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LICENCIATURAS, ESCOLAS E CONHECIMENTO

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Mari Margarete dos Santos Forster & Cecilia Luiza Broilo - orgs. 


Este livro foi organizado com a intenção de socializar idéias e refletir sobre questões pedagógicas e processos formativos, na escola e na universidade, com vistas à construção de projetos inovadores de formação inicial e continuada de professores. Os textos que o compõem estão agregados em três grandes eixos: a escola como espaço formativo, o currículo e a formação pedagógica e as licenciaturas e o conhecimento.
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Os diferentes eixos temáticos reúnem pesquisas e trabalhos que explicitam a importância da escola enquanto espaço formativo, realizam uma reflexão e discussão sobre o currículo e a formação pedagógica, além de discutir diferentes embates provocados no cotidiano universitário sobre a questão das licenciaturas e o conhecimento. 


 


 






 


Apresentação: 

Este livro foi organizado com a intenção de socializar idéias e refletir sobre questões pedagógicas e processos formativos, na escola e na universidade, com vistas à construção de projetos inovadores de formação inicial e continuada de professores. Os textos que o compõem estão agregados em três grandes eixos: a escola como espaço formativo, o currículo e a formação pedagógica e as licenciaturas e o conhecimento.
O primeiro eixo, a escola como espaço formativo, tem como intencionalidade discutir, através do relato de três investigações de instituições distintas, a relação universidade/escola intensificando a colaboração e aprendizagens mútuas, introduzindo dispositivos de formação, de ação e de pesquisa, regidos, não somente por uma lógica universitária, mas por uma lógica que se aproxime da prática profissional cotidiana. A reflexão e o diálogo sobre e na ação docente, sustentados teoricamente, têm favorecido não só a compreensão da escola e de seus atores, mas a melhoria dos Cursos de Formação de Professores das Universidades envolvidas.
O segundo eixo, o currículo e a formação pedagógica, tem como objetivo principal promover uma discussão sobre as questões pedagógicas e os processos formativos desenvolvidos e/ou vivenciados na universidade. Além disso, pretende-se socializar propostas de formação inicial e continuada visando identificar desafios para a construção de projetos inovadores nesta área. Serão abordados temas relacionados à formação permanente, dos professores e dos pedagogos, em diferentes perspectivas como uma forma de articular e qualificar as práticas dos profissionais que atuam nessa área.
E, o terceiro eixo, as licenciaturas e o conhecimento, propõe-se a discutir, à luz das exigências de implantação das diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores, diferentes embates provocados no cotidiano universitário. Examina também as relações entre os saberes acadêmicos da formação e os saberes da experiência, problematizando o processo de formação do educador de jovens e adultos. 
A escola como espaço formativo: discutindo a (in) disciplina escolar escrito por Mari Margarete dos Santos Forster, Denise Grosso da Fonseca e Juliana Burges Sbicigo, apresenta um estudo que vem sendo desenvolvido com orientadores, supervisores educacionais e professores de escolas da rede municipal de ensino de Montenegro/RS, tendo por temática a questão da disciplina/ indisciplina e suas implicações na prática docente e no cotidiano da escola; trata-se de uma pesquisa com enfoque qualitativo e sustenta-se metodologicamente na pesquisa-ação. Lida com tensionamentos conceituais: disciplina/indisciplina, autoridade/poder/ autoritarismo, liberdade/licenciosidade, ordem/desordem, limite/exigência, rigidez/ rigor. O referencial teórico é Freire (1982, 1985, 1994, 1996, 1997, 2000) na interlocução com Giroux, Ghiggi, Bourdieu, D’Antola, Aquino, Estrela, Foucault e Correia e Matos. Reuniões, observações, diário de campo, análise de documentos são instrumentos fundamentais para captar, ouvir, trocar e construir alternativas com os sujeitos envolvidos e seu entorno. A ênfase investigativa se dá através da promoção de situações que provoquem os interlocutores a discutir sua prática docente, ressignificando-a, bem como o seu papel enquanto autoridade pedagógica, ética e competente, e o ambiente educacional enquanto espaço de formação. Nesse diálogo, tem-se tornado necessário desvelar os discursos que emergem e as histórias de vida dos sujeitos, confrontando-os, no sentido de potencializar novas indagações e reflexões transformadoras. Inicialmente, o trabalho desenvolveu-se com os supervisores e orientadores das escolas envolvidas, que, no momento atual, vêm, junto com o grupo de pesquisa, planejando, realizando e participando de reuniões com os professores. Para além do mencionado, tem se buscado desmistificar o fenômeno da indisciplina em direção aos seus atravessamentos apontando para dispositivos de mudança, para construção de alternativas. Nesse aspecto, torna-se fundamental repensar as conexões facilitadoras da intersecção entre o mundo da vida cotidiana e o mundo da escola, sem desconsiderar a fragilidade desses, localizando-os no espaço da ordem social. 
