologia e definido no contexto tridimensional: social, histórico e psicológico.
Para os professores entrevistados, o processo didático – ensinar, aprender, pesquisar e avaliar tem de ser compreendido como um todo orgânico cujas dimensões são interdependentes, que se intercomplementam, integradas em torno da intencionalidade do ensino que é a formação humana, como processo que enseja o diálogo, a socialização da experiência, tornando os saberes acessíveis. Já o aprender supõe explicar a realidade, construir sentido e aprender a vivência e a complexidade da vida. Pesquisar é estratégia, como também metodologia para aprender, é produção do conhecimento e é a atividade que diferencia o professor universitário. Avaliar é, para os interlocutores da pesquisa, dimensão importante do processo didático, fundamental para o processo ensino-aprendizagem e o fazer docente.
Como contribuição para uma proposta de desenvolvimento profissional para a docência universitária, os professores pesquisados preconizam, como se discute hoje, em nível internacional, a necessidade de uma formação continuada, que os entrevistados defendem seja estruturada em dois eixos: os fundamentos da educação e a organização do trabalho pedagógico.
Com base nos depoimentos colhidos nas entrevistas, o grupo de pesquisadores considera razoável conjeturar que um programa de desenvolvimento profissional para o professor universitário deve focalizar seus eixos teóricos e práticas na ação coletiva, na busca de romper o isolamento e o individualismo no meio acadêmico.
O terceiro capítulo mostra a visão dos docentes a respeito de sua trajetória profissional e dos saberes acumulados nesse período, revelados na análise das entrevistas e dos questionários respondidos pelos doze docentes pesquisados. O curso da vida profissional, que, na academia, é, muito significativamente, chamado de curriculum vitae, é dividido, segundo Huberman, em diferentes fases, com características que os depoentes confirmaram: entrada na carreira; estabilização e consolidação de um repertório pedagógico; experimentação e diversificação; serenidade; desinvestimento. De um cenário de incertezas e possibilidades, de tateamento e do choque real, o docente vai em busca da estabilização, para chegar à capacidade de experimentar e diversificar a docência, já dono de autonomia e criticidade, mais seguro e confiante nas suas escolhas, que levam a uma fase de serenidade. A fase final, de desinvestimento, de encerramento da carreira, não faz parte ainda do percurso dos professores aposentados sujeitos desta pesquisa, pois permanecem exercendo suas atividades profissionais em um outro locus, seja na atuação docente de ensino, pesquisa e extensão, em instituições privadas de ensino superior, seja em gestão de sistema público, assessoria e consultoria.
Esta é uma obra de interesse de toda a comunidade universitária. Os dados colhidos dão margem a reflexões sobre a carreira docente no ensino superior, autorizando questionamentos quanto à formação inicial do docente, sua inserção no exercício profissional, a construção dos saberes docentes, as mudanças por que passaram o conceito e a prática da docência universitária, o professor e sua prática como objeto de pesquisa. Esta é hoje em dia muito mais orientada por uma visão crítica da profissão e do papel social do professor, distanciando-se do enfoque processo-produto que presidiu os estudos em décadas passadas, antes do movimento de profissionalização do ensino que, na América do Norte, Europa e América Latina é responsável por reformas educacionais e avanços na legislação. No Brasil, a produção científica sobre o tema ainda não é vasta, mas já consta da agenda dos pesquisadores e apresenta excelente nível de complexidade e sofisticação acadêmica.
Felizmente, já vai longe a concepção de magistério como sacerdócio. O professor é um profissional, seu trabalho está alicerçado em complexas teorias filosóficas, psicológicas, antropológicas, sociológicas, biológicas, para citar apenas algumas das faces do caleidoscópio composto pelos saberes e competências de caráter polissêmico que fazem o perfil do docente. Dele se exige profundidade e constante atualização dos conteúdos de sua área de atuação. Dele se espera eficiência e eficácia no desempenho de uma de suas tarefas profissionais: a gestão de sua sala de aula, que é alimentada e enriquecida pelas atividades de pesquisa e de extensão e pelas tecnologias de ensino. Os professores pesquisados neste trabalho têm essa compreensão.
Os docentes pesquisados confirmaram em seus depoimentos e respostas a importância dos saberes da experiência, ratificando o atual reconhecimento de que o professor se desenvolve, pelo seu trabalho, ao longo da carreira. Essa crença é que dá suporte à concepção e à prática da educação continuada. Ainda, na opinião dos pesquisadores, no grupo pesquisado, a maturidade não se identifica com incapacidade, isolamento, anacronismo nos hábitos e nos gestos. Trata-se de pessoas ativas, contemporâneas no pensar e no agir, participativas da vida acadêmica, cultural e social, que representam uma categoria com muito potencial de contribuição, para as quais se deveria projetar políticas de incentivo e valorização. É o que os pesquisadores concluem como a principal lição aprendida na pesquisa. 
Este trabalho deve despertar o interesse de estudantes, professores, gestores e elaboradores de políticas educacionais, por desvelar um ente pouco conhecido como o professor universitário aposentado, que, quase sempre esquecido, pode estar surpreendentemente vivo e pensante. É um luxo desperdiçá-lo.

Brasília, fevereiro de 2007
Profª. Dra. Clélia de Freitas Capanema

DocentesAposentados

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Detalhes

SUMÁRIO

  • PREFÁCIO Clélia de Freitas Capanema
  • INTRODUÇÃO
  • CAPÍTULO I Quem são os docentes universitários aposentados?
  • 1.1 Características pessoais dos docentes
  • 1.2 Os docentes quanto à formação acadêmica
  • 1.3 Práticas culturais e de lazer dos docentes
  • 1.4 Algumas sinalizações
  • CAPITULO II Docência: múltiplos saberes, processo didático e desenvolvimento profissional
  • 2.1 Os saberes fundamentais da docência universitária
  • 2.2 Docentes aposentados e as dimensões do processo didático
  • 2.3 Proposta de desenvolvimento profissional para o docente universitário
  • CAPITULO III Docentes aposentados: protagonistas de uma trajetória contextualizada
  • 3.1 Início da carreira: um cenário de incertezas e possibilidades
  • 3.2 A busca incessante da estabilização
  • 3.3 Revelando a capacidade de experimentar e diversificar a docência
  • 3.4 Serenidade e distanciamento afetivo: um estado de espírito
  • 3.5 Dialogando com os docentes universitários sobre o desinvestimento
  • ENTRELAÇANDO FIOS: CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • POSFÁCIO Altair Macedo Lahud Loureiro
  • REFERÊNCIAS

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Ilma Passos Alencastro Veiga - coord.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-48-1
Área (s) / Assunto (s) Docência no Ensino Superior / Pesquisa no Ensino Superior / Formação de Professores Universitários
Edição / Ano 1ª / 2007
Nº de Páginas 92
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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