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OBJETOS PEDAGÓGICOS – uma experiência inclusiva em oficinas de artes

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Descrição Rápida

Geovana Mendonça Lunardi Mendes, Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva & Regina Finck Schambeck


As discussões em torno da inclusão de sujeitos com deficiência na rede regular de ensino ainda carecem de referenciais didáticos e metodológicos. Visando contribuir com o adensamento das contribuições nesse campo o presente livro objetiva relatar a experiência de pesquisa construída pelas autoras ao longo do desenvolvimento de um projeto de três anos, denominado "Laboratório de Educação Inclusiva: metodologias de inclusão" aprovado no edital Jovem Pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa em Santa Catarina – Fapesc. O livro relata, por diferentes perspectivas, o longo processo de pesquisa, criação e experimentação de objetos pedagógicos para ensinar arte a crianças com deficiência.
Destaca a experiência vivida com a criação de materiais educativos, metodologias e processos de inclusão a partir da realização de três oficinas de arte, a saber: Sons em Movimento, com alunos surdos e ouvintes; Arte: Reflexões Contemporâneas, com alunos cegos e videntes e Alfabetizações, Estética e Letramento, com alunos com deficiência intelectual e alunos comuns. 
Conforme destaca Reily no prefácio da obra: 
"Este livro traz para o professor das linguagens de artes uma perspectiva pautada em projetos. As autoras, cada qual à sua maneira, assumem um compromisso com a formação de educadores do campo da arte ao divulgar suas vivências em processo. Não são apresentadas receitas, programas organizados em seções previamente determinadas a serem aplicados passo a passo, na sala de aula. De maneira bastante generosa, as autoras relatam os modos como problematizaram as necessidades de professores e de seus alunos com e sem deficiência e demonstram algumas maneiras como buscaram soluções inventivas; relatam desdobramentos que ocorreram a partir de resultados iniciais como promessas para futuras investidas. Ao fugir de respostas cristalizadas, as docentes se aproximam da realidade do cotidiano, que se mostra sempre muito dinâmica, seja na escola, seja em oficinas com professores, seja em propostas de formação com alunos dos cursos de graduação". 
Neste contexto, o livro explora o universo de possibilidades disponíveis para o ensino de Arte e coloca o leitor como cúmplice desse processo, convidando-o para a reflexão sobre os limites e potencialidades do seu fazer pedagógico cotidiano.



Esta edição recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina – FAPESC.


 






 


Apresentação: 

