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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: teoria e práticas escolares

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Rosimeire Maria Orlando Zeppone


Este livro relata um estudo realizado com alunos demonstrando o impacto positivo que podem ter as ações educativas focalizando o ambiente.
O interesse da autora, concretizado e apresentado neste livro, foi o de levar os alunos a aprenderem algumas noções básicas no campo da Educação Ambiental, desenvolver observações, analisar a realidade e realizar debates sobre essa temática.
Trata-se de importante contribuição abordando ações desenvolvidas a partir da articulação de diversos componentes curriculares. A autora aponta, ainda, as possibilidades e os limites de ampliação desse tipo de trabalho na realidade escolar.


 






 


Apresentação: 

Vamos salvar a ecologia? Salve o verde! Respeite a Natureza.
Frases como estas, ouvimos todos os dias, principalmente nos meios de comunicação de massa. São expressões, no entanto, que na maioria das vezes, vêm nos indicar o modismo com que são tratadas as questões relacionadas ao meio ambiente.
Ecologia tornou-se moda. Mas será que Ecologia ou meio ambiente dizem respeito somente à natureza?
Nós, como professores, devemos explicar apenas como funcionam os ciclos naturais e incentivar nossos alunos a respeitarem a natureza, ou ensinar a fotossíntese e comemorar o Dia da Árvore?
Atualmente, com certeza, descobrimos que isto não nos basta. Sim, precisamos ir além no trabalho de educação escolar.
A preocupação com a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida tornou-se algo cotidiano e a Educação Ambiental se apresenta como um campo de estudos preocupados com a formação de pessoas conscientes do planeta em que vivem.
Quando trabalhos a Educação Ambiental, não significa que devemos apenas falar sobre meio ambiente, mas sim, abordar as complexas relações de interdependência entre os diversos elementos da natureza – da qual fazemos parte e somos capazes de conhecer e transformar – assim como, também, é preciso entender que nós não nos relacionamos com a natureza apenas como indivíduos, mas principalmente por meio do trabalho e de outras práticas sociais e que, portanto, as relações de todos nós com ela têm dimensões econômicas, políticas e éticas.
Desta forma, atualmente, quando nos dispomos a discutir temas do meio ambiente, significa que precisamos tratar de questões complexas como, por exemplo, indústria, miséria, desenvolvimento e saneamento básico.
Sabemos que, ao longo da caminhada do ser humano, em sua história, filósofos, cientistas, artistas, religiosos e o próprio povo, têm expressado sua admiração pela natureza que os rodeiam e uma crescente preocupação em protegê-la. Além disso, podemos observar atualmente que o agrupamento de uma série de questões relacionadas com as diversas formas de degradação do meio ambiente vêm despertando e motivando boas parcelas da população a um estado de alerta, no que diz respeito à problemática ambiental.
Falar em preservação, conservação do meio ambiente e melhoria da qualidade de vida tornou-se algo corriqueiro. É uma preocupação que está na ordem do dia segundo a sua importância.
Isso significa que, de uma forma ou de outra, as pessoas têm ouvido falar sobre questões de degradação e conservação ambiental. Algumas criticam tais questões, outras nelas acreditam, e outras ainda, nem se dignam a ouvir.
Mas, ao nosso redor, há provas de que a degradação da natureza, deterioração do meio ambiente e, consequentemente, a queda da qualidade de vida da população não podem mais ser tratadas com indiferença, tanto pela sociedade como pelos governantes e pela própria escola.
Nas últimas décadas, por exemplo, devido ao processo agro-industrial acelerado e descontrolado, centenas de rios foram contaminados pelo lixo e esgoto neles despejados e pelo despreparo da população e das instituições como um todo, rios estes que são fontes de abastecimento para várias cidades do país.
Dentre muitos, cabe citar, por exemplo, o fenômeno registrado há algum tempo na Represa do Balneário Laranja Doce, Alta Sorocabana, Estado de São Paulo, onde começaram a aparecer peixes mortos com olhos arrancados, e os banhistas que mergulhavam, saíam com os olhos irritados, doendo muito. Descobriu-se, então, que havia sido usado, descontroladamente, um veneno especial para combater caramujos e tudo se alterou na água.
Além desse fato, podemos flagrar dezenas de outros, que aparecem diariamente diante de nossos olhos, como a matança ilegal de animais, os desmatamentos, as queimadas, e outros fatos que acabam atingindo nossa própria qualidade de vida.
Tais atividades predatórias, presentes em nossa história desde o "descobrimento" do Brasil, não vêm atingindo apenas a natureza, elas chegam a refletir, principalmente, nos centros urbanos. Neles, a falta de saneamento básico, a ocupação irregular do solo, além da poluição afetam diretamente a qualidade de vida de homem, mulheres e crianças, causando, por exemplo, diversos tipos de doenças e surtos epidêmicos.
