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FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: olhares que se entrelaçam

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Gercina Santana Novais & Graça Aparecida Cicillini - orgs.


Este livro, organizado em três partes que se complementam, interessa enormemente a quantos tenham sua atenção voltada para questões relevantes sobre formação docente, vinculada à possibilidade de ensinar a todos e à garantia de condições dignas para o exercício da docência. 
Trata-se, portanto, de um relevante trabalho que encoraja novas perguntas e novas respostas frente à complexidade da formação docente, uma vez que apresenta reflexões que se beneficiaram de conhecimentos sobre diferentes dimensões que se entrecruzam nessa formação, oferecendo elementos para a compreensão da realidade concreta do ensino praticado nas instituições de ensino.


Esta edição recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG.


 




 


 


Apresentação: 

O Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Federal de Uberlândia – Mestrado e Doutorado – tem desenvolvido esforços no sentido de consolidar a temática, formação docente, vinculada às reflexões acerca da garantia do direito de escolarização de todos(as) e das condições humanas para o exercício da docência, tomando-a como objeto de ensino, pesquisa e extensão, reconhecendo e investigando os vários aspectos que se entrecruzam na realidade concreta do ensino praticado, nos diferentes níveis de escolaridade.
Uma das frentes desse trabalho vincula-se à elaboração e às trocas de conhecimentos no âmbito das aulas da disciplina "Formação Docente e Práticas Pedagógicas" do referido Programa, favorecendo um modo de exercer o ofício de ensinar com base na articulação entre as atividades de pesquisa, extensão e ensino. Nesse processo, foram incorporadas à reflexão sobre formação docente a escuta e a análise das narrativas das experiências pessoais e profissionais dos(as) pós-graduandos(as), o diálogo com os(as) formadores(as) de professores(as), a produção e a divulgação de conhecimento acerca dessa temática. 
Dessa forma, tomando sempre como ponto de partida a urgência de promover uma formação docente interessada, com base no reconhecimento do direito à escolarização, independentemente de gênero, raça/etnia, orientação sexual, classe social e deficiência, foram eleitos eixos temáticos, de maneira a apreender a complexidade das relações desenvolvidas nas instituições educacionais e suas articulações com a sociedade.
A ideia de que o conceito de formação docente é um conceito relacional também foi incorporada ao projeto educativo. Por conseguinte, devem fazer parte da investigação e da socialização de conhecimento sobre formação docente aspectos relacionados com os sujeitos envolvidos no ensino e na aprendizagem, especialmente professores(as) e alunos(as).
O diálogo que incluiu saberes de diferentes dimensões e fortaleceu a ideia de professores(as) e alunos(as) como sujeitos do ensino e da aprendizagem, a necessidade da produção de conhecimentos e da criação de uma rede de cooperação e solidariedade, com vistas a acolher, no espaço educativo, os(as) professores(as) e os(as) estudantes na condição de sujeitos de direitos e de interlocutores(as) privilegiados(as), deu origem a este livro, publicado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG. Nele encontra-se um conjunto de textos de grande interesse teórico e prático, organizado em três partes que se complementam.
A primeira parte, Formação docente, políticas e reformas educacionais, é composta por três textos que retomam e analisam concepções de docência e práticas pedagógicas. Desvelam reformas educacionais, destacando as desenvolvidas a partir da década de 1990, e as políticas educacionais relacionadas à formação docente e às práticas pedagógicas, provocando novas perguntas.
Abre o livro o texto de Graça Aparecida Cicillini, "Professores universitários e sua formação: concepções de docência e prática pedagógica" expondo os resultados de uma pesquisa desenvolvida de forma integrada por um grupo de docentes, pesquisadores do Núcleo de Saberes e Práticas Educativas, alunos(as) do Mestrado em Educação e alunos do Curso de Graduação da Universidade Federal de Uberlândia; tendo como propósito investigar quem são os(as) professores(as) do ensino superior, como pensam a docência, as atividades desenvolvidas, os saberes e as práticas que permeiam sua atuação, associados ao debate sobre a formação docente. A autora, com base na análise dos dados coletados, reafirma a necessidade de uma fundamentação teórico-metodológica significativa para que a grande maioria dos docentes universitários possa ultrapassar a visão instrumental de ensino, continuar a reflexão crítica e tomar providências quanto à questão assim formulada: quem forma os(as) professores(as) universitários(as)?
