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ESTRATÉGIAS INSTITUCIONAIS PARA O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE E AS ASSESSORIAS PEDAGÓGICAS UNIVERSITÁRIAS: memórias, experiências, desafios e possibilidades

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Maria Isabel da Cunha - org.


 


Esta publicação apresenta os resultados do Projeto Estratégias Institucionais para o Desenvolvimento Profissional Docente em tempos de expansão da Educação Superior coordenado pela Profa. Dra. Maria Isabel da Cunha.


Esta edição recebeu apoio do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.


 




 


APRESENTAÇÃO


A trajetória do Grupo de Pesquisa Ensino, Formação de Professores e Avaliação, do Programa de Pós Graduação em Educação da UNISINOS e registrado no CNPq e coordenado por mim, há mais de vinte anos tem se dedicado à educação superior, como foco preferencial. Durante esse percurso, os temas investigados vêm sendo gestados pelo próprio Grupo, no contexto das culturas e das políticas publicas de educação no Brasil. A primeira metade dos anos noventa sugeriu investimentos nas formas de ensinar e aprender que revitalizassem o ensino superior. Especialmente interessava aqueles que procuravam, através da análise das práticas inovadoras no currículo e na sala de aula, teorizar a base dos saberes docentes, rupturantes com o paradigma dominante próprios da modernidade. Sem abandonar essa trajetória, a segunda metade dos noventa trouxe os efeitos das políticas externas, de cunho neoliberal, definindo parâmetros únicos de qualidade, instituídos pela avaliação externa, mais propriamente pelo “provão”. Percebendo o impacto dessas políticas direcionamos os esforços investigativos na análise das repercussões, desse mecanismo, nos saberes docentes.


O Projeto Formatos Avaliativos e Concepção de Docência teve duração de três anos (2000-2002) e seus resultados estão descritos no livro CUNHA, Maria Isabel (org.) Formatos Avaliativos e concepção de docência. São Paulo, Autores Associados, 2005. Fundamentalmente compreendemos que a avaliação externa foi sendo estruturada como uma cultura na universidade, com alguns efeitos positivos. Entretanto, o reducionismo do modelo – centrado em uma única prova universal – acarretou silenciamentos de temas caros na tradição universitária. A proposta, baseada numa concepção de Estado avaliador, considerava as forças do mercado como legítimas para definir padrões de qualidade, estimulando a competição em detrimento da solidariedade. Processos comparativos eram sistematicamente divulgados, atingindo fortemente as subjetividades de todos os envolvidos e da comunidade mais ampla.


Mesmo assim, a garimpagem empírica, realizada no chão de duas universidades no sul do Brasil, indicou algumas resistências, patrocinadas por professores e seus alunos. Isto significa dizer que alguns deles, mesmo atingidos com o padrão de sucesso posto pelo Exame Nacional de Cursos, popularmente conhecido como “provão”, protagonizavam práticas que se afastavam do modelo prescrito, retomando a diferença e o contexto cultural como integrante dos processos de ensinar e aprender. Esse achado nos estimulou a investigar as razões dessa resistência e como esses docentes vinham realizando suas práticas.


Desenvolvemos, então, o Projeto denominado Pedagogia universitária: energias emancipatórias em tempos neoliberais (2003-2005). Nesse Projeto a intenção foi localizar e estudar analiticamente, experiências de ensinar e aprender que fossem percebidas como inovadoras no âmbito dos Cursos de Graduação. Usando referenciais de Sousa Santos, Lucarelli, Leite e Cunha, foram analisadas experiências tentando perceber se as mesmas se constituíam em inovações, na perspectiva da ruptura paradigmática. Também fez parte dos objetivos do estudo ver como os professores, protagonistas das experiências localizadas construíam seus saberes (Tardif, Nóvoa, Cunha), tomando os depoimentos no contexto das trajetórias de vida de cada um e os valores dos campos científicos em que se situavam academicamente. Os resultados da pesquisa estão descritos e publicados no livro Maria Isabel da Cunha (org.). Pedagogia universitária: energias emancipatórias em tempos neoliberais, JM Editora, 2006.


