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ESPAÇO E EDUCAÇÃO: travessias e atravessamentos

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Descrição Rápida

Jader Janer Moreira Lopes & Sônia Maria Clareto - orgs.


"Como comunidades escolares lidam com a questão do espaço, tanto do ponto de vista das noções de espaços desenvolvidas em diferentes áreas do saber, quanto do ponto de vista das relações sócio-espaciais que na/e através da escola se estabelecem?"

Essa inquietação tornou-se o fio de Ariadne que guiou os Autores e Organizadores a escreverem o presente livro. Com uma sistemática que se consolidava, baseada na leitura e debate de textos previamente estabelecidos de convidados de diversas áreas do conhecimento, refletiram sobre diferentes temas envolvendo espaço, escola e educação. As atividades de estudo foram confrontadas com as atividades de investigação do espaço escolar em uma escola do sistema municipal de educação da cidade de Juiz de Fora, tanto do ponto de vista da organização de seus espaços, quanto da abordagem ao tema espaço nos saberes curriculares.
O presente livro é fruto desses encontros – travessias e atravessamentos – e tem por propósito apresentar os diferentes trabalhos desenvolvidos ao longo de um período de dois anos e possibilitar, assim, aos leitores, uma visão das práticas e reflexões.

A edição recebeu apoio da Universidade Federal de Juiz de Fora - Pró-Reitoria de Pesquisa (PROPESQ) - Programa de Apoio a Grupos.


 


 






 


Apresentação: 

"Mas nossas lembranças permanecem coletivas, e elas nos são lembradas pelos outros, mesmo que se trate de acontecimentos nos quais só nós estivemos envolvidos, e com objetos que só nós vimos. É porque, em realidade nunca estamos sós. (...) Em todos os momentos, em todas essas circunstâncias, não posso dizer que estava só, que refletia sozinho, já que em pensamento eu me deslocava de um tal grupo para outro (...)"
Mauricie Halbwachs

Maximiano (2004), citando Jellycoe y Jellicoe (1995), afirma que as pinturas rupestres existentes nas cavernas da França e da Espanha são os primeiros registros conscientes do ser humano na representação da paisagem. Com uma idade aproximada de 30 mil e 10 mil anos a.C., nunca saberemos ao certo o que homens, mulheres e crianças dessa época buscaram marcar, mas o fato é que seus desenhos transpassaram os tempos e tornam-se testemunhos históricos em torno dos quais só nos resta levantar reflexões e inferências. 
Para nós desse grupo de estudos e pesquisas, tais representações nos envolvem em duas dimensões, uma primeira que se encontra com as palavras de Maurice Halbwachs (1990), presentes na epígrafe que abre esse texto, ao nos mostrar que a memória nos remete sempre a um outro. Para o autor, todos nós carregamos lembranças, que na verdade parecem individuais, mas que são construídas no contato com os diferentes grupos sociais presentes em nossa historia de vida, o que faz com que nossas rememorações estejam sempre nas fronteiras de diferentes pessoas, espaço no qual se constrói a singularidade de cada um.
A segunda dimensão que as pinturas sobre as paisagens nos remetem, refere-se aos próprios propósitos desse grupo, algo que pode ser percebido em sua nomeação: "Noção de Espaço e Educação Escolar: múltiplos olhares". Formado por professores e graduandos de diferentes áreas e instituições, o grupo tem por propósitos estudar o tema "espaço" em suas diferentes dimensões vivenciadas e expressas na escola e na educação escolar. Para isso, elaboramos como questão central a seguinte pergunta:

"Como comunidades escolares lidam com a questão do espaço, tanto do ponto de vista das noções de espaços desenvolvidas em diferentes áreas do saber, quanto do ponto de vista das relações sócio-espaciais que na/e através da escola se estabelecem?"