Este livro relata uma caminhada iniciada em 2008, quando tivemos o projeto "Laboratório de Educação Inclusiva: metodologias de inclusão" aprovado no edital Jovem Pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa em Santa Catarina – Fapesc. Apresentamos o conjunto das ações construídas ao longo do processo, árduo, trabalhoso e bastante profícuo de pesquisa, criação e experimentação de objetos pedagógicos para ensinar arte a crianças com deficiência.
Nosso objetivo foi investigar as possibilidades de criação de materiais educativos, metodologias e processos de inclusão a partir da realização de três oficinas de arte, a saber: Sons em Movimento, com alunos surdos e ouvintes; Arte: Reflexões Contemporâneas, com alunos cegos e videntes e Alfabetizações, Estética e Letramento, com alunos com deficiência intelectual e alunos comuns. Nosso objetivo teve origem nas diversas falas destacadas por professores em pesquisas da área, reiteradas também por estudos realizados pelo próprio grupo em oportunidades anteriores. Nesses registros, os professores destacavam a dificuldade de formação na área e também a existência de pouquíssimos materiais para o desenvolvimento de um trabalho efetivo com os alunos em classes regulares. 
Reiteramos que esta pesquisa aplicada, de cunho qualitativo, buscou, a partir de seus resultados investigativos, contribuir para aprimorar os processos da prática docente de pedagogos e professores de artes. Partimos da premissa de que os objetos pedagógicos trariam princípios que oportunizariam a todos os estudantes envolvidos a aprendizagem dos conteúdos destacados pelo material. Não criamos objetos pedagógicos, nem só para crianças com deficiência, nem só para crianças comuns; ao contrário, projetamos os materiais para atender a outros sentidos além dos destacados pela deficiência.
Materializamos as contribuições da pesquisa em forma de objetos pedagógicos disponíveis nos arquivos do grupo de pesquisa Educação, Arte e Inclusão, além de alguns estudos específicos desenvolvidos em parceria com as oficinas que serão oportunamente identificados ao longo deste livro. Da mesma forma, disponibilizamos um conjunto de artigos em revistas e congressos da área de Educação e Arte.
A preocupação de qualificar a experiência educativa de crianças, jovens e adultos com deficiência vai além dos processos de socialização, como abordaremos no conteúdo desta produção. Sublinhamos este argumento como forma de enfatizar que as aprendizagens escolares significativas são inconstantes na escolarização das crianças que participaram das oficinas, principalmente no campo do ensino de arte. Essas aprendizagens significativas foram observadas muito mais no desenvolvimento e no desenrolar das ações pedagógicas. Não estavam prontas e sistematizadas; foram sendo construídas a partir da interação entre os participantes da oficina, alunos e professores, que foram mais observados no desenvolvimento das ações pedagógicas.
Partimos de uma realidade concreta: o ensino de artes e letramento no contexto inclusivo. Este era o nosso caminho. Um caminho que não tinha um trajeto definido e acabado, mas um traçado sinuoso e cheio de pequenas ramificações e que, certamente, poderá render outros tantos caminhos. Esperamos que alguns dos nossos procedimentos, reflexões e decisões possam ser reinventados, adaptados, transformados e adequados para outras realidades.
É preciso, ainda, destacar as mudanças que se fizeram presentes na equipe de pesquisa, os elos que se formaram, os nós que desatamos juntos, as vezes que nos embrulhamos nos problemas e vivenciamos rupturas e sofrimentos: teórico-práticos e administrativos. Foi nesse momento que construímos referências, reforçamos amizades e nos descobrimos. Tornamo-nos grupo a partir deste feliz encontro.
Aproveitamos a oportunidade para agradecer às professoras ministrantes das oficinas: Adriane Cristine Kirst, Giana Oliveira e Regina Finck Schambeck; à Escola Básica Municipal Luiz Cândido da Luz e à Escola Básica Adotiva Liberato Valentim, bem como à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – Apae -, de Florianópolis. Da mesma forma, à Udesc, à Fapesc e ao CNPq pelos recursos destinados ao projeto. Ao final, aos professores, estudantes e funcionários que nos auxiliaram nos diversos processos - pedagógicos, administrativos e financeiros - e que viabilizaram a conclusão desse processo.