No Brasil, segundo Dias (1992:33-34), desde o seu "descobrimento", em 22 de abril de 1500, pode se afirmar que se iniciou um largo processo de deterioração e exploração da natureza. No referido ano, em 1º de maio, para realizar a 2ª missa, foi feita uma cruz gigante de madeira e aberta uma clareira na floresta, marcando assim o início de devastação da natureza e aculturação indígena.
Claro está que a grande maioria de nossos problemas ambientais apresenta sua raízes ligadas a fatores sócio-econômicos, políticos e culturais, e tais problemas não podem, e nem devem ser previstos, e até resolvidos, apenas por meios tecnológicos. Ao abordarmos tais problemas, também sob o aspecto apenas ecológico – que é uma confusão que ainda permeia muitos estudos brasileiros – verificamos um profundo desconhecimento e uma visão simplista da realidade que nos cerca e que precisamos, com urgência, modificar.
Assim, diante de tais colocações, frisamos a emergência e a importância da Educação Ambiental nos dias de hoje, pois ela não se limita a ensinar apenas os mecanismos de equilíbrio da natureza. Ensinar Educação Ambiental é ir além.
Como nos ressalta Vianna (1992:9), "além do amor à natureza e do conhecimento de seus mecanismos, é preciso aprender a fazer valer nossos ideais com relação aos destinos da sociedade em que vivemos e do planeta em que habitamos."
Em nossa sociedade, parte desses ideais estão relacionados à escola, a quem atribuímos a função de desenvolver certos conhecimentos considerados básicos, como, leitura, matemática, conceitos de ciências, entre outros. Tais conhecimentos são considerados fundamentais sobretudo para que as pessoas possam exercer a sua cidadania, ou seja, participar das decisões sobre os destinos de seu país, exigir seus direitos e cumprir seus deveres.
Nesse conjunto, as questões do meio ambiente, vistas do prisma meio ambiente, posso destacar a escola como um espaço importante e favorável para o desenvolvimento da Educação Ambiental.
Desta forma, o presente livro é uma síntese da dissertação de mestrado realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos. Este apresenta duas partes, nas quais são feitas a descrição e a analise.
Na 1ª parte, são apresentados os princípios teóricos e os aspectos pedagógicos relacionados à Educação Ambiental.
Na 2ª parte, são apresentadas a turma com que realizei o trabalho e as sugestões de atividades realizadas na Educação Ambiental.
Desta forma, este livro procura reunir informações básicas sobre Educação Ambiental com sugestões de atividades práticas em âmbito escolar, buscando fornecer subsídios para os professores que se interessem em trabalhar com tal temática.
O presente trabalho, portanto, teve como objetivo geral:
Elaborar, desenvolver e avaliar um Programa Interdisciplinar de Educação Ambiental com alunos das séries iniciais em uma escola pública de ensino fundamental, verificando as contribuições de tal programa para formação de atitudes conscientes por parte dos alunos, frente ao meio ambiente.
Finalizando, convicta da amplitude e da gravidade dos problemas ambientais, como de outros problemas da humanidade – a eles diretamente vinculados ou não – como a miséria, a corrupção, as injustiças sociais, etc, busquei, no presente projeto, jogar sementes que um dia aparecerão sob a forma de mentes conscientes do seu papel na sociedade em relação ao meio ambiente e à própria vida, transformando-os.
Diante da concretização deste, agradeço a Deus pela natureza, aos meus pais pela oportunidade de viver e estudar, à Profª. Drª. Alda Junqueira Marin pelo apoio, aos alunos e ao diretor José Angelo Marquezi da E.E.P.G. "Padre Gregório Humberto Beule", à Eliane e ao Marcelo pela digitação e à Lene pela prestimosa colaboração.



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Detalhes

SUMÁRIO

  • Apresentação
  • PARTE I
  • Fundamentos Teóricos
  • 1 - Porque focalizar a Educação Ambiental
  • 2 - Aspectos pedagógicos da Educação Ambiental
  • PARTE II
  • Articulação da teoria e da prática da educação Ambiental
  • 3 - Investigando a prática da Educação Ambiental
  • 4 - Observando e descobrindo o mundo que nos cerca: trabalhando a observação
  • 5 - O problema do lixo e suas soluções: opção dos alunos
  • 6 - Divulgando e expandindo ações e saberes
  • 7 - Dificuldades, desdobramentos, perspectivas
  • Referências Bibliográficas

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Rosimeire Maria Orlando Zeppone
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 85-86305-03-0
Área (s) / Assunto (s) Educação ambiental, Interdisciplinariedade, Formação de professores, Pesquisa em escola fundamental, Didática, Currículo.
Edição / Ano 1ª / 1999
Nº de Páginas 156
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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