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O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA E SEUS SABERES PROFISSIONAIS

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Descrição Rápida

Cecília Maria Ferreira Borges


´O Professor da Educação Básica e seus Saberes Profissionais´ mostra uma análise da composição dos saberes, a partir da visão de professores de 5ª a 8ª séries da escola fundamental, focalizando tanto sua formação quanto seu trabalho. Assim, aborda a aprendizagem do trabalho docente, os saberes na base do ensino e a relação entre componentes disciplinares e atuação docente.
É uma contribuição relevante para a valorização de professores, tanto os que estão atuando quanto aqueles em formação inicial pelo estudo dos diferentes componentes de seus saberes.


 


 


 






 


PREFÁCIO

A pesquisa realizada por Cecília Borges, agora transformada em livro, responde diretamente à exortação de Donald Schön sobre a importância de se investigar o saber desenvolvido por profissionais em sua prática, revelando-os ao público, tornando-os acessíveis, disponíveis e mesmo desmistificados aos olhos dos próprios profissionais. Pelo ângulo do público, esse saber ganharia assim o respeito e a consideração que sempre mereceu, como decorrente do trabalho de um grupo profissional, na melhor acepção desse termo. Aos olhos dos próprios profissionais, a desocultação desse saber, pela pesquisa, desencadearia uma corrente mobilizadora de todo o grupo, em direção à posse do status que merece pelo serviço que presta à sociedade. No caso dos professores, esse saber esteve em geral oculto, embora sempre presente, informando e orientando as atividades desse grupo de trabalhadores, no cumprimento de suas indispensáveis funções na construção da sociedade. Em nosso país, fomos despertados para a importância e urgência do estudo sobre o saber docente há pouco mais de dez anos, pelo artigo de Tardif, Lessard e Lahaye, de 1991. A partir de então esse tema passou a ser assunto de debates freqüentes na comunidade educacional, como um novo campo de estudos. Cecília foi atraída para ele já em seu trabalho de mestrado, quando investigou a construção do saber próprio de professores de Educação Física. Em seu doutorado, ela partiu da bagagem acumulada com o estudo anterior e avançou para outro bem mais amplo. Com muito cuidado e propriedade ela se propôs, então, investigar a composição desse saber, na visão de professores responsáveis pelo conjunto de disciplinas que integram o ensino fundamental, da 5ª à 8ª série, exatamente na fase em que ele se diversifica, para introduzir os alunos na variedade de saberes sobre os quais se construirá sua participação na sociedade, ou sua cidadania, se quisermos acenar para uma imagem de conotação política mais explícita. Para responder devidamente a esse desafio, Cecília tratou de localizar fontes seguras e confiáveis, que pudessem dar testemunho vivo do processo de composição desses saberes. Encontrou-as em um grupo seleto de professores, que se tornaram verdadeiros parceiros de seu estudo, na medida em que com ela pensaram, discutiram, analisaram e, sobretudo, refletiram sobre o tema, tão próximo à sua realidade cotidiana, mas tão surpreendente para quase todos, que confessaram nunca ter atentado para ele. Eis aí um dos valores supostos por Schön, ao recomendar a investigação sobre o saber de profissionais: o de revelá-lo aos seus próprios detentores. Outro aspecto qualifica esses professores quase como co-autores da pesquisa, já que foram eles os responsáveis pela formação do grupo de informantes, ao irem sucessivamente indicando à pesquisadora os colegas que por certo dariam a contribuição necessária ao seu desenvolvimento. Neste ponto é oportuno ressaltar o acerto de orientar a escolha do grupo de informantes a partir dessa estratégia. Ela assegurou a participação de professores que provavelmente teriam grande contribuição a oferecer, seja pela própria formação e experiência docente, seja pelo interesse e disponibilidade de colaborar no estudo. Com a garantia de terem sido indicados por conhecedores do campo e de seus profissionais, como também dos objetivos do estudo. Foi muito feliz essa decisão de Cecília, podendo servir de exemplo para outras pesquisas com abordagens qualitativas, que se debatem com problemas de amostragem. Ao pesquisar sobre o saber docente, com grande segurança nesse domínio, Cecília atendeu muito bem às exigências acadêmicas, mas, igualmente, ofereceu uma contribuição relevante à valorização do grupo de profissionais focalizados pelo estudo: os professores. Tanto os que estão exercendo o magistério, ao verem revelado esse importante aspecto da sua profissão, o seu saber, quanto os futuros professores, que podem se beneficiar durante a sua formação dos esclarecimentos trazidos pelo estudo sobre os diferentes componentes desse saber. A pesquisa deixa bem clara a importância de oferecer ao professor em formação oportunidades de contato com todos os seus vários componentes, freqüentemente deixados de lado em favor dos aspectos mais ligados aos conteúdos acadêmicos. A revisão exaustiva da literatura pertinente, as finas análises teóricas, a atenção aos aspectos metodológicos e, sobretudo, a opção por um tema central ao processo de valorização profissional dos professores, caracterizam a pesquisa de Cecília como exemplar. Estudos como esse justificam, valorizam e estimulam o empenho na formação de novos doutores.
Menga Lüdke
Rio de Janeiro, março de 2003


