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EXCLUINDO SEM SABER

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Alda Junqueira Marin & José Geraldo Silveira Bueno - orgs.


[...] São olhares que captam uma escola que persevera em um modo de ser e, ao mesmo tempo, não pode deixar de atender os reclamos da efetivação de uma outra escola que se quer democrática. Ambas coexistem no mesmo espaço. Contraditoriamente.
[...] Este livro aponta para uma situação ao mesmo tempo realista e insuportável. O realismo marca o ponto de onde se deve partir caso se queira efetivamente modificar a insustentabilidade da situação. Para tanto, esse livro bate forte no realismo, de um realismo, pois, que é urgente superar.

Carlos Roberto Jamil Cury


Esta edição recebeu apoio do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.


 


 




 


Apresentação:


A despeito de todas as medidas políticas desencadeadas ao longo do século XX, a situação da escola brasileira vem persistindo com grandes contingentes de alunos que saem da escola (evadidos, expulsos) e muitos outros que permanecem algum tempo, ou mesmo até o final dos ciclos, mas sem o domínio dos saberes necessários e equivalentes aos anos de escolaridade frequentados. Concordando com Canário (2005, p.162), ao comentar a situação portuguesa, a "democratização do acesso à escola e a ‘explosão escolar’ são concomitantes com a emergência do insucesso escolar como ‘problema’ e de públicos escolares considerados ‘difíceis", consideramos ser essa também uma parte da realidade brasileira, a ponto de Ferraro (1999) ter cunhado a expressão "exclusão na escola" para se referir ao alunado que permanece na escola, mas com defasagem idade/série ou os índices baixos de rendimento escolar que temos visto nas avaliações oficiais nacionais e internacionais nos componentes curriculares da escola básica.
Diante de tal cenário, e a partir do referencial teórico adotado, os estudos relatados neste livro resultam de pesquisa financiada pelo CNPq e desenvolvida em 2008 e 2009 (MARIN et al., 2008), que problematizou quais as formas de organização da escola, concretamente efetivadas em seu interior, que jogam papel importante com relação ao baixo rendimento de parcela do alunado, buscando identificar mecanismos pouco explícitos, sub-reptícios para a manutenção dessa situação. Como decorrência, várias questões foram desdobradas focalizando facetas dessa organização e de práticas pedagógicas regulares de redes públicas, caracterização de situações de agentes escolares em suas dinâmicas de ação, objetivando condições de distribuição de bens culturais e simbólicos, sobretudo aqueles de responsabilidade da escola (NOGUEIRA e CATANI, 1998).
Para responder aos questionamentos foram estipulados objetivos. O objetivo geral do projeto ficou assim estabelecido:
- identificar e analisar formas de organização e de práticas pedagógicas que podem estar contribuindo para a manutenção de alunos, em seu interior, sem que isso reverta em rendimento escolar compatível com o nível/série alcançado.
Esse objetivo geral desdobrou-se em objetivos e hipóteses específicos orientadores de focos relatados ao longo do livro.
Metodologicamente previa-se atuar em um campo empírico escolar com anos iniciais do ensino fundamental de escolarização regular considerando-se a base de exclusão histórica no ensino brasileiro, o que foi cumprido.
Previa-se, também, desenvolver os estudos em duas escolas de redes de ensino diferentes em São Paulo, quais sejam, uma da rede estadual e uma da rede municipal em São Paulo ou grande São Paulo, tendo como critério de escolha que ambas fossem consideradas escolas com boa estrutura física e organizacional e conceituadas como de boa qualidade nos processos externos de avaliação. Essa decisão decorreu da questão central, pois, se esses mecanismos de exclusão na escola estivessem nelas presentes, em escolas menos estruturadas, com alto índice de fracasso escolar, a tendência seria de tê-los em proporções ainda maiores.
Iniciados os trabalhos, definiu-se, após consultas e visitas, pelo trabalho junto a uma Escola Estadual de Ensino Fundamental da cidade de São Paulo, aqui denominada Escola A, e uma Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental – aqui denominada Escola B – da rede municipal de município da grande São Paulo, posteriormente complementadas com uma Escola Municipal de Ensino Fundamental da rede da cidade de São Paulo ( escola C ), em decorrência do processo sucessório da administração municipal de município da escola B, onde não pudemos continuar. Esses ambientes empíricos constituíram os cenários de estudo mediante a coleta de documentação, a saber: planos de gestão, projetos político-pedagógicos, cartas de intenção, legislação, fichas de avaliação de alunos, regimentos escolares, normas gerais e disciplinares.