O texto, "Formação docente e práticas pedagógicas: a influência das políticas educacionais", de Maria Aparecida Guerra Lage e Vilma Aparecida de Souza, focaliza as políticas brasileiras de formação de professores(as) no cenário das reformas educacionais implementadas a partir dos anos 1990 e seus reflexos na formação e na prática pedagógica dos(as) professores(as) da educação básica. Além disso, situa os embates de educadores(as) contra os descaminhos instituídos pelas reformas, buscando indícios para repensar as políticas para a formação docente. Percebe-se, em pleno século XXI, ano após ano, que os descaminhos das políticas educacionais continuam muito atuais e sem uma real modificação do quadro da formação de professores(as).
O texto, "O docente e a educação a distância", de Walteno Martins Parreira Júnior, apresenta um breve histórico do desenvolvimento da Educação a Distância (EAD) até os dias atuais e as perspectivas de evolução com a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Os recursos tecnológicos estão modificando a forma de atuação tanto da educação presencial quanto da EAD, também contribuem para a expansão da EAD e estão alterando os processos de interação e comunicação na comunidade escolar. A metodologia da Educação a Distância passou a ser uma via de formação de professores(as), suscitando um debate polêmico em torno dessa questão.
A segunda parte, Formação docente e profissionalismo, composta de três textos, centra-se na discussão sobre a trajetória histórica do profissionalismo docente, a profissionalização do(a) professor(a) e seus riscos no que diz respeito à garantia das condições humanas do exercício da docência.
Elbo Lacerda Ramos e Gizelda Costa da Silva Simonini, em "Docência: valorização profissional e identidade coletiva", refletem sobre a formação profissional, a profissionalização do(a) professor(a) em relação aos seus saberes. A profissionalização docente, no modelo liberal de profissão, é um processo em construção, que perpassa questões, como valorização profissional e identidade coletiva dos(as) professores(as). Lograr a valorização é ultrapassar a barreira da precarização, e a construção da identidade profissional coletiva se desdobra na consolidação dos Conselhos Profissionais. Este sujeito coletivo recebe a outorga do controle da atuação profissional e imprime a marca da legitimidade pela implícita possibilidade de se responsabilizar o(a) professor(a) pela má prática profissional. O processo de outorga é conflitivo porque existe uma identidade individual de recorte gnosiológico, ontológico e epistemológico que pode causar tensão entre indivíduo e sujeito coletivo, sendo que a possibilidade de mediação do conflito é possível pela afirmação da estética pedagógica.
O texto, "Do pré ao pós-profissionalismo: a formação docente sob reflexão", de Cladecir Alberto Schenkel, Maria Goretti Vieira e Wagner Luiz Garcia Teodoro, com o objetivo de refletir sobre a formação e o profissionalismo docente na atualidade, dos seus saberes e práticas, discute a trajetória histórica desse processo, tomando por base as quatro fases identificadas por Hargreaves (1999), a saber: pré-profissional, profissional autônomo, professor colegiado e pós-profissional. Para tanto, desenvolve-se um estudo crítico das fases apontadas, contextualizando-as para explicitar os condicionantes e as contribuições de cada uma e, assim, mostrar o amálgama que caracteriza os saberes e práticas da formação e do profissionalismo docente nessa época de mudanças profundas, nas mais diversas esferas da vida social.
"Formação e profissionalização docente", de Juliene Leonel de Almeida Mendonça e Simone Maria de Ávila Silva Reis, aborda o tema da profissionalização do(a) professor(a), entendendo-a como processo que transforma uma atividade desenvolvida no mundo do trabalho, mediante a circunscrição de um domínio de conhecimentos e competências específicos, que nomeia e classifica uma ocupação, associando-lhe imagens, representações e expectativas historicamente definidas. No campo da educação, a profissionalização suscita questões que merecem debates e investigação, dada a crise geral das profissões, as dificuldades para apontar os saberes e práticas específicos da profissão docente e o risco iminente da desqualificação e desvalorização da sua formação.
Na terceira parte, Formação docente e educação inclusiva, a partir das considerações dos(as) professores(as) para os diferentes níveis de ensino sobre inclusão escolar, encontram-se reflexões sobre a trama relativa à exclusão/inclusão e seus vínculos com a formação docente, inicial e continuada.