APRESENTAÇÃO



O tema dos saberes docentes encontra-se no centro das reformas atuais da formação de professores da Educação Básica. Fala-se em conhecimentos, competências ou saber-fazer, saberes que os professores devem adquirir e que se encontram na base de sua profissão. Além disso, com base na figura do prático reflexivo, diz-se que os professores produzem um saber e que eles próprios devem assumir a responsabilidade sobre os seus processos formativos, particularmente quanto ao desenvolvimento de capacidades que lhes permitam refletir e deliberar, tanto sobre a sua prática quanto sobre as finalidades a ela relacionadas, e isso com base em princípios éticos e epistemológicos, a fim de agir de forma consciente e consistente (Laranjeira et al, 1999).
O interesse recente sobre o tema dos saberes dos docentes no âmbito das reformas brasileiras, contudo, insere-se em um contexto maior, no qual, há mais ou menos duas décadas, ele vem sendo tratado. Estando na base das reformas já implementadas em muitos países, na América do Norte e na Europa, a preocupação com os saberes dos professores vem ocupando um lugar central nas pesquisas sobre o ensino e constituindo um vasto e rico campo de estudos (Wittrock, 1986; Houston et al, 1990; Shulman, 1986a, 1986b e 1987; Gauthier, Tardif e Mellouki, 1993; Sikula, 1996; Gauthier et al, 1998; Tardif, Lessard e Gauthier, 1998; Tardif e Lessard, 1999; Paquay, Altet, Charlier e Perrenoud, 1996; Richardson, 2001; Tardif, 2000a, 2000b, 2000c, 2001 e 2002; Tardif e Borges, 2001 etc.).
Mas que sabem os professores? Que saberes estão na base da profissão docente? Trata-se de um conjunto de conhecimentos e competência? Ou trata-se de um saber-fazer, de atitudes e posturas? Onde são adquiridos esses conhecimentos? Na formação inicial e contínua? Na experiência profissional? Ou, ainda, em outros lugares? Qual a relação desses saberes profissionais com os saberes acadêmicos, disciplinares, oriundos das Ciências Sociais e Humanas que estão na base das Ciências da Educação?
Essas questões, entre outras, têm ocupado o debate nacional e internacional e mobilizado grupos de pesquisadores, formadores de professores e políticos engajados na educação e nos sistemas de ensino. Elas também estão no centro dessa investigação e constituem o pano de fundo no qual tem origem este trabalho.
Este estudo, realizado durante meu doutorado no Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, situa-se, portanto, no âmbito das pesquisas contemporâneas sobre o ensino, mais particularmente dos estudos que se interessam pelos saberes, formação e trabalho dos docentes. Trata-se de uma investigação sobre os saberes em relação à problemática dos componentes disciplinares que intervêm na formação e no trabalho dos professores da Educação Básica do Ensino Fundamental de 5ª. a 8ª. série: formação disciplinar, disciplinas ensinadas ou matérias escolares, estrutura curricular disciplinar, orientações disciplinares. Em síntese, eu me interesso pelo que os docentes dizem sobre os seus saberes, e isso em relação aos componentes disciplinares presentes, tanto na sua formação, como no seu trabalho.
Como mostrarei nos capítulos seguintes, esta investigação comporta três eixos de análise oriundos de questões específicas, cuja importância é posta em evidência pela literatura científica sobre o ensino nesses últimos anos. O primeiro concerne à aprendizagem do trabalho docente, e à relação entre os componentes disciplinares e os demais componentes (pedagógicos e práticos) presentes na formação dos docentes de 5ª. a 8ª. série. O segundo diz respeito aos saberes na base do ensino. A partir da formação e da experiência profissional, visa aos saberes que os professores apontam como fundamentais no seu trabalho. O terceiro aborda o trabalho curricular, isto é, a relação entre os componentes disciplinares e a atividade docente, quanto ao trabalho no âmbito da estrutura curricular do ensino Fundamental de 5ª. a 8ª. série.
Considerando os três eixos acima, este trabalho está dividido em seis capítulos. No primeiro (Capítulo 1), situo as discussões recentes no campo dos saberes, formação e trabalho dos docentes, com o objetivo de delimitar minha problemática de estudo, bem como de introduzir as questões de pesquisa a ela relacionadas. No Capítulo 2, apresento as orientações teórico-metodológicas que estão na base de minha investigação, e, na seqüência, relato o seu desenvolvimento. Fechando o capítulo, traço um breve perfil dos professores entrevistados.
O Capítulo 3 trata do primeiro eixo de investigação, a aprendizagem do trabalho docente. Nele focalizo onde e como os docentes aprenderam a ensinar, particularmente, coloco em evidência algumas tensões relativas à formação inicial e à aprendizagem do métier1. No Capítulo 4, trato dos saberes na base da profissão. Nele procuro encontrar que saberes são para os docentes o alicerce do seu trabalho e atuação profissional. Busco, também, identificar as fontes das quais se originam seus saberes, bem como suas características. No Capítulo 5, discuto o trabalho curricular, em especial os usos que os professores fazem dos programas, compreendidos como uma de suas ferramentas de trabalho, e focalizo como os professores concebem seus saberes, seu ensino e a si próprios frente ao trabalho e às finalidades escolares.
Finalmente, nas Considerações Finais, retomo os principais achados, em cada um dos eixos que me propus analisar, e indico alguns questionamentos que emergem deste estudo em relação ao contexto atual das reformas da formação de professores.
Antes de concluir essa apresentação, gostaria de expressar os mais sinceros agradecimentos a Maurice Tardif, pela interlocução no campo de estudo dos saberes docentes e pelo apoio incondicional, amor e paciência durante todas as fases de elaboração deste trabalho; a Menga Lüdke, pela sua orientação, dedicação e investimento em diferentes etapas de meu percurso investigativo; aos colegas e amigos da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e do Centre de Recherche sur la formation et la profession enseignante (CRIFPE) da Universidade Laval e da Universidade de Montreal, pela intensa interlocução e parceria; aos meus familiares, pelo apoio incondicional mesmo á distância; e, finalmente, um agradecimento muito especial, aos vinte e três professores que aceitaram participar desta pesquisa, partilhando e confiando a mim seus saberes, suas esperanças e, sobretudo, a crença de que uma educação de maior qualidade é possível.