Coletados documentos, os pesquisadores desenvolveram estudo de cunho etnográfico (WOODS, 1998), portanto contando com apontamentos de observações além de entrevistas semi-estruturadas para coleta de informações do dia a dia escolar, disponibilizados para uso coletivo, e alguns procedimentos específicos de alguns focos aqui relatados.
A organização geral das escolas é bem similar, assim como a organização do trabalho em seus interiores. Aceitando a diferenciação apresentada por Oliveira (2007) de que a escola pode ser analisada em duplo foco de organização – a organização do trabalho entre os agentes e a organização do trabalho educativo – e, ainda, considerando a disseminação de uma forma escolar pelos continentes nos últimos séculos (VINCENT, LAHIRE e THIN, 2001), neste item de apresentação cabem alguns dados de identificação geral das organizações escolares, ficando as especificidades de cada uma a cargo dos autores dos capítulos em função dos dados expostos.
Assim, é possível explicitar que as três escolas se dedicavam à educação de crianças na faixa do ensino fundamental, organizado por ciclos, sendo que a escola A, da rede estadual também abrangia o ciclo II e a escola B abrangia a Educação Infantil. Nosso foco, entretanto, nos estudos, se refere ao ciclo I, de todas elas.
Do ponto de vista físico, as escolas possuíam instalações bastante adequadas: as salas de aulas, pátios, setor administrativo – com secretaria, salas para gestores, cozinha, arquivos, depósitos, banheiros – além de outras instalações para Ciências, Informática, Educação Física, bem como área de higiene com banheiros para professores e outros para alunos. 
O trabalho era organizado por funções de gestão – direção, vice-direção e coordenação pedagógica; docência – com os professores efetivos e contratados, alunos – e funções de administração (escriturários e agentes administrativos) e de manutenção (cozinheiras, inspetores, serventes).
As questões e objetivos desdobrados foram distribuídos pelos pesquisadores da equipe para efeito de análise e sistematização apresentadas na sequência sob a forma de cinco capítulos e algumas considerações finais.
No primeiro capítulo Alda Junqueira Marin e Helena Machado de Paula Albuquerque focalizam facetas da organização escolar com destaque para organização do trabalho educativo e exclusão escolar apresentando dados relativos aos projetos das escolas, à organização curricular, distribuição de tempos e espaços, dinâmicas de gestão, ações de avaliação, controle, recompensa e castigo.
Helena Machado de Paula Albuquerque e Tathyana Gouvêa da Silva focalizam um dos agentes da escola: o diretor. Trazem dados de uma das escolas descrevendo e analisando a rotatividade de diretoras, parte da estrutura social e administrativa bem como algumas ações e sua relação com a exclusão, compondo o segundo capítulo.
No terceiro capítulo, há análises relativas a dinâmicas de ação escolar em que Alda Junqueira Marin e Natalia do Bonfim Nascimento apresentam relações entre direção e professores, normatização do trabalho educativo, flagrando situações de exclusão de alunos na escola, ainda que avancem no percurso, porém sem os requisitos esperados de domínio do conhecimento.
"A relação entre práticas pedagógicas e o baixo rendimento" foi o foco de responsabilidade de José Geraldo Silveira Bueno e Carlos Antônio Giovinazzo Jr., a partir de material colhido em uma das escolas, constituindo o texto relatado no quarto capítulo. Analisando as ações das professoras para avaliar as crianças e decisões tomadas a partir dos resultados, os autores demonstram a manutenção da perspectiva homogeneizadora do alunado, a isenção da própria prática e da organização da escola sobre os resultados alcançados pelos alunos não levando em consideração a diversidade sociocultural do alunado que hoje tem acesso à escola pública. 
No quinto capítulo, de responsabilidade de José Geraldo Silveira Bueno e Jose Luiz Germano Martins, os autores dão continuidade ao foco que diz respeito aos agentes da escola focalizando os alunos de baixo rendimento e as relações deles com seus pares. Nesse sentido, tendo como instrumento para coleta de dados o teste sociométrico, investigaram as configurações dos grupos de alunos em duas situações distintas (estudos e lazer), bem como a posição, nesses grupos de dois alunos das classes de 2ª série de duas escolas, que apresentavam baixo rendimento escolar, identificando a diversidade de configurações grupais, assim como a diferenciação de posição dos alunos com baixo rendimento escolar, tanto em relação às distintas atividades, quanto às diferentes escolas. 
Aproveitamos para registrar os nossos agradecimentos às escolas, direções, professores e alunos que participaram desse projeto e ao CNPq pelo auxílio para a realização dos estudos e pelo apoio a esta publicação.