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PREFÁCIO
De Lucia Reily

Na escola comum, alunos com deficiência enfrentam muitas desvantagens em disciplinas que exigem capacidades linguísticas, intelectuais, motoras ou visuais que eles não puderam desenvolver de maneira semelhante à de seus colegas. As artes, incluindo a música, as artes visuais, a dança e o teatro, no entanto, representam um campo bastante significativo para eles, ainda que muitas vezes seja desafiador para o professor trabalhar determinados conceitos das linguagens artísticas com alunos com grave comprometimento em alguma esfera de desempenho humano. As linguagens da arte têm um sentido especial para o aluno com deficiência, porque nelas se valorizam a imaginação, o pensamento divergente, a expressão pessoal, a colaboração social, o pensamento intuitivo. Nessas matérias, a identificação do erro é mais fugidia; entrementes, na avaliação, é preciso considerar a produção de cada um à luz das possibilidades e capacidades que vem demonstrando.
Ao contemplar as necessidades específicas de acesso à cultura e ao conhecimento do aluno com deficiência, o professor das linguagens artísticas precisa se empenhar em buscar na literatura experiências bem-sucedidas de outros profissionais que desenvolveram propostas interessantes em classes em que impera a diversidade. Isso porque são pouquíssimos os livros publicados no Brasil que abordam, na atualidade, a prática do ensino de arte na escola em contexto de inclusão. Partindo de uma literatura consolidada do campo da educação especial, da sua participação em eventos de formação continuada, bem como recorrendo a pessoas mais experientes, o professor das áreas artísticas poderá constituir uma prática própria, coerente com os modos de trabalhar na sua escola e com a sua forma de ser professor.
Para tanto, terá, necessariamente, que conhecer bem o aluno, a sua história, as especificidades sobre a limitação com a qual convive e os recursos e ajudas técnicas utilizados para permitir sua participação plena na sala de aula. À medida que o professor de artes for organizando o seu programa, pensando sobre maneiras de tornar acessível à classe em geral e, especificamente, ao aluno com deficiência os conteúdos da sua disciplina, será possível delinear alguns princípios de trabalho que merecerão ser socializados e divulgados entre outros professores que trabalham no campo das linguagens artísticas. 
Independentemente da área específica, o conteúdo das artes é complexo, incluindo noções culturais, conceitos de estética, de história das artes, bem como aspectos técnicos relevantes para as linguagens da arte. Não há fórmulas prontas na educação básica para tornar acessíveis tais conhecimentos para alunos surdos, alunos com deficiência intelectual, com limitações ou distúrbios de postura e mobilidade ou com cegueira ou baixa visão, assim como não existem programas acabados para transmitir tais conhecimentos aos alunos que não apresentam dificuldades significativas.
Este livro traz para o professor das linguagens de artes uma perspectiva pautada em projetos. As autoras, cada qual à sua maneira, assumem um compromisso com a formação de educadores do campo da arte ao divulgar suas vivências em processo. Não são apresentadas receitas, programas organizados em seções previamente determinadas a serem aplicados passo a passo na sala de aula. De maneira bastante generosa, as autoras relatam os modos como problematizaram as necessidades de professores e de seus alunos com e sem deficiência e demonstram como buscaram soluções inventivas; relatam desdobramentos que ocorreram a partir de resultados iniciais, como promessas para futuras investidas.
Ao fugir de respostas cristalizadas, as docentes se aproximam da realidade do cotidiano, que se mostra sempre muito dinâmica, seja na escola, seja em oficinas com professores, seja em propostas de formação com alunos dos cursos de graduação. 
Cabe destacar e valorizar a participação dos alunos do curso de artes nos projetos. Ao envolvê-los em diversos papéis, como estagiários, como jovens pesquisadores, na qualidade de responsáveis pelo registro, pela coleta de dados, da organização de oficinas, os graduandos e pós-graduandos participantes tiveram uma experiência ímpar para compreender o significado da constituição de um pensamento docente, na maior amplitude possível.
As autoras afirmam que o seu objetivo era o de "construir experiências de inclusão, desenvolvendo para isso objetos pedagógicos e metodologias que pudessem de alguma maneira ser difundidas para as escolas". Tal objetivo faz eco no conjunto dos capítulos, revelando a perspectiva comum de socializar os resultados com outros professores. Parece-nos que é disso que a escola necessita: a divulgação de projetos inacabados, abertos, que permitam uma repaginação por outros professores de outros contextos e lugares, que atuam como educadores em realidades distintas.
Os três textos são de origem diversa. Trazem contribuições que se articulam com experiências de assessoria; constituem-se como resultados dos momentos em que as docentes da Universidade do Estado de Santa Catarina fornecem subsídios para os professores pensarem sobre a sua prática no campo das artes. Neste sentido, foram organizadas oficinas, material teórico de apoio, assessorias continuadas, eventos pontuais, exposições e muitas e variadas modalidades de acompanhamento, com destaque tanto para a prática quanto para a fundamentação teórica. O texto também apresenta resultados da tese de doutorado de Regina Finck, que focaliza o ensino de música com alunos surdos. O seu texto valoriza os momentos de conscientização do ambiente sonoro, a exploração de produção de sons, os processos de leitura e representação musical. Tanto Regina Finck quanto Cristina Rosa e Geovana Lunardi não se fecham em uma única linguagem, mas articulam-se entre a música, a visualidade, o movimento, a cena. 
As autoras reconhecem a escola como o espaço privilegiado da vivência da criança e do adolescente. Neste lugar, com sua maneira própria de organizar os tempos e lugares de aprendizagem, situaram as suas contribuições. Também demonstram valorizar a história de cada aluno, buscando conhecer as experiências anteriores na linguagem artística, em questão, como base para novos repertórios. As autoras partilham os depoimentos coletados pela professora Regina com alunos surdos que relembram o seu contato com a música e com instrumentos musicais em casa, entre familiares. 
As vivências propostas por cada autora testemunham que as atividades elaboradas com o objetivo de garantir meios de acesso aos alunos com deficiência não geraram nenhum prejuízo para os demais alunos; pelo contrário, ao trazer para o foco objetos pedagógicos construídos com base nos princípios do design universal, tanto os alunos deficientes quanto os alunos sem deficiência puderam vivenciar suas competências. 
Sem preconceitos, as docentes transitaram entre o uso de materiais familiares do cotidiano e os meios avançados alcançados pela tecnologia no campo da informática e da imagem digital. Como afirmam as autoras, a educação na contemporaneidade "exige da escola a construção não só de novas práticas, mas também de uma atualização ou ressignificação das concepções de tempo, espaço e conhecimento". 
Neste sentido, esta publicação foi pensada por três autoras que elegeram como temática geradora de práticas e reflexões a constituição de conhecimento em arte no contexto da diversidade, dirigindo suas propostas aos professores que buscam formas de tornar as artes acessíveis a todos os seus alunos. A leitura deste livro é um convite ao diálogo, a buscar caminhos na perspectiva da investigação com a ampla participação de alunos dos cursos de graduação e pós-graduação e de professores da rede. E, por isso mesmo, representa uma contribuição significativa no campo de conhecimento sobre como pensar e ensinar arte na escola para todos os alunos, tenham eles deficiência ou não.