No texto, "Formação docente e inclusão escolar: ensinando de um jeito que não aprendi?", analisando a escuta da queixa dos(as) professores(as) sobre a formação docente, inicial e continuada, no sentido de que ela não os capacitou para desenvolver educação inclusiva, bem como do discurso recorrente sobre o significado da formação na/para a construção de uma escola de sucesso para todos(as), Gercina Santana Novais aborda quatro aspectos relacionados ao debate sobre formação docente e inclusão escolar, a saber: ausência de formação docente para ensinar a todos(as); formação docente e práticas de gestão da classe; pessoalidade na formação docente; e formação docente e classes populares. Busca refletir sobre o tipo de formação em desenvolvimento no nosso país, a partir das seguintes questões: Se a formação docente não capacita os(as) professores(as) para ensinar a todos(as), quem são os(as) alunos(as) almejados pela formação docente, majoritariamente desenvolvida nas diferentes instituições brasileiras de ensino superior? Quais questões ocupam o centro da formação docente nas instituições públicas de ensino superior, num momento em que todos e todas, independentemente de raça, etnia, classe, geração, deficiência, conquistaram, legalmente, o direito de matricular-se, permanecer e concluir seus estudos com qualidade nas instituições de ensino regular?
O texto, "Entrelaçamentos entre cultura, educação e formação docente", de Elenita Pinheiro de Queiroz Silva, apresenta a discussão sobre as noções e articulações entre educação escolar e cultura; e, mais ainda, a reclamação da ausência dessas noções na formação de professores(as) pode apontar para um conjunto de aspectos, tais como: as representações dos/as docentes em exercício ou em formação inicial, assim como dos(as) formadores(as), acerca do universo cultural das crianças, dos adolescentes e dos demais grupos que constituem a escola e a sociedade em geral; o universo sociocultural dos/as professores(as); o lugar e o papel que as práticas pedagógicas ocupam, ao mobilizarem um conjunto de saberes na sala de aula e nas escolas; as formas de estar junto, de ver e conviver com e no espaço escolar; o papel político da escola com relação às práticas culturais consideradas válidas, portanto, hegemônicas em nossa sociedade; as maneiras pelas quais são tratados os modos de existência que rompem com o padrão e "normalidade" impostos, apresentando, assim, outros modos de significar a vida e a existência humana.
Dois textos que instigam a reflexão sobre os temas gênero, sexualidade e cotidiano escolar, as relações desiguais de gênero, raça/etnia nos projetos educacionais, fornecem pistas para a reinvenção das teorias e das práticas pedagógicas presentes nos diferentes níveis de ensino com vistas à eliminação das práticas sexistas e racistas, práticas estas que geram possibilidades de inclusão/exclusão escolar. Um deles, "No balanço das normas: deslocando certezas", de Flavia do Bonsucesso Teixeira, com base nos resultados de um estudo de caso, apoiado na Teoria Queer, apresenta as percepções das professoras sobre as crianças e suas escolhas por brinquedos e brincadeiras. Essas professoras atuavam numa escola de educação infantil, cujo projeto pedagógico anunciava uma proposta não-sexista de educação. A autora argumenta que, ao aceitar um menino se travestir de mulher e brincar de casinha sem transformar esta escolha em piadas e deboches, essas crianças ressignificavam os modelos tradicionais e desestruturavam a ordem das coisas. Mostra que, para as professoras assim como para as famílias dessas crianças, a assertividade da tentativa de implantação da proposta de educação não-sexista, na medida em que as crianças, na escola investigada, reelaboravam disposições anteriores sobre as formas de serem meninos e meninas.
No outro texto, "Gênero, raça/etnia: desafios à formação docente", de Mônica Luiz de Lima Ribeiro e Rafael Adriano de Oliveira Severo, a análise é dedicada às questões de gênero, raça/etnia e seus desafios à formação docente como fatores que contribuem na/para construção de identidades sociais, e ao fato de que essas questões estão ausentes das discussões desenvolvidas pela maioria dos projetos de formação docente em desenvolvimento no Brasil.
Em "Docência universitária: uma perspectiva inclusiva", Silvana Malusá Baraúna e Amanda Fernandes Santos demonstram a urgência de pensar a inclusão de alunos(as) com deficiências físicas e sensoriais no ensino superior articulada com adaptação física dos campi, dos materiais e das ações pedagógicas dos docentes universitários. Com base nessas preocupações, apresentam as concepções de deficiência, de formação de professores(as) e do processo de ensino-aprendizagem que docentes universitários(as) de um Curso de Pedagogia possuem acerca da educação inclusiva, discutindo se estas concepções estão (in)adequadas à prática inclusiva. 
A partir do espaço de reflexão sobre formação docente compromissada com uma educação ancorada nos princípios da educação inclusiva, que pressupõe relações educativas em que professores(as) e alunos(as) continuam sendo sujeitos de direitos, a seleção desses textos visou ao debate sobre os desafios e às possibilidades de construção coletiva de novas trilhas que permitam o desenvolvimento de projetos de formação docente associado ao ensino para todos(as).