Pesquisa da realidade e a escritura cotidiana a favor da produção curricular em ciências nas primeiras séries do ensino fundamental, escrito por Gomercindo Ghiggi e Beatriz Zanchet, apresenta o resultado de uma pesquisa com professoras de primeiras séries do ensino fundamental, egressas do Programa Especial de Formação de Professores em Serviço (FaE/UFPel), em particular reflete o processo de trabalho pedagógico em ciências. A proposta foi, partindo da realidade vivenciada e descrita pelas professoras e pelos alunos das professoras, discutir práticas pedagógicas de sala de aula, apontar para a construção curricular conectada com o mundo da vida e da cultura dos alunos e repensar a formação inicial de Professores para as Primeiras Séries do Ensino Fundamental. Discutem, então, a produção do conhecimento em processos investigativos a partir da perspectiva política e epistemológica freiriana, argumentando a favor do diálogo oral e/ou escrito como princípio metodológico principal, em contraponto à cultura da pesquisa e ao ensino positivista, regrados por modelos não pouco dogmáticos. A pesquisa foi desenvolvida junto a um grupo de Professoras das Primeiras Séries do Ensino Fundamental, da Escola Núcleo Habitacional Dunas, situada na periferia da cidade de Pelotas/RS/Brasil, com a intenção de estabelecer diálogos entre pesquisadores e professoras, a partir das realidades reveladas pelas escritas das práticas de sala de aula que mostraram de alguma forma, a realidade social onde se inserem os sujeitos da escola. A tentativa foi de envolver as professoras em discussões em torno do cotidiano da sala de aula, da sua formação, da escola e da comunidade, dos conteúdos das ciências que estão sendo trabalhados nas primeiras séries do ensino fundamental na perspectiva de refletir sobre esses conhecimentos e a relação que eles apresentam com os sujeitos e com o meio social onde estes estão inseridos.
Vida e profissão das professoras do verdinho, escrito por Gildo Volpato, apresenta a história das escolas municipais de Criciúma. É este o objetivo mais amplo do projeto de pesquisa cadastrado no CNPq, vinculado à Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, que está sendo desenvolvido por cinco professores/as dos cursos de licenciatura com participação de alunas de graduação. Este texto é parte de um caderno que está para ser publicado, contando a história da Escola Municipal de Ensino Fundamental Honório Dal Toé, localizada no bairro Verdinho, localizado a 14 km do centro da cidade de Criciúma, Santa Catarina. Falar da vida e da profissão das professoras que atuaram no Verdinho foi o tema que me coube nesse trabalho coletivo. Algumas questões que balizaram este estudo foram: como era ser professor no passado? Que fatores contribuíram para que se tornassem professoras? Que fatos marcaram a vida pessoal e profissional e interferiram na sua trajetória enquanto docentes? O estudo foi organizado de forma que pudesse apresentar lembranças da vida e profissão das professoras na perspectiva dos/as ex-alunos/as e também a partir das experiências daquelas que foram as protagonistas nas salas de aula e na comunidade, as ex-professoras. O estudo revela um tempo de muitas dificuldades na locomoção e no transporte, carência na formação das professoras, precariedade de recursos materiais, excesso de faltas dos alunos decorrentes do trabalho infantil. Revela também um tempo em que os castigos eram vistos como algo natural no processo de educação, portanto, também consentidos pelos pais aos professores. A pesquisa oportunizou as professoras falar das suas vidas, das angústias, das preocupações, das incertezas, das estratégias adotadas diante das surpresas, dos imprevistos, com as quais se defrontavam e, ao falar, fizeram emergir com força os dilemas da prática pedagógica, ainda comum na vida de muitos/as professores/as.
(Re)pensando o curso de pedagogia: um projeto inovador de formação, escrito por Cecilia Luiza Broilo, apresenta uma reflexão e uma caminhada investigativa realizada pelos professores preocupados com a formação profissional do pedagogo de uma universidade jesuítica, situada na grande Porto Alegre, RS/Brasil. A partir de discussões desencadeou-se um processo de inovação curricular visando conceber uma proposta que envolvesse o coletivo e a participação dos docentes e discentes, buscando a superação do modelo linear e padronizado que tem presidido os processos de formação no ensino superior. O objetivo é apresentar um projeto de inovação curricular que, de certa forma, procurou romper com os paradigmas de reprodução ou regulação, presentes nas práticas educativas. Foi (re)pensando a proposta do Curso de Pedagogia a partir de uma abordagem metodológica, que envolveu análises