Alda Junqueira Marin
José Geraldo Silveira Bueno


 


Referências

CANÁRIO, R. O que é a escola?Um olhar sociológico. Porto: Porto Editora, 2005.
FERRARO, A. R. Diagnóstico da escolarização no Brasil. Revista Brasileira de Educação,Rio de Janeiro, 1999, n.12, p.22-47.
MARIN, A. J. et al. Organização da escola e os processos de exclusão escolar. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História,Política,Sociedade.Projeto de pesquisa,2008.
NOGUEIRA, M. A. & CATANI, A. Uma sociologia da produção do mundo cultural e escolar. In: NOGUEIRA, M. A. & CATANI,A.(orgs.) Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 7-15.
OLIVEIRA, D. A educação básica na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: breve balanço sobre a organização escolar e o trabalho docente. In: SOUZA, J. V. A. (org.) Formação de professores para a educação básica. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 97-111. 
VINCENT, G.; LAHIRE, B. & THIN, D. Sobre a teoria e a história da forma escolar. Educação em Revista, Belo Horizonte, 2001, n.33, p.7-47.
WOODS, P. La escuela por dentro. Barcelona: Editorial Paidós, 1998.

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Detalhes

SUMÁRIO

  • Prefácio Carlos Roberto Jamil Cury 
  • Apresentação Alda Junqueira Marin e José Geraldo Silveira Bueno
  • Estudo um
  • Facetas de formas de organização escolar e a presença da exclusão na escola Alda Junqueira Marin e Helena Machado de Paula Albuquerque
  • Estudo dois
  • O diretor frente ao processo de exclusão escolar Helena Machado de Paula Albuquerque e Tathyana Gouvêa da Silva
  • Estudo três
  • Ações escolares em tempos de escolas cicladas Alda Junqueira Marin e Natalia do Bonfim Nascimento
  • Estudo quatro
  • A relação entre práticas pedagógicas e o baixo rendimento José Geraldo Silveira Bueno e Carlos Antônio Giovinazzo Jr.
  • Estudo cinco
  • As relações sociais entre alunos com baixo rendimento escolar e seus pares José Geraldo Silveira Bueno e Jose Luiz Germano Martins
  • Sobre os autores

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Alda Junqueira Marin & José Geraldo Silveira Bueno - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-85-6
Área (s) / Assunto (s) Formação de educadores, Pesquisa em escola, exclusão no interior da escola, Organização da escola, Gestão da escola, Análise sociológica.
Edição / Ano 1ª / 2010
Nº de Páginas 144
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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