Bem Vindo!

NELSON RODRIGUES: o inferno de todos nós

Seja o primeiro a comentar este produto

Disponibilidade: Em estoque

R$39,00
OU

Descrição Rápida

Carla Souto


O livro, voltado principalmente para o ensino superior em Artes Cênicas, Letras e Literatura Brasileira, investiga as travessias de Nelson Rodrigues pelo trágico. Desvela a construção das relações familiares em cinco de suas peças: "Álbum de família", "Senhora dos afogados", "Anjo negro", "A serpente" e "Dorotéia", com a finalidade de salientar um universo ficcional que atravessa as fronteiras convencionais do gênero, criando, com base na família, uma tragédia genuinamente nacional. Nas interações humanas, surge o conflito consigo mesmo, que tanto tortura os indivíduos e os leva à transgressão. O convívio familiar é cercado de tabus e interdições, que tornam a proximidade com o outro uma fonte constante de angústia e sofrimento, posteriormente reproduzidos em todas as demais relações. Também são enfatizadas as características únicas que marcam o estilo do dramaturgo e conferem originalidade às obras, fortemente marcadas pelo diálogo fluente capturado do cotidiano, provocando reflexões sobre a sociedade e a cultura nacionais. 

Segundo Ronaldo Lima Lins (Professor Titular de Teoria Literária da Faculdade de Letras da UFRJ), Carla Souto realizou a tarefa difícil e pouco tentada ainda hoje de examinar com profundidade as tragédias (também chamadas de textos míticos) do nosso principal dramaturgo.

***

Beatriz Resende (Pesquisadora do CNPq e PACC da UFRJ e Professora da Escola de Teatro da UFRJ) ressalta que merece especial destaque o estudo que Carla Souto faz de Nelson Rodrigues. Na obra teatral de nosso dramaturgo maior, esta jovem ensaísta escolhe investigar justamente as tragédias, desde as primeiras, como Álbum de família e Anjo Negro, até a última, A serpente, em que Nelson retoma o modelo trágico aristotélico. Como se fosse pouco tal desafio, Carla Souto prioriza, em sua investigação, o tema da família neste universo. É justamente aí que o estudo oferece aos estudiosos de Nelson Rodrigues uma análise original desta "dor obscena e terrível" que atravessa a obra e respinga no leitor.

***

Luiz Edmundo Bouças Coutinho (Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura da UFRJ) salienta que Nelson Rodrigues é um autor que sempre despertou muito interesse, até mesmo por ter uma obra que foi muitas vezes censurada e que com o passar dos anos não perdeu a capacidade de gerar polêmica. Apesar disso, a quantidade de estudos dedicados ao autor que chegam a ser publicados é bem pequena. Um trabalho com a profundidade da pesquisa de Carla Souto merece lugar dentre tais publicações.

***

"Ao abrir o livro [...] o leitor se depara com uma dedicatória curiosa: "Aos meus pais, casal de uma felicidade recíproca e total." A frase perde seu caráter corriqueiro quando o mesmo leitor termina a última página, encerrando uma absorvente análise sobre a importância, na obra de Nelson Rodrigues, das relações familiares [...]."
Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo - Caderno 2


 


 


 




 


 


 