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Detalhes

SUMÁRIO

  • Prefácio Menga Lüdke
  • Apresentação 
  • 1 - OS SABERES, A FORMAÇÃO E O TRABALHO DOS DOCENTES 
  • 1.1. - AS PESQUISAS SOBRE OS SABERES, A FORMAÇÃO E O TRABALHO DOS DOCENTES 
  • 1.2. - A EMERGÊNCIA DO TEMA NO CONTEXTO ATUAL 
  • 2 - INVESTIGANDO OS SABERES DOS DOCENTES 
  • 2.1. - OS SABERES DOS DOCENTES COMO OBJETO DE ESTUDO 
  • 2.2. - CONVERSANDO COM OS DOCENTES SOBRE OS SEUS SABERES 
  • 2.3. - O PERCURSO DURANTE A INVESTIGAÇÃO 
  • 3 - ONDE E COMO OS PROFESSORES APRENDERAM A ENSINAR? 
  • 3.1. - OS SABERES DOS DOCENTES, A FORMAÇÃO INICIAL E OS SABERES DA EXPERIÊNCIA 
  • 3.2. - O PAPEL DA FORMAÇÃO INICIAL NA EDIFICAÇÃO DOS SABERES DOS DOCENTES 
  • 3.3. - COMPONENTES DISCIPLINARES, PEDAGÓGICOS E PRÁTICOS NA FORMAÇÃO INICIAL 
  • 3.4. - É PRECISO TALENTO PARA ENSINAR... E OS SABERES? E AS COMPETÊNCIAS? 
  • 3.5. - ONDE E COMO MEUS DOCENTES APRENDERAM A ENSINAR? 
  • 4 - OS SABERES NA BASE DA PROFISSÃO 
  • 4.1. - UMA DIVERSIDADE DE SABERES 
  • 4.2. OS DIFERENTES SABERES E O ENSINO 
  • 4.3. - AS FONTES SOCIAIS DOS SABERES DOS DOCENTES E SUAS CARACTERÍSTICAS 
  • 4.4. - OS SABERES NA BASE DA PROFISSÃO 
  • 5 - OS DOCENTES FRENTE AO TRABALHO CURRICULAR 
  • 5.1. - ENSINAR É SEGUIR UM PROGRAMA 
  • 5.2. - ENTRE A INSTRUÇÃO E A FORMAÇÃO DOS ALUNOS 
  • 5.3. - ESPECIALISTAS DO ENSINO? 
  • 5.4. - COMO OS PROFESSORES SE SITUAM FRENTE AO TRABALHO CURRICULAR? 
  • CONSIDERAÇÕES FINAIS 
  • BIBLIOGRAFIA 

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Cecília Maria Ferreira Borges
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 85-86305-23-5
Área (s) / Assunto (s) Educação
Edição / Ano 1ª / 2004
Nº de Páginas 320
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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