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MUDANÇA SOCIAL NA AMÉRICA LATINA, TRABALHO ASSOCIADO E EDUCAÇÃO

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Candido Giraldez Vieitez & Neusa Maria Dal Ri


Este livro procura oferecer ao leitor um quadro das transformações ocorridas, nas últimas décadas, no trabalho associado na América Latina, marcado, também, pelo impulso do Movimento Operário e Popular em luta reivindicativa e de resistência ao capitalismo neoliberal, ao desemprego estrutural e à precarização do mercado de trabalho. Desse modo, procuramos analisar a atual conjuntura, o desenvolvimento do trabalho associado e sua associação com as lutas políticas dos movimentos dos trabalhadores. Analisamos, ainda, as novas relações de trabalho e de poder estabelecidas no interior das organizações, bem como as modificações nas relações de gênero e as propostas educacionais implantadas pelo trabalho associado.


Esta edição recebeu apoio do Grupo de Pesquisa Organizações e Democracia, UNESP, Campus de Marília.


 


 






 


 


Apresentação: 

Nos anos de 1990 e 2000, foram significativas as mudanças ocorridas nas conformações e intervenções do Movimento Operário e Popular (MOP), bem como no crescimento e desenvolvimento do trabalho associado na América Latina; fenômenos que resultaram, em grande parte, da resistência dos trabalhadores às políticas do capital.
Podemos dizer que, há mais de trinta anos, a conjuntura caracteriza-se por uma ofensiva do capital que vem atingindo todas as classes trabalhadoras tanto do Norte como do Sul, mas em especial aos povos da América Latina e da África. Essa ofensiva impõe uma gestão econômica de mercados desregulamentados em favor do capital; desmonta as conquistas sociais das classes trabalhadoras; reprime com violência as resistências populares; criminaliza os movimentos sociais e estudantis; cria fortes ideologias pró-capitalismo com o domínio da mass media e inicia guerras contra os países recalcitrantes.
Porém, a euforia do liberalismo não durou muito, uma vez que, em algumas décadas, as classes populares entraram no combate de oposição.
De uma maneira geral, a primeira onda de lutas surgiu no terreno da resistência e como resposta à ofensiva do capital. A resistência é contínua e as lutas desenvolvem-se tendo como aspecto principal o desafio imediato com o qual os povos se defrontam. Dessa forma, observamos reivindicações pela regulamentação do mercado, de promoção dos direitos das mulheres, em defesa do meio ambiente, pelo acesso à educação, pela reforma agrária, em defesa da qualidade dos serviços públicos, em defesa da democracia; e, muitas vezes, oposições armadas contra as agressões dos Estados Unidos e aliados. No entanto, todas essas lutas, diversas e aparentemente ímpares, frequentemente têm causas impulsoras comuns derivadas da ação do imperialismo neoliberal. 
Outro fato que podemos observar nas lutas de resistências é que as classes trabalhadoras inovaram. Os novos movimentos sociais que vão emergindo, na América Latina, aparecem tomados por formas originais de organização e, na maioria das vezes, de modo espontâneo. Essas novas forças estão promovendo o princípio fundamental da prática democrática, recusando a hierarquia vertical, promovendo formas de cooperação e solidariedade, e resgatando valores e culturas esmagados pelo capital. 
Dessa forma, avanços em direção à construção de uma alternativa ao capitalismo têm atualmente lugar na América Latina. Casos ocorridos no Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, México e Peru são produtos da radicalização de movimentos que atingiram o nível de intervenção crítica e que estão buscando ações coordenadas e unificadas.
Em meio a esse processo, crescem as organizações econômicas de trabalho associado, num primeiro momento, como uma forma de enfrentar o desemprego crescente e a precarização do mercado de trabalho. 
Em geral, as organizações de trabalho associado apresentam vários elementos inovadores que as diferenciam totalmente das empresas capitalistas. Elementos, tais como a ausência de trabalho assalariado, gestão dos trabalhadores, democracia interna, distribuição equitativa dos rendimentos, retiradas iguais entre homens e mulheres, investimentos educacionais, atos de solidariedade, entre outros fazem com que essas organizações tenham uma configuração e um modo operacional sui generis no mundo capitalista.