de documentos, registros de reuniões e discussões que resultou a mudança curricular que, se estruturou na articulação de dois eixos: a pesquisa e a ação investigativa, de caráter pedagógico, com vistas a estimular um processo de reflexão, por parte do acadêmico. A base da organização curricular na forma de Dimensões e Programas de Aprendizagem forneceram os dados das pesquisas desenvolvidas pelos docentes, na universidade, especialmente nas áreas de educação e formação de professores, além, das políticas educacionais, do currículo e processos de exclusão foram. Como resultado foi possível constatar que o projeto do Curso de Pedagogia apresenta uma inovação curricular e se assentou na compreensão da necessidade de afirmar uma perspectiva de conhecimento e de prática educativa que superasse tanto o paradigma da homogeneização e padronização, quanto o paradigma que se afirma unicamente na particularidade e na diferença. Além disso, buscou superar uma concepção dualista entre os pólos objetividade/subjetividade, parte/todo, indivíduo/história. 
A formação permanente dos professores na (re)construção do projeto pedagógico: possibilidades e desafios, escrito por Maria de Fátima Barbosa Abdala, pretendeu refletir sobre uma pesquisa realizada com professores, oriundos dos Cursos de Pedagogia e coordenadores de diferentes escolas da rede municipal da baixada santista, no Estado de São Paulo, preocupados com a reconstrução do projeto pedagógico institucional e com a sua formação permanente. O objetivo era o de situar quais as possibilidades e desafios da (re)construção do projeto pedagógico para a formação permanente dos professores. Nesta perspectiva, a proposta partiu da noção de projeto pedagógico, enfatizando a necessidade da busca pela qualidade e pelo sentido do trabalho que se faz na escola. Depois, ao analisar o significado deste projeto para a formação dos atores no interior da escola, destacaram-se, de um lado, princípios para a organização do trabalho pedagógico e, de outro, elementos básicos que permitiram revitalizar modos de ação e de intervenção na prática escolar. E, por fim, delinearam-se possibilidades deste projeto estar contribuindo para a superação de alguns dos desafios que estão postos no cotidiano da escola e na construção da identidade profissional do professor. Do ponto de vista metodológico, através de episódios de formação e de entrevistas semi-estruturadas, foi possível dar concretude às temáticas vivenciadas para fazer da (re)construção do projeto pedagógico uma estratégia/aposta para a escola e para a formação permanente do professor. Como resultados da pesquisa, no sentido de ressignificar o projeto pedagógico, contribuindo para o enfrentamento dos desafios do cotidiano, foram delineados quatro eixos ou estratégias cognitivas e/ou de ação: 1º análise contextual da escola enquanto prática social; 2º a cultura de participação e de pertencimento; 3º a construção da identidade profissional; 4º a disposição para mudanças (para um novo habitus). Tais eixos puderam contribuir para dispor os professores numa constante reatualização de seus planos individuais e coletivos.
Reflexão teórica sobre a formação do pedagogo: o projeto oficial, o projeto dos educadores e os projetos institucionais, escrito por Olga Teixeira Damis, apresenta um trabalho que faz parte de um projeto de pesquisa em andamento envolvendo alunos do Curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia e tem como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade de formação do pedagogo no desenvolvimento de estudos e reflexões sobre avaliação e currículo do Curso de pedagogia da UFU. Como fundamentação e contextualização do desenvolvimento do projeto foi sistematizado referencial teórico com a finalidade de fundamentar e problematizar a formação do pedagogo no Brasil do ponto de vista do projeto oficial, do projeto dos educadores, do projeto institucional. Nesta perspectiva, o projeto de pesquisa partiu de dois argumentos fundamentais: a centralidade atual de estudos sobre Avaliação Educacional e Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia; os estudos sobre avaliação educacional e currículo constituem-se em conteúdos fundamentais de formação do pedagogo - profissional que atua na prática educativa, seja em âmbito escolar e não escolar. Do ponto de vista metodológico, foram realizados estudos e Seminários sobre avaliação educacional e formação do pedagogo no Brasil, utilizando-se ainda de aplicação de questionários e de entrevistas semi-estruturadas que envolveu professores e alunos, com a finalidade de traçar o perfil do docente e discente do Curso de Pedagogia da UFU. Ainda estão prevista a realização de grupos focais, análise comparativa de planos de ensino dos professores, dentre outros. Como resultados da pesquisa, buscou-se, além de contribuir para a melhoria qualitativa da formação do pedagogo por meio de uma prática de estudos e reflexões sobre avaliação e currículo, desenvolver experiências de avaliação de curso, envolvendo discente e docentes, no interior de um Curso de Pedagogia. 