Essa inquietação tornou-se o fio de Ariadne que tem nos guiado durante todos os encontros do grupo e tem nos permitido sistematizar um conjunto de idéias relativas às temáticas que o constitui. Ao mesmo tempo se configura como um horizonte a ser contemplado, explorado e estudado pelo grupo.
Com uma sistemática que se consolidava a cada semana, baseada na leitura e debate de textos previamente estabelecidos de convidados de diversas áreas do conhecimento que nos trouxeram seus olhares e construtos, fomos refletindo sobre diferentes temas envolvendo espaço, escola e educação. As atividades de estudo foram confrontadas com as atividades de investigação do espaço escolar em uma escola do sistema municipal de educação da cidade de Juiz de Fora, tanto do ponto de vista da organização de seus espaços, quanto da abordagem ao tema espaço nos saberes curriculares.
O presente livro é fruto desses encontros – travessias e atravessamentos – e tem por propósito apresentar os diferentes trabalhos desenvolvidos ao longo desse período de dois anos e possibilitar, assim, aos leitores, uma visão de nossas práticas e reflexões. Aprendemos, assim, com nossos antepassados, que a materialidade dos registros constrói rastros que permanecem no tempo e no espaço.
A dinâmica de produção dos textos foi, via de regra, uma construção coletiva: o autor encaminhava uma primeira versão do seu texto ao grupo que procedia ao estudo do mesmo, sem a presença do autor. No encontro seguinte, o autor empreendia uma discussão do texto junto ao grupo. Alguns pontos eram revistos, modificados ou acrescentados pelo autor. Um novo estudo do texto era feito pelo grupo. Tal dinâmica foi propiciadora de um crescimento intelectual tanto do grupo como dos próprios autores dos artigos. São estes artigos, de autorias partilhadas, que apresentamos no presente livro.
O primeiro artigo que se apresenta no livro, de autoria de Tiago Adão Lara, nasceu quando o autor propôs ao grupo o estudo do verbete ESPAÇO, do dicionário de Filosofia de Abbagnano. A discussão do verbete colocou-nos a pensar a trajetória da noção de espaço ao longo da filosofia ocidental. Foi se construindo, junto às discussões do grupo, o texto intitulo Espaço e educação, na perspectiva antropológica e epistemológica de SER e TEMPO. Para o autor, a reviravolta antropológica e epistemológica, proposta por Heidegger, em SER e TEMPO, incide na concepção e na práxis pedagógica. Espaço e tempo não são dimensões acidentais do ser humano. É na tecedura da espacialidade e da temporalidade do mundo que, concomitantemente, constituem-se os seres humanos concretos. Não tem, pois, como fugir à "ocupação" com o espaço e o tempo na educação.
Ainda nesta perspectiva, de se pensar a trajetória da noção de espaço na cultura ocidental, o grupo encontrou com outro autor, Adlai Ralph Detoni, para tecer suas compreensões acerca da noção de espaço, em seu artigo intitulado Do espaço geométrico à espacialidade como vivida, com foco na abordagem de Merleau-Ponty. O autor afirma que, neste texto, segue os rastros atrás na filosofia do espaço, para poder vislumbrar outras reflexões – na educação, por exemplo - além daquelas que nos permitem as clássicas concepções.
Apontado para uma discussão ainda de cunho filosófico, o texto de Sônia Maria Clareto, navega pelas vias do pensamento de Nietzsche. Assim, a partir do "tornar-se o que se é" nietzscheano, a autora busca discutir as possibilidades que se abrem para se pensar a educação no espaço escolar. A noção de educação é aquela que a toma como processo de produção de subjetividades, ou seja, o texto busca pensar as educabilidades que se fazem no/em/com o espaço escolar ou seja, que ali acontecem, entendendo o espaço do "tornar-se o que se é" e a noção de educação como um processo de produção de subjetividades. Para empreender tal discussão, o texto aborda três temas: uma certa noção de espaço e de espacialidade, a partir da "visão de mundo" de Nietzsche, ou seja, o mundo como Vontade de Potência; uma discussão acerca de subjetividade, que advém da desconstrução da noção de sujeito moderno do iluminismo e lança uma outra compreensão da construção do si, a partir da noção nietzscheana "tornar-se o que se é"; uma certa noção de educação e de educabilidade, a partir da antipedagogicidade que o pensamento de Nietzsche inspira ao pensar a educação não como "condução", como tendo uma finalidade pré-constituída, mas como "condição", como processo, como devir.
Navegando nas águas do pensamento Nietzscheano, o texto de Margareth Aparecida Sacramento Rotondo, apresenta uma proposta de escrita que rompe com a linearidade dos textos acadêmicos tradicionais, abrindo-se ao novo, ao diálogo, ao complexo de forças que constituem um texto. Em uma complexidade textual, a autora se propõe a olhar as individuações no seu jogo de forças acontecendo no cotidiano, constituindo o espaço e constituindo-se no espaço, especialmente no espaço escolar. Para tanto, traz textuações junto aos pensamentos de Nietzsche, Foucault, Deleuze e Guattari. De Nietzsche lança a concepção do ‘tornar-se o que se é’, buscando expor a ‘fazedura transformação’ dos sempre inacabados; de Foucault, a possível normalização e docilização dos corpos nesse espaço; e, de Deleuze e Guattari, a complexa luta entre os instrumentos do sedentário e do nômade.
O texto de Jader Janer Moreira Lopes busca compreender como a organização espacial escolar, fundamental dimensão enquanto processo de formação, interagiu com a consolidação dos ideais democráticos no Brasil. Para tanto faz um transcurso da história da educação do Brasil, entrelaçando espaço-tempo-sociedade, a partir dos discursos, vozes e materialidades edificadas na paisagem brasileira no tocante a educação institucionalizada.
Ainda pensando o espaço escolar, o artigo de Sylvana Fernandes Ferreira analisa a experiência de crianças egressas de uma escola pública de educação infantil, evidenciando as marcas psicológicas deixadas pelas vivências nesse espaço. A partir de seus relatos, são discutidas algumas concepções de criança, de espaço, de lugar e de educação infantil. Busca discutir também como a criança procura subverter o uso dos espaços que lhe são destinados na escola, que são previamente demarcados, (re)criando-os, rompendo, muitas vezes, com o planejado pelo adulto. Este relato pretende levar, portanto, a reflexões sobre as práticas desenvolvidas nos diversos espaços destinados à Educação Infantil e sobre a importância de se planejar esses contextos com a criança e não para a criança. 