capa

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Detalhes

SUMÁRIO

  • APRESENTAÇÃO 
  • PREFÁCIO 
  • CAPÍTULO 1 - ITINERÁRIOS DE PESQUISA: O PERCURSO DAS OFICINAS DE ARTES 
  • 1.1 CONTEXTUALIZANDO O PROJETO 
  • 1.2 A AÇÃO DOS PARCEIROS E O GRUPO DE ESTUDO 
  • 1.3 CONTEXTUALIZANDO AS ESCOLAS E ORGANIZAÇÕES PARTICIPANTES 
  • 1.4 FUNDAMENTOS TEÓRICO-PRÁTICOS DAS OFICINAS 
  • 1.5 OBJETOS PEDAGÓGICOS COMO FIOS CONDUTORES DAS OFICINAS 
  • 1.5.1 Descrição dos objetos pedagógicos da oficina dois: reflexões contemporâneas 
  • 1.5.2 Oficina três: relações entre letramento, ensino de arte e tecnologia 
  • 1.6 ABORDAGENS METODOLÓGICAS E LEITURA DOS DADOS: DESAFIOS COM OBJETOS COMPLEXOS 
  • 1.6.1 Os instrumentos de coleta de dados 
  • 1.7 REFLEXÕES SOBRE A EXPERIÊNCIA
  • CAPÍTULO 2 - A CRIANÇA SURDA E A MÚSICA: PERSPECTIVAS DE APRENDIZAGEM MUSICAL NO CONTEXTO INCLUSIVO 
  • 2.1 PROCESSOS DE CONSCIENTIZAÇÃO DO ENTORNO SONORO 
  • 2.2.1 Exploração sonora livre 
  • 2.1.2 Experimentação sonora 
  • 2.1.3 Estruturação gráfica com base analógica 
  • 2.1.4 Interpretação: leitura e execução 
  • 2.2 MECANISMOS QUE ENTRAM EM JOGO PARA A APRENDIZAGEM MUSICAL DE ALUNOS SURDOS 
  • 2.2.1 Sensações vibrotáteis 
  • 2.3 JOGO DE DISCRIMINAÇÃO SONORA 
  • 2.3.1 Importância do jogo nas atividades de aprendizagem musical 
  • 2.3.2 Vocalizações e mímicas 
  • 2.3.3 Influências da família 
  • 2.4 ELEMENTOS PARA EDUCAÇÃO MUSICAL DO ALUNO SURDO 
  • 2.4.1 Adaptação de material didático e estratégias de ensino 
  • 2.4.2 Conteúdos
  • Há som? Som e silêncio
  • Identificação do pulso na música 
  • Sons agudos e graves: ‘o som é fraquinho e forte’ 
  • Duração do som: ‘o som é mais demorado’
  • Timbres: ‘o som é diferente’
  • Intensidade
  • Interações e trabalho colaborativo
  • 2.5 INCLUSÃO PELA MÚSICA: ESTABELECENDO RELAÇÕES DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA 
  • CAPÍTULO 3 - DAS OFICINAS DE ARTES PARA O COTIDIANO DAS ESCOLAS: O QUE PODEMOS APREENDER SOBRE ESSAS EXPERIÊNCIAS DE INCLUSÃO? 
  • 3.1 PRÁTICAS ESCOLARES, TAREFAS E ATIVIDADES PEDAGÓGICAS: IMPLICAÇÕES PARA AS OFICINAS 
  • 3.2 SEM APRISIONAR O VIVIDO, O QUE PODEMOS APRENDER COM A EXPERIÊNCIA?
  • POR FIM, O COMEÇO
  • REFERÊNCIAS 
  • SOBRE AS AUTORAS 


Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Geovana M. Lunardi Mendes, Maria Cristina F. da Silva & Regina Schambeck
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-96-2
Área (s) / Assunto (s) Ensino de artes, Educação especial, Formação de educadores, Recursos didáticos, Metodologia de ensino, Didática, Currículo, Educação musical.
Edição / Ano 1ª / 2012
Nº de Páginas 176
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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