A aula universitária: espaço de parceria ou de resistência?, escrito por Marlene Correro Grillo e Valderez Marina R. Lima, é um estudo sobre a aula universitária entendendo-a como um espaço multifacetado e dinâmico onde sempre ocorre um encontro Desse encontro resulta uma tensão entre o projeto do professor e o do aluno que exige o dialogo para reconhecimento de expectativas mútuas. É apontada a necessidade da mediação docente que auxilia na conversão dos saberes historicamente construídos em conhecimento acadêmico, a fim de torná-los significativos ao aluno. É destacada, ainda, a importância de professores e alunos firmarem um contrato didático esclarecendo as responsabilidades recíprocas na busca da otimização da aprendizagem.
Diálogos epistemológicos nas licenciaturas: re-invenção e mediações em campos movediços?, escrito por Cleoni Maria Barboza Fernandes, a partir dos achados de uma pesquisa interinstitucional: A Licenciatura e a Resolução CNE/CP 2 de 19 de Fevereiro de 2002 –possibilidades e limites – reconfigurações de Projetos Pedagógicos, discute a dialogicidade como um imperativo de aprendizagem para professores e estudantes, com disponibilidade para o diálogo na concepção freireana, possibilidade humana e opção democrática nas relações humanas, histórica e culturalmente produzidas pela intencionalidade de efetivá-lo, tendo em vista a dificuldade que temos de escuta, escuta não como uma técnica e, sim como uma potencialidade humana a ser desenvolvida, para articular a formação específica e a formação pedagógica, em movimentos de relações humanas éticas e intencionais. A inserção da prática como componente curricular, presente na legislação dos cursos de formação de professores, as Licenciaturas, encaminha-nos para uma reflexão mais contextualizada no cenário das políticas públicas. Essas políticas públicas, que tratam da formação de professores, definem a necessidade de currículos organizados em processos que privilegiem a tematização dos conhecimentos escolarizados; dos saberes da experiência; da iniciação científica; da inserção no campo profissional desde o início do curso, articulando teoria e prática; do estágio supervisionado a partir da metade do curso; da identidade do curso de Licenciatura. As práticas que temos vivido revelam concepções de conhecimento, de aprendizagem e de sociedade, que se situam em um paradigma dominante de acordo com Souza Santos (1987) que privilegia dicotomia sujeito e objeto, mente e matéria, em que o conhecimento é coisificado e separado do processo de construção pessoal. A relação teoria e prática apresentam-se como um problema ainda não resolvido em nossa tradição filosófica, epistemológica, política e pedagógica, necessitando de um diálogo entre os diferentes campos epistêmicos e as estruturas de poder institucionais. 
A reestruturação das licenciaturas: lutas concorrenciais no campo universitário, escrito por Maria Helena G. Frem Dias da Silva e Luci Regina Muzzeti, pretende apontar e analisar alguns embates que foram desencadeados no cotidiano universitário a partir da exigência de reformulação dos cursos de licenciatura nas universidades públicas, impactadas pela necessidade de implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores. Apontando que a educação brasileira procurou forjar mudanças a partir da proposição de leis que se confrontam com sua cultura organizacional, o trabalho procura problematizar alguns embates enfrentados à luz da contribuição do conceito de luta concorrencial no campo universitário proposto por Pierre Bourdieu, mediante análise de relatos de reuniões e discussões que envolveram docentes das diferentes áreas do conhecimento realizadas em algumas Universidades públicas. Tendo em vista que os currículos escolares materializam poder simbólico e o campo universitário, ao hierarquizar seus objetos legítimos, historicamente constituiu uma grande diferenciação social entre a licenciatura e o bacharelado, talvez o lugar de autoridade científica ocupado pelo bacharelado tenha sido acirrado pela nova legislação que relega o conhecimento educacional sob o título de saberes pedagógicos. Nesse contexto, são destacadas algumas estratégias de manutenção empregadas pelos representantes dos cursos de bacharelado, que muitas vezes implicaram a desqualificação do trabalho e conhecimento desenvolvido pela área de Educação, que por sua vez tem reagido empregando estratégias de subversão que incluíram desde a produção de documentos até a criação de novos colegiados voltados às Licenciaturas. Ao final, as autoras questionam o conservadorismo da Universidade que, refém das lutas concorrenciais internas, pode estar comprometendo a construção de projetos político-pedagógicos efetivamente inovadores.
