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PARTICIPAR, BRINCAR E APRENDER: exercitando os direitos da criança na escola

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Jucirema Quinteiro & Diana Carvalho de Carvalho - orgs.


"As pesquisas apresentadas aqui mostram que é a escola o lugar da infância nesta sociedade onde existe uma fronteira tênue entre ser criança e ser adulto nas camadas populares. A sociedade capitalista adultocêntrica, classista, machista, racista, hierarquiza as diferenças, constrói a desigualdade e a escola que nasceu para a construção do individuo agora é sua cúmplice na construção do individualismo. Cabe à/ao docente comprometida/o com o conhecimento, portanto, fazer a crítica de sua formação que propaga esse tipo de escola e distribuir a centralidade do/a professor/a com a participação infantil sem antagonizar o lúdico e o acesso às ciências e as artes. 
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Esse livro sobre infância, escola e participação traz elementos essenciais para a sociologia da infância que estuda o nexo entre autonomia e dependência na vida infantil nas atuais modificações sociais da gestão do tempo cotidiano. As pesquisas que compõem esse livro partem do conceito da infância comunicadora, atuante, portadora e construtora da história e da cultura, dotada de iniciativa capaz de construir a própria identidade moral, social e cultural. Assim, o brincar é enfatizado como a (talvez única que resta) ação humana que não separa o pensar do fazer, sem separar a cabeça do corpo. Com isso, supera-se a didatização do lúdico e a patologização da infância dita incompleta.
Recomendo a leitura deste livro às professoras e professores, pesquisadoras e pesquisadores da infância e da escola. Boa leitura e mãos a obras!!!!!!"

Ana Lúcia Goulart de Faria


- A edição contou com apoio da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior


 


 




 


 