A constituição das organizações de trabalho associado ocorre, na maioria das vezes, em meio a um processo de luta social explícita. Entretanto, uma vez constituídas, a maior parte dessas organizações concentra-se nas atividades econômicas e batalham por sua sobrevivência. Uma parte delas, no entanto, além das atividades econômicas, passa a desenvolver atividades políticas ou a participar das lutas políticas da classe trabalhadora como, por exemplo, as fábricas que lutam pelo controle obreiro, contra o desemprego, por melhorias nos bairros, pela reforma agrária, pela educação, entre outras.
Este livro procura oferecer ao leitor um quadro das transformações ocorridas, nas últimas décadas, no trabalho associado na América Latina; marcado, também, pelo impulso do MOP em luta reivindicativa e de resistência ao capitalismo neoliberal, ao desemprego estrutural e à precarização do mercado de trabalho. Desse modo, procuramos analisar a atual conjuntura, o desenvolvimento do trabalho associado e sua associação com as lutas políticas dos movimentos dos trabalhadores.
Em seguida, fazemos uma apresentação dos textos que integram este livro, porém, em ordem cronológica e não na ordem em que aqui aparecem. A leitura na ordem cronológica em que os artigos foram escritos indica, de certa forma, o amadurecimento de nossas pesquisas e reflexões.
O livro compreende três partes. A Parte III, denominada Trabalho associado e as empresas de autogestão, apresenta dois artigos. Em Virtualidades político-sociais das organizações econômicas dos trabalhadores, procuramos demonstrar que as diversas organizações criadas pelos trabalhadores, sejam elas de natureza econômica ou outras, apresentam determinações básicas comuns. A maioria das organizações econômicas dos trabalhadores toma a forma de cooperativas. Desse modo, traçamos um paralelo entre os princípios das organizações dos trabalhadores e aqueles assumidos e disseminados pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI). Os princípios assumidos pela ACI surgiram em 1844, com a criação, pelos trabalhadores de Rochdale, na Inglaterra, de uma cooperativa de consumo. Entretanto, devemos enfatizar que, em Rochdale, esses princípios eram inseparáveis da condição operária. A ACI, que desde sua fundação foi dominada pelo socialismo utópico e pelos reformistas que acreditam ser possível reformar o capitalismo, tomou esses princípios e os generalizou de forma abstrata independentemente da origem de classe dos atores sociais. Esses princípios foram criados pelos trabalhadores, nasceram da cooperação dos operários e, portanto, em um terreno social específico. No entanto, ao serem tomados abstratamente pela ACI, puderam ser utilizados inclusive por cooperativas que integram capitalistas. Porém, o mais significativo nessa discussão é o fato de que as empresas autogestionárias trouxeram aportes que transcendem os princípios originários, tais como: a não utilização de trabalho assalariado; igualdade política e econômica; democracia direta, entre outros, o que diferencia substantivamente as organizações de trabalhadores das demais.
Em O processo de trabalho nas fábricas de autogestão, buscamos apresentar um quadro explicativo acerca dos elementos de democratização e (des) alienação presentes nas fábricas de autogestão e, ao mesmo tempo, dos elementos estratégicos que são entraves para o desenvolvimento autogestionário. Um dos elementos mais importantes que entrava o processo de democratização e (des) alienação é o processo de trabalho. Neste artigo, defendemos que, em oposição ao controle do capital exercido sobre os trabalhadores nas fábricas de autogestão, esboça-se uma nova categoria denominada por nós de regulação. A regulação traz importantes elementos novos para as relações de produção nas fábricas, tais como: prática das assembleias gerais; diminuição e substituição das chefias por coordenações; introdução do trabalho polivalente e