Estágio curricular supervisionado: uma parceria para a construção conjunta de saberes, escrito por Beatriz Maria Boéssio Atrib Zanchet, trata da investigação que examinou se, num trabalho desenvolvido em Prática de Ensino, estiveram presentes indicadores de que o estágio, discutido a partir das práticas que os futuros professores revelaram, proporcionou a construção de saberes nos sujeitos possibilitando-os pensar alternativas para o ensino da Matemática conectado com o mundo da vida e da cultura dos alunos. Verificaram que algumas dificuldades apontadas pelos estagiários em relação à prática pedagógica, estão atreladas à forte formação positivista que prepondera na Licenciatura em Matemática. A produção do conhecimento nessa investigação foi discutida a partir da perspectiva política-epistemológica freiriana, tendo no diálogo o princípio metodológico principal, em contraponto ao ensino positivista. Os resultados permitiram inferir que é possível compreender, através da reflexão na e sobre a prática que as ações do professor em sala de aula não são arbitrárias e que permitem a construção de saberes. Para isso é preciso que exista discussão entre saberes do cotidiano e da academia, entre a prática e a teoria, entra a prática e a práxis, entre a informação e o conhecimento como forma de exercício de troca compartilhada, com cumplicidade de saberes e de sonhos que se metamorfoseiam em novos saberes e em novos sonhos.
Os processos comunicativos, a formação de estereótipos e o fracasso escolar em matemática: a interpretação da teoria das representações sociais, escrito por Fátima Maria Leite Cruz e Lícia de Souza Leão Maia, apresenta os dados de pesquisa de uma tese de doutorado em educação, em andamento, que aborda a construção das representações sociais sobre o fracasso escolar em matemática. Partindo da concepção de que há uma multireferencialidade de influências na relação professor-aluno e na gestão da sala de aula, buscamos compreender os diversos pólos interconectados ao processo de aprendizagem. Em particular, focamos a dimensão psicossocial, presente nos processos interativos da educação escolar. A base conceitual de análise se apóia nos fundamentos teórico-metodológicos das representações sociais, segundo Serge Moscovici. Analisamos a objetivação de um conjunto de representações de professores e alunos sobre o aluno e o professor do contexto público e particular, sobre o professor de matemática e sobre a situação de reprovação e a reprovação em matemática. Através das ancoragens destas, levantamos as representações sociais sobre o fracasso escolar e decodificamos a teia de sentidos que são compartilhados nas práticas sociais e que servem de guia nas condutas. Os dados foram apreendidos, através de questionários de associação livre e de entrevistas coletivas que por meio da análise estatística e qualitativa das representações e suas diferenciações revelaram estereótipos sobre o desempenho e o contexto escolar do aluno da escola pública, sobre o professor de matemática e sobre a situação de fracasso escolar na disciplina matemática. Os conteúdos das falas de professores e alunos expressam como estes estereótipos podem contribuir na perpetuação do próprio fracasso e nas práticas de exclusão social, a partir da escolarização. 
Formação de educadores de jovens e adultos: que saberes privilegiam? quais excluem?, escrito por Rute Vivian Ângelo Baquero, problematiza o processo de formação do educador de jovens e adultos, examina as relações entre os saberes acadêmicos da formação e os saberes da experiência. Realizou entrevistas abertas, alunos de Pedagogia com experiência docente forma ouvidos e desenvolveu estudos no campo de Educação de Jovens e Adultos, em instituições de ensino superior, situadas na Grande Porto Alegre/RS. A análise dos depoimentos foi baseada no quadro de referência proposto por Gauthier (1998) a respeito do "reservatório dos saberes docentes" e os estudos de Davini (1995) sobre as "tradições da formação do educador". A autora destaca resultados preliminares que revelam desencontros entre o processo acadêmico de formação e as necessidades de formação colocadas pelos desafios da experiência no campo da Educação de Jovens e Adultos. Indicando, também, a necessidade de serem problematizados, nos processos formativos de Educação de Jovens e Adultos, a dimensão política dessa prática, os processos de pensamento característicos de populações adultas e relações entre saberes acadêmicos, saberes escolares e saberes populares.
Os textos apresentados neste livro, portanto, são fruto do esforço e do compromisso de pesquisadores da área de educação e formação de professores. Os estudos expressam diferentes práticas pedagógicas e, alguns deles foram apresentados, socializados e discutidos durante o XIII ENDIPE, ocorrido em Recife/Brasil, no período de 23 a 26 de abril de 2006. Os diferentes eixos temáticos reúnem pesquisas e trabalhos que explicitam a importância da escola enquanto espaço formativo, realizam uma reflexão e discussão sobre o currículo e a formação pedagógica, além de discutir diferentes embates provocados no cotidiano universitário sobre a questão das licenciaturas e o conhecimento. 