Gercina Santana Novais 
Graça Aparecida Cicillini 




 



capa

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Detalhes

  • APRESENTAÇÃO Gercina Santana Novais e Graça Aparecida Cicillini
  • PREFÁCIO Antonio Carlos Amorim
  • PRIMEIRA PARTE: FORMAÇÃO DOCENTE, POLÍTICAS E REFORMAS EDUCACIONAIS
  • Professores universitários e sua formação: concepções de docência e prática pedagógica Graça Aparecida Cicillini
  • Formação docente e práticas pedagógicas: a influência das políticas educacionais Maria Aparecida Guerra Lage e Vilma Aparecida de Souza
  • O docente e a educação a distância Walteno Martins Parreira Júnior
  • SEGUNDA PARTE: FORMAÇÃO DOCENTE E PROFISSIONALISMO
  • Docência: valorização profissional e identidade coletiva  Elbo Lacerda Ramos e Gizelda Costa da Silva Simonini
  • Do pré ao pós-profissionalismo: a formação docente sob reflexão Cladecir Alberto Schenkel; Maria Goretti Vieira e Wagner Luiz Garcia Teodoro
  • Formação e profissionalização docente Juliene Leonel de Almeida Mendonça e Simone Maria de Ávila Silva Reis
  • TERCEIRA PARTE: FORMAÇÃO DOCENTE E EDUCAÇÃO INCLUSIVA
  • Formação docente e inclusão escolar: ensinando de um jeito que não aprendi? Gercina Santana Novais
  • Entrelaçamentos entre cultura, educação e formação docente Elenita Pinheiro de Queiroz Silva
  • No balanço das normas: deslocando certezas Flavia do Bonsucesso Teixeira 
  • Gênero, raça/etnia: desafios à formação docente Mônica Luiz de Lima Ribeiro e Rafael Adriano de Oliveira Severo
  • Docência universitária: uma perspectiva inclusiva  Silvana Malusá Baraúna e Amanda Fernandes Santos
  • Notas 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Gercina Santana Novais & Graça Aparecida Cicillini - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-83-2
Área (s) / Assunto (s) Formação de educadores, Educação à distância, Pesquisa em escolas, Educação inclusiva; Gênero/ Raça/ Etnia, Direitos humanos, Política educacional.
Edição / Ano 1ª / 2010
Nº de Páginas 320
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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