da rotação nas funções; cadências e ritmos de trabalho auto-regulados, etc. Todos esses fatores contribuem, sem dúvida, para a democratização endógena e a (des) alienação dos trabalhadores. No entanto, é preciso observar que as empresas de autogestão continuam sendo produtoras de mercadorias, produtoras de valor e integram o mercado. Dessa forma, em contradição com os elementos democráticos endógenos, há uma forte pressão externa, situada na lógica de produção de mercadorias, que exerce uma poderosa coerção antidemocrática que atinge as empresas de autogestão, resultando em tendências degenerativas da democracia autogestionária.
Na Parte II, intitulada Educação, trabalho e gênero, oferecemos mais dois artigos. No artigo denominado Educação e relações de trabalho nas organizações autogestionárias, apresentamos as modificações operadas nas empresas de autogestão, em especial, aquelas relacionadas a questões como etnia, gênero, novo conceito de poder, solidariedade e ações educacionais. As empresas de autogestão têm não apenas demonstrado uma forte preocupação com a educação como a compreendem como um setor estratégico para o desenvolvimento da autogestão e para a própria sobrevivência dos empreendimentos. No entanto, e em contradição com essa manifestação, as ações educacionais voltadas especificamente para o cooperativismo autogestionário nas empresas são praticamente inexistentes. Apresentamos, no artigo, exemplos de ações desse tipo, como as desenvolvidas pelo Instituto de Educação Josué de Castro, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Cooperjovem, projeto de ensino desenvolvido em escolas públicas por uma Cooperativa de Gráficos de Brasília, ligada à Organização de Cooperativas Brasileiras. Porém, notamos que essas práticas são muito diferenciadas. Enquanto que a experiência desenvolvida pelo MST tem como referência a gestão democrática com disseminação dos valores e práticas da democracia direta e da luta de classes, o projeto Cooperjovem tem por objetivo a transmissão dos valores cooperativistas tradicionais que tanto podem servir às organizações dos trabalhadores como às capitalistas. Embora não mencionado no texto, observamos que também a Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Autogestão não apenas valoriza as ações educacionais como desenvolveu programas desse tipo junto às empresas filiadas a ela.
Em Trabalho, gênero e educação nas organizações autogeridas, os conceitos teórico-práticos apontados no título são colocados em epígrafe e analisados à luz das relações de poder e das modificações nas relações de trabalho encontradas nas empresas de autogestão. Embora a ideologia dominante na sociedade permeie também a mentalidade e as relações estabelecidas entre os associados nas empresas de autogestão, surgem vários elementos inovadores, tais como: ambiente mais igualitário; remuneração igual para homens e mulheres; maior acesso das mulheres a funções de responsabilidades e a cargos de chefia; reeducação imanente às novas relações sociais estabelecidas, entre outros. Ainda, neste texto, dialogamos com diversos autores, dentre os quais destacamos Mendel e Vogt que escreveram obra intitulada Manifesto da educação. Nesse livro, os autores defendem a tese de que a questão do poder transcende as instâncias do Estado e das relações de produção, incidindo diretamente sobre a socialização primária dos indivíduos. Não concordamos com essa tese dos autores, pois a produção e a reprodução, juntamente com a distribuição e o consumo, são momentos integrantes da produção e, como tais, são produção e reprodução da vida humana em determinada sociedade. Ainda que esses momentos estejam ligados mais diretamente ao trabalho, permeiam toda a sociedade e alcançam evidentemente a socialização primária.
Por último, embora apresentada em primeiro lugar, encontra-se a Parte I denominada Trabalho associado, luta política e transformação social na América Latina na qual incorporamos três artigos. Nesses textos, apresentamos ao leitor, a partir de pesquisas empíricas realizadas em várias fábricas de trabalho associado da Argentina, Brasil e Venezuela, análises de experiências e práticas autogestionárias em fábricas de autogestão, fábricas ocupadas e bajo control obrero, empresas estatizadas e cooperativas agropecuárias do MST. 