Mari Margarete dos Santos Forster e Cecilia Luiza Broilo

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Detalhes

SUMÁRIO 

  • APRESENTAÇÃO Mari Margarete dos Santos Forster e Cecilia Luiza Broilo 
  • PARTE UM
  • EIXO TEMÁTICO:
  • A ESCOLA COMO ESPAÇO FORMATIVO
  • A ESCOLA COMO ESPAÇO FORMATIVO: DISCUTINDO A (IN)DISCIPLINA ESCOLAR Mari Margarete dos Santos Forster, Denise Grosso da Fonseca e Juliana Burges Sbicigo 
  • PESQUISA DA REALIDADE - A ESCRITURA COTIDIANA COMO FATOR CENTRAL PARA A PRODUÇÃO CURRICULAR EM CIÊNCIAS NAS PRIMEIRAS SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL Gomercindo Ghiggi e Beatriz Maria Boéssio Atrib Zanchet 
  • VIDA E PROFISSÃO DAS PROFESSORAS DO VERDINHO Gildo Volpato 
  • PARTE DOIS
  • EIXO TEMÁTICO:
  • O CURRÍCULO E A FORMAÇÃO PEDAGÓGICA
  • (RE)PENSANDO O CURSO DE PEDAGOGIA: UM PROJETO INOVADOR DE FORMAÇÃO Cecilia Luiza Broilo 
  • A FORMAÇÃO PERMANENTE DOS PROFESSORES NA (RE)CONSTRUÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO: POSSIBILIDADES E DESAFIOS Maria de Fátima Barbosa Abdalla 
  • REFLEXÃO TEÓRICA SOBRE A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO: O PROJETO OFICIAL, O PROJETO DOS EDUCADORES E OS PROJETOS INSTITUCIONAIS Olg Teixeira Damis 
  • A AULA UNIVERSITÁRIA: ESPAÇO DE PARCERIA OU DE RESISTÊNCIA? Marlene Correro Grillo e Valderez Marina do Rosário Lima 
  • PARTE TRÊS
  • EIXO TEMÁTICO:
  • AS LICENCIATURAS E O CONHECIMENTO
  • DIÁLOGOS EPISTEMOLÓGICOS NAS LICENCIATURAS: RE-INVENÇÃO E MEDIAÇÕES EM CAMPOS MOVEDIÇOS? Cleoni Maria Barboza Fernandes 
  • A REESTRUTURAÇÃO DAS LICENCIATURAS: LUTAS CONCORRENCIAIS NO CAMPO UNIVERSITÁRIO Maria Helena Galvão Frem Dias-da-Silva e Luci Regina Muzzeti 
  • ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: UMA PARCERIA PARA A CONSTRUÇÃO CONJUNTA DE SABERES Beatriz Maria Boéssio Atrib Zanchet 
  • OS PROCESSOS COMUNICATIVOS, A FORMAÇÃO DE ESTEREÓTIPOS E O FRACASSO ESCOLAR EM MATEMÁTICA: A INTERPRETAÇÃO DA TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS Fatima Maria Leite Cruz e Lícia de Souza Leão Maia 
  • FORMAÇÃO DE EDUCADORES DE JOVENS E ADULTOS: QUE SABERES PRIVILEGIAM? QUAIS EXCLUEM? Rute Vivian Angelo Baquero 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Mari Margarete dos Santos Forster & Cecilia Luiza Broilo - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-57-3
Área (s) / Assunto (s) Licenciaturas, Formação de educadores, Currículo, Ensino superior, Pesquisa em escolas
Edição / Ano 1ª / 2008
Nº de Páginas 184
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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