Ao concluir o estudo percebemos que os docentes pesquisados eram portadores de interessantes saberes que os fazia capazes de propor formas significativas de aprendizagens para seus alunos. Entusiasmados com os achados, provocamos os professores a escrever sobre suas práticas. Tivemos, então, certa frustração, pois eles admitiam saber fazer, mas resistiam a enfrentar a sistematização do que realizavam, de forma escrita. Inferimos que essa dificuldade decorria da ausência de uma base teórica das ciências da educação que resultava em uma reflexão carente de fundamentos sistematizados.


A explicação para esse fenômeno logo ns ocorreu: se os docentes universitários são leigos em termos de formação para a profissão docente, não era de se estranhar a reação que tiveram. E então começamos a questionar a ausência de lugares legitimados para essa formação e a desresponsbilização que as políticas públicas e institucionais vêm tendo nesse processo. Em geral a construção dos saberes docentes fica na responsabilidade individual do professor, que exerce uma docência artesanal, mesmo que com bom senso e propriedade. Inspira-se em modelos históricos de ensinar e aprender e alimenta-se da sua própria experiência para definir suas práticas. Ainda que alcance bons resultados, não consegue teorizar sobre o que faz.


Essa compreensão estimulou a continuidade da trajetória investigativa optando por estudar e analisar a problemática da formação do professor universitário e denominamos de Trajetórias e lugares de formação da docência universitária: da perspectiva individual ao espaço institucional. (2006 - 2008) o projeto em questão. Identificamos a existência de iniciativas e experiências nesse sentido, no âmbito da formação acadêmica (cursos, disciplinas, por exemplo) e formação continuada, incluindo projetos institucionais. Adotando um marco conceitual que desse significado aos termos espaço, lugar e território, fomos compreendendo, através das experiências analisadas, a complexidade da apreensão das mesmas, dada a sua característica de volatilidade.


Entre as conclusões mais significativas desse projeto esteve a que possibilitou a análise da perplexidade provocada pela dissonância entre o discurso da indissociabilidade da pesquisa, ensino e extensão e as perspectivas de formação e recrutamento do docente universitário. Essa pesquisa também foi publicada em forma de livro pela Junqueira &Marins Editora, com apoio do CNPq e CAPES em 2010.


Essa condição estimulou a o desenvolvimento do Projeto Qualidade do ensino de graduação: a relação entre ensino, pesquisa e extensão (2009-2011) que se articulou em torno da compreensão desse conceito manifestada pelos atores acadêmicos e as repercussões dessa compreensão na prática pedagógica da educação superior. Foram oito eixos de análise que subdividiram a temática central, caracterizados pela natureza dos respondentes: visão da literatura e dos intelectuais; perspectiva institucional – Pró-reitores de graduação e ForGrad; visão dos professores pesquisadores consolidados; perspectivas dos bons professores que não são pesquisadores stricto-sensu; visão dos professores iniciantes; perspectivas dos estudantes; perspectiva da EaD e, por fim, a visão da sociedade.


Os resultados desse estudo apontaram para a nebulosidade ainda presente nas compreensões sobre o importante conceito da indissociabilidade e, em consequência, para a urgência de investimentos institucionais nessa direção. Seu detalhamento está publicado no livro que recebe o nome da pesquisa, pela Editora Junqueira&Marins, com apoio do CNPq e CAPES, em 2012.


Estas inferências encaminharam a compreensão de que é preciso um movimento institucional que crie condições de reflexão sobre a prática pedagógica acadêmica, envolvendo professores e estudantes, com vistas à indissociabilidade. Também, dada a ausência de políticas que privilegiem os saberes pedagógicos para os docentes da educação superior, as IES são convocadas a instalar e prover estratégias de desenvolvimento profissional de seus professores.


Essa provocação estimulou o Projeto Estratégias Institucionais para o desenvolvimento profissional docente em tempos de expansão da educação superior cujos resultados apresentamos nesse livro. Como nas demais ocasiões, dada a dimensão e pluralidade do Grupo de Pesquisa, o estudo organizou-se em Eixos. Esses, por sua vez, direcionaram a produção dos resultados apresentados em forma Estudos conforme aqui descritos.