Em A fábrica recuperada Zanón - Cooperativa FaSinPat, relatamos e analisamos a experiência de ocupação e de luta da Fábrica Zanón, indústria de cerâmica, tomada pelos trabalhadores de Neuquén em plena crise argentina de 2001. Os proprietários fecharam a fábrica e os trabalhadores a colocaram em funcionamento para salvar 260 postos de trabalhos. Nos mais de oito anos de luta, os trabalhadores da FaSinPat (Fábrica Sem Patrão) sofreram boicotes, várias tentativas de despejo e de leilão por parte do poder constituído. A fábrica sobreviveu com a gestão operária contando com forte apoio e solidariedade de movimentos sociais e da comunidade local. O lema da FaSinPat é Zanón é do povo, o que significa que a fábrica sob controle dos trabalhadores pertence ao povo. A experiência de Zanón é importante para nossas reflexões, pois, ela situa-se no rol de organizações que apresentam, em sua atuação e composição, elementos democráticos inovadores e forte interação política e de solidariedade com a comunidade local e com movimentos sociais, inclusive internacionais.
No momento em que coletamos os dados para escrever o artigo denominado O controle dos trabalhadores na CIPLA – Indústria de Plástico, a referida fábrica encontrava-se sob controle dos trabalhadores. O objetivo desse texto é oferecer ao leitor uma descrição e análise acerca da tomada da fábrica, da organização do controle exercido pelos trabalhadores e do desenvolvimento de sua democracia e luta política. Embora a maior parte das unidades de trabalho associado não esteja envolvida na luta política do movimento operário e popular na América latina, o que seria desejável e até mesmo imprescindível, o caso da Cipla é um exemplo interessante desse tipo de participação ativa. 
No texto mais longo e denso do livro, intitulado Trabalho associado, luta política e transformação social, defendemos a tese de que o engajamento das organizações de trabalho associado nos movimentos políticos populares é praticamente uma condição para a preservação de sua democracia interna, bem como para o seu aporte à construção de uma sociedade igualitária e democrática. Porém, apenas uma parte dos empreendimentos integra-se à luta. Dessa forma, o principal objetivo desse texto é o de explicitar e analisar os determinantes que levam uma organização de trabalho associado à luta política e à participação nos movimentos sociais.
Por fim, num período de crise do capital e com tantas e agudas transformações, esperamos poder oferecer ao leitor um balanço das últimas décadas, fundamental para podermos entender o desenvolvimento e o possível potencial transformador e de transição do trabalho associado na América Latina, assim como os seus desafios e perspectivas para as próximas décadas.

Candido Giraldez Vieitez
Neusa Maria Dal Ri



capa

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Detalhes

SUMÁRIO

  • Apresentação 
  • Parte I - Trabalho associado, luta política e transformação social na América Latina
  • 1. Trabalho associado, luta política e transformação social 
  • 2. O controle dos trabalhadores na CIPLA - Indústria de Plásticos
  • 3. A fábrica recuperada Zanón - Cooperativa FaSinPat 
  • Parte II – Educação, trabalho e gênero
  • 4. Trabalho, gênero e educação nas organizações autogeridas 
  • 5. Educação e relações de trabalho nas organizações autogestionárias 
  • Parte III - Trabalho associado e as empresas de autogestão
  • 6. O processo de trabalho nas fábricas de autogestão 
  • 7. Virtualidades político-sociais das organizações econômicas dos trabalhadores 
  • Considerações Finais 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Candido Giraldez Vieitez & Neusa Maria Dal Ri
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-72-6
Área (s) / Assunto (s) América Latina, Sociologia da educação, Movimentos sociais, Mudanças sociais, Políticas de trabalho, Formação de educadores.
Edição / Ano 1ª / 2009
Nº de Páginas 240
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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