PREFÁCIO

Em 2002, depois de ter montado Bonitinha, mas Ordinária, Beijo no Asfalto, Perdoa-me por me Traíres e uma coletânea de cenas chamada "As Meninas de Nelson" (com a Cia. Delas), começou a formar-se em minha mente a idéia de um espetáculo que reunisse toda a obra teatral de Nelson Rodrigues. A tentativa era a de levar ao público a evolução da dramaturgia rodriguiana através dos quase quarenta anos que separavam A Mulher Sem Pecado (1941) de A Serpente (1978), além da busca do conceito de que o dramaturgo, muito além de querer simplesmente chocar e provocar polêmicas, procurava incansavelmente trazer a estética trágica para dentro da família brasileira, criando assim a tragédia nacional.
Eduardo Tolentino de Araújo (diretor do Grupo Tapa) disse em um dos debates promovidos pela AntiKatártiKa Teatral que, quando trabalhamos com Nelson Rodrigues, devemos nos preparar para as coincidências que o seu universo nos trará. Penso que coincidências são determinados estados de consciência que nos conectam com aquilo que mais profundamente perseguimos. E foi em uma dessas procuras que encontrei solitário na prateleira de uma livraria um exemplar de Nelson "Trágico" Rodrigues, de Carla Souto.
Aquele "Trágico" de primeira chamou minha atenção e comecei a lê-lo ali mesmo, no corredor. Carla abordava de forma ágil, profunda e simples, as quatro tragédias de Nelson, que conhecemos como "peças míticas" na classificação de Sábato Magaldi: Álbum de Família, Anjo Negro, Senhora dos Afogados e Dorotéia. Este livro, além de vir ao encontro de tudo que me intrigava e inspirava em Nelson, forneceu-nos algumas chaves de interpretação.
Três anos depois, Carla e seu novo livro: Nelson Rodrigues: o inferno de todos nós, deram-nos a coragem do mergulho na idéia da tragédia nacional, muito além dos muros dos subúrbios cariocas. Assim, lancei-me junto com a AntiKatártiKa Teatral no admirável caminho do espetáculo 17 X Nelson – O Inferno de Todos Nós, que estreamos em outubro de 2005, no porão do Teatro Fábrica SP. A montagem era formada por uma cena de cada uma das dezessete peças de Nelson Rodrigues. Além do subtítulo do espetáculo, Carla Souto e suas pesquisas nos mostraram que subvertendo os signos clássicos da tragédia e lançando-os dentro da família brasileira, Nelson Rodrigues tornou-os universais.
Na visão da autora, Nelson despe suas personagens dos mecanismos de censura moral adquiridos pelos homens com o advento da civilização, tornando impossível o convívio entre elas. Desta forma, são regidas por seus instintos e sentimentos mais primários, o que resulta inevitavelmente em tragédia, já que as leis sociais e morais foram criadas para regular os conflitos entre as pessoas. As máscaras em suas tragédias (Nelson as pede em Dorotéia e Senhora dos Afogados) têm o sentido ambíguo entre o símbolo clássico e o popular, como a cara que usamos para não nos mostrarmos como realmente somos (em Bonitinha, mas Ordinária Aurora diz: "Ora, Ritinha! deixe de máscara."). E o inferno é a relação com o outro. Portanto, o lugar onde essas relações são mais intensas é o núcleo familiar.
Aqui neste novo trabalho, Carla mergulha profundamente nas relações entre as crônicas, peças e entrevistas de Nelson Rodrigues, traçando uma linha consistente que une os infinitos signos rodriguianos para alçá-lo à condição de "grande poeta e pensador do universo brasileiro". Sem esquecer suas ligações com a modernidade, já que Nelson Rodrigues revolucionou nosso teatro, quando em 1943 escreveu Vestido de Noiva. E nunca mais deixou de provocar o status quo vigente.
Para Adorno, "se a arte mostrar o mundo em toda a sua carga de violência, o choque resultante pode levá-lo à uma revolta contra a injustiça, sendo esta a sua verdadeira contribuição à libertação dos homens." Carla nos mostra aqui como esse dilema da arte moderna se realiza dentro da obra de Nelson Rodrigues, que criou o seu "teatro desagradável" nos dando a dimensão exata de uma construção sobre ruínas da arte moderna, apropriando-se de elementos colhidos na tragédia ática, como o coro, as máscaras e até mesmo o tema do incesto. Mas subverte totalmente a concepção clássica de clareza cênica optando pelo exagero, pela repetição, como se os elementos trágicos tivessem perdido a força e nenhum impacto causasse isoladamente (palavras de Carla). Voltando às coincidências, Carla Souto tornou-se colaboradora de nossa companhia e irmã em afinidades de pensamento. Daquelas irmãs que encontramos depois de certo tempo e que só as coincidências rodrigueanas podem reunir novamente.

Nelson Baskerville
Diretor da AntiKatártiKa Teatral


=================================

Na imprensa:

O Estado de S.Paulo

Sábado, 7 abril de 2007 
CADERNO 2 

"Tragédias genuinamente nacionais, por Nelson Rodrigues"

O Inferno de Todos Nós, obra da pesquisadora Carla Souto, que analisa todas as peças do dramaturgo, será lançada hoje 


Ubiratan Brasil 

Ao abrir o livro Nelson Rodrigues: O Inferno de Todos Nós (Junqueira&Marin Editores), da pesquisadora Carla Souto, o leitor se depara com uma dedicatória curiosa: "Aos meus pais, casal de uma felicidade recíproca e total." A frase perde seu caráter corriqueiro quando o mesmo leitor termina a última página, encerrando uma absorvente análise sobre a importância, na obra de Nelson Rodrigues, das relações familiares, universo ficcional que atravessa as fronteiras convencionais do gênero e cria uma tragédia genuinamente nacional.