O Estudo Um, de minha autoria, assumiu o título de Pressupostos do desenvolvimento profissional docente e o assessoramento pedagógico na universidade em exame e, como nas pesquisas anteriores, procura aprofundar teoricamente o tema e oferecer um subsídio comum para a análise dos dados dos demais Estudos. Procurou relacionar as estratégias com a compreensão conceitual de formação docente que atua como seus pressupostos. Descreve, posteriormente, algumas estratégias que vem sendo construídas como possibilidades de estimulo ao desenvolvimento profissional dos docentes universitários e a qualidade do ensino superior.


O Segundo Estudo relata, numa dimensão sóciohistórica, as Estratégias de formação no ensino superior: experiência e memória em movimento na Universidade Federal do Rio Grande tomando o períodocompreendido entre o final da década de 1970 e início dos anos 1990, procurando explorar as circunstâncias e determinações em que ocorreu a experiência para, posteriormente, esboçar as diferentes configurações do projeto formativo, bem como os elementos do entrecruzamento entre as memórias, o formato dos cursos e as e xperiências proporcionadas.


Desenvolvimento profissional docente em cursos de Medicina: estratégias institucionais de duas universidades públicas na Bahia denomina-se o Estudo Três que teve o objetivo de compreender as estratégias de desenvolvimento profissional dos docentes, empreendidas pelos Cursos de Medicina dessas instituições para alcançar as competências e habilidades exigidas pela Proposta conhecida como PBL, envolvendo estratégias metodológicas que privilegiem a participação ativa do aluno na construção do conhecimento.


O Quarto Estudo abordou as Estratégias Institucionais para o desenvolvimento profissional docente em tempos de expansão da educação superior no Paraná, envolvendo cinco universidades. Focou suas análises nas categorias da experiência, assessoramento, desenvolvimento profissional docente e formação, e da forma como perceberam as Estratégias Institucionais em uma perspectiva de totalidade.


As Estratégias Institucionais para o desenvolvimento profissional docente em IES Comunitárias gaúchas: trajetórias e desafios se constituiu no Quinto Estudo. Foram analisadas as iniciativas institucionais de formação e acompanhamento de professores, com destaque às assessorias pedagógicas, em quatro universidades comunitárias e observou-se o processo de ensinar e aprender, proposto e/ou construído com a presença do apoio institucional, favoreceu a qualidade da educação superior.


O Sexto Estudo abordou os Tempos e espaços de inserção e desenvolvimento profissional de docentes universitários iniciantes, analisando, entre as IES, aquelas que têm desenvolvido programas de formação na direção do desenvolvimento profissional e do apoio pedagógico aos docentes que estão nesta etapa da carreira. Essa é uma fase de tensões e inseguranças e o momento onde o professor constrói a base de seus conhecimentos e competências, para desenvolver suas ações cotidianas e de inserção no contexto profissional da docência.


As Estratégias Institucionais de Formação de professores: histórias e experiências de Universidades Catarinenses fazem parte do Sétimo Estudo. O intuito foi compreender as experiências de formação docente realizadas e as estratégias utilizadas por IES catarinenses visando o desenvolvimento profissional dos docentes da educação superior. O estudo buscou analisar o papel e as formas de organização das assessorias pedagógicas responsáveis pelos processos de formação dos docentes, num contexto de democratização e ampliação do acesso à universidade.


A perspectiva comparativaacompanhou o Estudo Oito, denominado Estratégias Institucionais de Apoio Pedagógico para a formação do professor universitário: a experiência de duas universidades do Rio Grande do Sul, que procurou recuperar memórias de experiências em duas Universidades procurando compreender seus movimentos institucionais em direção à qualidade do ensino e desenvolvimento profissional docente, em contextos históricos de produção de suas práticas e intencionalidades. Evidencia a condição das estratégias como referenciadas nos Projetos Políticos Pedagógicos das IES que, por sua vez, são marcados pelos cenários políticos mais amplos, que os influenciam.


O Nono Estudo tomou as Estratégias de formação de professores universitários no contexto da expansão e interiorização da Universidade Federal do Amazonas como objeto de análise. Traz uma ênfase à expansão da educação superior e à interiorização da Universidade, cenário  deste estudo. Apresenta as aproximações teóricas sobre desenvolvimento profissional docente e as estratégias de formação na interface com o Programa Institucional de Formação.