Ao iniciarmos essa apresentação recorremos às palavras de Halbwachs para finalizá-la, gostaríamos de trazer as palavras de Riobaldo, personagem central da obra "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa: 

-Eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente.

Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas - de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. (Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa)

A travessia que Riobaldo faz ao narrar suas vivências envolve liames que marcaram esse grupo de estudos: um grupo constituído por pessoas diferentes, de diferentes áreas, que numa sucessão temporal criaram processos de identificação em torno da temática da espacialidade. 
Como no romance, onde a vida de Riobaldo vai além dele próprio, pois "o sertão é o mundo", fomos redefinindo nossas fronteiras e nos misturando no espaço do coletivo na tentativa de compreender a questão central que nos uniu e fomos cada vez mais concluindo que pensar sobre o espaço é pensar sobre a própria condição humana, sobre as inquietações que constituem o processo de humanização, algo já decifrado por Riobaldo ao nos alertar que "Existe é homem humano. Travessia". O humano... é atravessamentos.
Esperamos que os leitores ao final, possam experenciar algumas dimensões vivenciadas por nós no decorrer da construção dos textos que agora apresentamos, deixando-se atravessar por elas, entrando no fluxo dos atravessamentos. E, ao fazerem isso, possam abandonar a posição de expectadores das palavras impressas nas diversas páginas desse livro e se misturarem na poesia do espaço, das paisagens, dos territórios e dos lugares, vivenciando, assim, suas espacialidades e a condição de travessia.



Referências



  • ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Trad. Alfredo Bosi. 2ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1982.

  • GUIMARÃES ROSA, João. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988 [original 1956].

  • HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

  • Maximiano (2004). Considerações sobre o conceito de Paisagem. R.RA´E GA, Curitiba, n.8, p.83-91, 2004. Editora UFPR.



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SUMÁRIO

  • APRESENTAÇÃO Jader Janer Moreira Lopes e Sônia Maria Clareto
  • ESPAÇO E EDUCAÇÃO, NA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA E EPISTEMOLÓGICA DE SER E TEMPO Tiago Adão Lara
  • DO ESPAÇO GEOMÉTRICO À ESPACIALIDADE COMO VIVIDA Adlai Ralph Detoni
  • ESPAÇO ESCOLAR E O TORNAR-SE O QUE SE É: EDUCABILIDADES E A CONSTITUIÇÃO DE OUTROS MODOS DE EXISTIR A PARTIR DO PENSAMENTO DE NIETZSCHE Sônia Maria Clareto
  • ATRAVESSAMENTOS: PEGADAS DO "MEU" EDUCADOR MATEMÁTICO Margareth Aparecida Sacramento Rotondo
  • REMINISCÊNCUAS NA PAISAGEM: VOZES, DISCURSOS E MATERIALIDADES NA CONFIGURAÇÃO DAS ESCOLAS NA PRODUÇÃO DO ESPAÇO BRASILEIRO Jader Janer Moreira Lopes
  • A CRIANÇA, O ESPAÇO E A ESCOLA – UMA EXPERIÊNCIA EM DESTAQUE Sylvana Fernandes Ferreira

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Jader Janer Moreira Lopes & Sônia Maria Clareto - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-46-7
Área (s) / Assunto (s) Currículo, Gestão da escola, Pesquisa em escola, Organização da escola, Estudos sobre o espaço e educação.
Edição / Ano 1ª / 2007
Nº de Páginas 132
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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