O livro será lançado hoje, a partir das 16 horas, no Teatro Júlia Bergmann, espaço com o qual tem uma íntima relação - ali, está em cartaz a peça 17 X Nelson, com o grupo AntiKatártiKa Teatral, que se inspirou no trabalho de Carla para montar o trabalho, uma coletânea de cenas de todas as 17 peças de Nelson Rodrigues. "Ela e suas pesquisas nos mostraram que, subvertendo os signos clássicos da tragédia e lançando-os dentro da família brasileira, Nelson Rodrigues tornou-os universais", comenta Nelson Baskerville, diretor da AntiKatártiKa. 

A pesquisadora decidiu investigar todas as peças trágicas do dramaturgo, desde as primeiras, como Álbum de Família e Anjo Negro, até a última, A Serpente. Seu foco era o tema da família neste universo. Carla partiu do pressuposto de que há, na cultura brasileira, uma recusa quase constante ao trágico. Apesar do convívio cotidiano com exemplos contemporâneos do trágico, o brasileiro prefere se ver sob outra ótica.

"No Brasil, não havia tragédia no teatro, então o dramaturgo se propõe a criá-la com a nossa cara", escreve ela. "Seu fascínio pelo clássico mexe mais profundamente nos questionamentos humanos." Assim, Carla começou estudando as personagens das peças, homens e mulheres que "não podem alcançar a felicidade por causa de uma castração que sofrem, uma amputação que lhes retira uma parte que seria essencial à sua integridade física ou moral". Incompletas, essas personagens são incapazes de atingir a realização, tendendo assim para o caminho inevitável da tragédia.

A partir desse raciocínio, Carla percebeu que tudo apontava para um estudo da construção das famílias trágicas. "A importância do tema cresce ainda mais quando nos deparamos com uma sociedade individualista, que não permite muita franqueza e tampouco demonstrações de fragilidade", aponta. "O grupo familiar, embora se afigure como o único local seguro para o sujeito, ao mesmo tempo em que abriga é fonte de sofrimentos."

Carla observa que a formação da família nas tragédias de Nelson é alicerçada por silêncios e negações, com atitudes encadeadas sem nenhum processo de reflexão. "Desde seu início, apresenta lacunas que acabam sendo preenchidas de modo completamente improvisado pelos sentimentos que vão surgindo sem poder ser controlados."

A pesquisadora aponta também a idéia que o dramaturgo tinha de grupo familiar, utilizando desde um modelo patriarcal, que representava uma parcela da cultura escravocrata e latifundiária rural do nordeste do País, até as várias formas e desenhos atuais, em que ocorreu a diluição de um padrão tradicional, embora ele ainda persista com vários outros padrões. Nelson conseguia mostrar que modernidade e tragédia não são incompatíveis, pois o conflito está na relação com o outro, o que o torna eterno e insolúvel. O título do livro foi retirado de uma coletânea das mil melhores frases de Nelson Rodrigues, em que o autor declara que "a família é o inferno de todos nós". 

(SERVIÇO)
O Inferno de Todos Nós. Junqueira& Marin. 232 págs. R$ 37. Teatro Júlia Bergmann. Rua Cruzeiro, 256, 3392-4240. Hoje, 16h

capa

Mais Visualizações

Detalhes

SUMÁRIO 

  • PREFÁCIO 
  • INTRODUÇÃO 
  • A NUDEZ FEIA 
  • A DOR OBSCENA E TERRÍVEL 
  • OS DOIS ÓDIOS SE TORNAM ÍNTIMOS 
  • UM FULMINANTE MINUTO DE AMOR 
  • O MAIS DEGRADADO DOS BENS 
  • CONCLUSÃO 
  • BIBLIOGRAFIA 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Carla Souto
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-39-9
Área (s) / Assunto (s) Ensino da literatura, Currículo, Formação de Educadores, Ensino superior, Artes cênicas, Crítica literária.
Edição / Ano 1ª / 2007
Nº de Páginas 232
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

Tags do Produto

Utilize espaços para separar tags. Utilize aspas simples (') para frases.