E o Décimo Estudo abordou O Programa PRÓ-SAÚDE como estratégia de inovação da formação profissional: implicações para os currículos, a docência e o assessoramento pedagógico nos cursos da área da saúde. Procurou compreender como uma política pública de órgãos governamentais pode estimular e favorecer inovações nas práticas de ensinar e aprender na universidade, com significativas repercussões nos saberes dos docentes que as protagonizam.


Para finalizar o livro, num esforço de síntese, apresento o capitulo Diálogo com as experiências: aprendendo com as trajetórias e os desafios que procura fazer uma síntese da investigação realizada e das possíveis conexões entre os diversos estudos. Há, ainda, a perspectiva de contribuir com os interessados no campo pesquisado, realizando alguns encaminhamentos a partir das conclusões.


Maria Isabel da Cunha



capa 1

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Detalhes

SUMÁRIO

  • PREFÁCIO Elisa Lucarelli
  • APRESENTAÇÃO Maria Isabel da Cunha
  • ESTUDO UM - Pressupostos do desenvolvimento profissional docente e o assessoramento pedagógico na universidade em exame Maria Isabel da Cunha
  • ESTUDO DOIS – Estratégias de formação docente no ensino superior: experiência e memória no enredo do tempo-espaço da FURG Lígia Cardoso Carlos, Vânia Alves Martins Chaigar
  • ESTUDO TRÊS - Desenvolvimento profissional docente em cursos de Medicina: estratégias institucionais de duas universidades públicas na Bahia Sandra Regina Soares, Marinalva Lopes Ribeiro, Elisa Prestes Massena
  • ESTUDO QUATRO – Estratégias Institucionais para o desenvolvimento profissional docente em tempos de expansão da educação superior no Paraná Maurício Cesar Vitória Fagundes, Marcia Fernandes de Oliveira, Suzana Cini Freitas Nicolodi, Blasius Silvano Debaldi, Paulo Graziola Jr.
  • ESTUDO CINCO - Estratégias Institucionais para o desenvolvimento profissional docente em IES Comunitárias gaúchas: trajetórias e desafios Cristina Bohn Citolin, Inajara Vargas Ramos, Marcelo Cesar Salami, Mari Margarete dos Santos Forster, Maria Janine Dalpiaz Reschke, Marialva Moog Pinto, Marja Leão Braccini, Tatiane Costa Leite, Valesca Brasil Costa
  • ESTUDO SEIS - Tempos e espaços de inserção e desenvolvimento profissional de docentes universitários iniciantes Beatriz Maria B. Atrib Zanchet, Mauricio Cesar Fagundes, Cátia Simone Becker Vighi, Cláudia Herter Centeno Neves, Helenara Facin, Rita Lemos, Paula Trindade Selbach, Neridiana Stinvani
  • ESTUDO SETE - A formação do docente universitário em Santa Catarina: estratégias institucionais das IES Comunitárias Gildo Volpato, Alba Regina Batisti de Sousa, Denise Rosa Medeiros, Josiane da Silveira
  • ESTUDO OITO – Estratégias institucionais de apoio pedagógico para formação do docente universitário: a experiência de duas universidades do Rio Grande do Sul Gabriela Machado Ribeiro, Paula T. Selbach, Nadiane Feldkercher, Beatriz Maria B. Atrib Zanchet, Cristina Pureza Duarte Boéssio, Helena Beatriz Mascarenhas de Souza
  • ESTUDO NOVE - Estratégias de formação de professores universitários no contexto da expansão e interiorização da Universidade Federal do Amazonas Vera Lúcia Reis da Silva
  • ESTUDO DEZ – O Programa PRÓ-SAÚDE como estratégia de inovação da formação profissional: implicações para os currículos, a docência e o assessoramento pedagógico nos cursos da área da saúde Maisa Beltrame Pedroso, Maria Antônia Ramos Azevedo, Maria Aparecida Marques da Rocha, Camila Marluci Gonçalves Leite
  • DIÁLOGO COM AS EXPERIÊNCIAS: aprendendo com as trajetórias e os desafios Maria Isabel da Cunha
  • SOBRE OS AUTORES

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Maria Isabel da Cunha - org.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-8203-065-3
Área (s) / Assunto (s) Ensino Superior; Desenvolvimento Profissional Docente; Professor Universitário; Projetos Institucionais; Políticas Institucionais; Assessorias.
Edição / Ano 1ª / 2014
Nº de Páginas 352
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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