PREFÁCIO
Ana Lúcia Goulart de Faria

Mario de Andrade em 1936 criou os parques infantis e o Departamento de Cultura da prefeitura municipal de São Paulo para as crianças de 3 a 12 anos filhas do operariado paulistano moradoras dos bairros fabris. As crianças de 3 a 6 anos freqüentavam em tempo integral para brincar, conviver com a natureza e com a diversidade cultural brasileira, fazer arte (nos dois sentidos do termo!) com profissionais diplomadas e formadas também pelo poeta que viajando pelo Brasil registrava as manifestações populares e passava para as profissionais divertirem-se com as crianças pequenas e também com as maiores de 6 anos que freqüentavam o então grupo escolar estadual em um período alternado ao do parque infantil. Esse convívio com as diversas idades e com a escolarização e experiência de vida diferentes era a meta de Mario de Andrade que dizia que as crianças precisavam do parque infantil para complementar a "cultura minúscula dos nossos grupos escolares". 
O projeto PIAP - participação infantil e ação pedagógica -, convênio de cooperação internacional do grupo de estudos e pesquisas "infância, educação e escola" da linha de pesquisa "educação e infância" da pós-graduação da UFSC foi muito mais audacioso com as camadas populares do que Mario de Andrade que radicalizou na época criando uma instituição educativa municipal em departamento de cultura para garantir a construção e gozo da infância das famílias operárias. O projeto PIAP coordenado pela professora Ju Quinteiro, organizadora deste livro juntamente com a professora Diana Carvalho de Carvalho também da UFSC, pesquisa e intervém (inclusive através de estágio do curso de Pedagogia) nas práticas pedagógicas de escolas da rede pública de Santa Catarina em Florianópolis desfazendo a dita cultura minúscula dos grupos escolares, introduzindo a participação infantil na gestão da escola, nas quatro primeiras séries iniciais do ensino fundamental. Tarefa ousada e inadiável!
É para mim um grande desafio fazer o prefácio deste maravilhoso e instigante livro produto das pesquisas realizadas no Brasil parte deste projeto com Portugal que também publica um dos capítulos sobre as reflexões que estão sendo feitas lá. O desafio está justamente em dar ênfase a um livro pioneiro que aqui divulga as pesquisas com a criança que é o/a aluno/a das séries inicias. As pesquisas sobre infância nas universidades brasileiras geralmente são pesquisas sobre a pequena infância de 0-6 anos de idade, lugar de onde eu falo. No entanto, este livro é continuidade da trajetória de Quinteiro que desde sua participação no governo municipal de Lages, tema de seu mestrado, vem aprofundando a questão da participação na gestão da coisa pública. Seu doutorado inaugura na área da Antropologia o estudo da infância na escola e a participação das crianças nas atividades de ensino numa abordagem nas ciências sociais, para além do binômio ensino-aprendizagem. Este livro mostra as várias modalidades de participação infantil e, portanto, aponta para uma forte crítica à formação docente que não contempla o cidadão de pouca idade e o descaracteriza como "sem luz", apenas como aluno. As crianças quando começam a freqüentar a primeira série já tem 5 ou 6 anos vividos enquanto sujeitos de direitos, capazes de estabelecer múltiplas relações, comunicadoras por excelência, produtoras e consumidoras de cultura. Seja na rua, às vezes até no trabalho, na creche e na pré-escola as crianças estão construindo no coletivo as culturas infantis e ingressam na escola obrigatória já construindo a cidadania. Em 1946 Florestan Fernandes precursor da sociologia da infância, na minha opinião, pesquisou grupos de crianças brincando na rua em um bairro paulistano judeu operário e construiu a categoria agora adotada para a análise das pesquisas apresentadas neste livro: cultura infantil.
Ser criança no Brasil, entendida pelo ECA até os 12 anos de idade, é uma fase da vida quando já começa a exclusão, o preconceito e a desigualdade. As pesquisas apresentadas aqui mostram que é a escola o lugar da infância nesta sociedade onde existe uma fronteira tênue entre ser criança e ser adulto nas camadas populares. A sociedade capitalista adultocêntrica, classista, machista, racista, hierarquiza as diferenças, constrói a desigualdade e a escola que nasceu para a construção do individuo agora é sua cúmplice na construção do individualismo. Cabe à/ao docente comprometida/o com o conhecimento, portanto, fazer a crítica de sua formação que propaga esse tipo de escola e distribuir a centralidade do/a professor/a com a participação infantil sem antagonizar o lúdico e o acesso às ciências e as artes. Superar as práticas (muitas vezes invisíveis) de exclusão também no inteiro das classes sociais. E como diz Marilena Chauí, revelar a origem das desigualdades para poder extirpá-las. O convívio com as diferenças poderá dar o diferencial ao protagonismo infantil. Estamos falando portanto, de uma "Pedagogia do Lugar" como cunhou a arquiteta Bia Goulart: é na escola que a infância acontece.
O saudoso professor Tragtenberg e sua brilhante análise da escola como organização complexa é referência incontestável nas pesquisas apresentadas nesse livro. Cabe então, à vontade política e à intencionalidade educativa driblar a escola reprodutora do individualismo, transformá-la num coletivo produtor das culturas infantis e também transformar os/as alunos/as em crianças-estudantes-participativas da construção da realidade social. Reafirmando Marx: o homem faz a história em condições dadas.
Esse livro sobre infância, escola e participação traz elementos essenciais para a sociologia da infância que estuda o nexo entre autonomia e dependência na vida infantil nas atuais modificações sociais da gestão do tempo cotidiano. As pesquisas que compõe esse livro partem do conceito da infância comunicadora, atuante, portadora e construtora da história e da cultura, dotada de iniciativa capaz de construir a própria identidade moral, social e cultural. Assim, o brincar é enfatizado como a (talvez única que resta) ação humana que não separa o pensar do fazer, sem separar a cabeça do corpo. Com isso, supera-se a didatização do lúdico e a patologização da infância dita incompleta.
Recomendo a leitura deste livro às professoras e professores, pesquisadoras e pesquisadores da infância e da escola. Boa leitura e mãos a obras!!!!!!




 


 

capa

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Detalhes

SUMÁRIO

  • Prefácio Ana Lúcia Goulart de Faria
  • Apresentação
  • Capítulo I – Infância na Escola: a participação como princípio formativo Jucirema Quinteiro, Diana Carvalho de Carvalho e Maria Isabel Serrão
  • Capítulo II – Participação Infantil na Organização Escolar Manuel Jacinto Sarmento, Albertina Abrunhosa e Natália Fernandes Soares
  • Capítulo III – Tempo e Espaços Escolares: o (des)confinamento da infância Maria Raquel Barreto Pinto
  • Capítulo IV – As Dimensões Política e Pedagógica da Participação da Criança na Escola: um estudo de caso etnográfico Karine Maria Antunes
  • Capítulo V – Gestão Democrática na Educação Infantil: tecendo a história da participação política dos professores nas creches e pré-escolas da Rede Municipal de ensino de Florianópolis Selita Hasckel
  • Capítulo VI – Aprender a Participar: um estudo de caso sobre a participação da criança na atividade de ensino Sandra Regina Stroisch
  • Capítulo VII – Brincar na Escola: limites e possibilidades dessa experiência em uma escola pública Maria Luísa Schneider
  • Capítulo VIII – A Ausência da Criança na Produção Acadêmica Sobre a Escola: um estudo de caso Ezir Mafra Batista

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Jucirema Quinteiro & Diana Carvalho de Carvalho - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-86305-44-3
Área (s) / Assunto (s) Educação infantil, Sociologia da infância, Formação de educadores, Pesquisa com crianças, Metodologia de educação infantil.
Edição / Ano 1ª / 2007
Nº de Páginas 236
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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