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PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO ESPECIAL: multiplicidade do atendimento educacional especializado

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Denise Meyrelles de Jesus, Claudio Roberto Baptista & Katia Regina Moreno Caiado - orgs.


A presente coletânea tem por objetivo analisar as possibilidades e os desafios que têm caracterizado a educação na atualidade, tendo em vista a garantia da escolarização de alunos-público-alvo da educação especial. Toma como foco de análise o atendimento educacional especializado e busca compreender esse conjunto de proposições pedagógicas em suas múltiplas facetas.


 


Esta edição recebeu apoio de: UFES – Universidade Federal do Espírito Santo por meio da FCAA – Fundação Ceciliano Abel de Almeida e CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior por meio do PROESP – Programa de Apoio à Educação Especial.


 




 


Apresentação: 


Uma breve história

Talvez 2003, talvez 2004... Lembro-me que era uma tarde... Uma tarde de primavera em Caxambu, Minas Gerais... Três colegas convidaram-me para conversar sobre uma ideia. Falavam entusiasticamente sobre a possibilidade da organização de um encontro com pesquisadores da Educação Especial, para que se pudesse mapear e conhecer a produção da área nas diferentes regiões do Brasil. Estávamos em uma reunião anual do GT 15, Educação Especial, da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação e essa conversa ocorreu em um raro intervalo entre as infinitas e atribuladas atividades. 
Havia algum tempo que nos encontros do GT 15 tentávamos, de alguma forma, conhecer o estado do conhecimento na área e intensificar a interlocução entre os grupos de pesquisa. Uma das tentativas ocorreu com o trabalho encomendado pelo GT ao professor Júlio Romero Ferreira em 2002, cujo tema foi "O GT educação especial: análise da trajetória e da produção apresentada (1991 – 2001)". As mudanças nas políticas de educação e de educação especial estavam ocorrendo e ansiávamos conhecer o que nós mesmos estávamos produzindo. Pensávamos em formas de adensar os debates acerca das políticas e práticas com os alunos com deficiências (cabe ressaltar que, naquele momento, debatíamos se deveríamos considerar no campo da "Educação Especial" todos os alunos com necessidades educacionais especiais ou somente alunos com deficiências...).
A partir do debate provocado pelo trabalho apresentado pelo professor Júlio Romero surgiu uma proposta de elaboração de algo conjunto: uma pesquisa coordenada pelos professores José Geraldo Silveira Bueno e o próprio Júlio intitulada "As políticas regionais de Educação Especial no Brasil", trabalho este encomendado a ser apresentado em 2003. Tratava-se, naquele momento, de uma inovação: organizar um levantamento das políticas em implantação nos diferentes estados das cinco regiões do país, com a participação de pesquisadores das próprias regiões. 
A apresentação desse trabalho coletivo entusiasmou o GT, de modo que, para o ano seguinte um novo trabalho coletivo foi proposto e aceito: "Políticas de inclusão escolar no Brasil: descrição e análise de sua implementação em municípios das diferentes regiões", coordenado pela professora Rosângela Gavioli Prieto. 
Esses movimentos iniciais de trocas e o anseio pelo conhecimento da produção de conhecimento na área e da situação da política educacional nas regiões do país marcavam nossos encontros e nossos sonhos... Sonhos que mais tarde se concretizaram em projetos... É nesse clima que se deu a conversa entusiasmada na tarde de primavera... 
Algum tempo mais tarde, já em minha casa, recebi um convite para algo mágico: um seminário de pesquisadores da educação especial... Aquela ideia havia florescido... Esse encontro apresentou-se com a proposta de abrir espaço para o conhecimento do que estava acontecendo nas universidades espalhadas nas diferentes regiões do país.... Propunha-se a "mapear a produção dos diferentes grupos de pesquisa". Era 2005 e a cidade era Vitória, Espírito Santo. Pela primeira vez em minha vida de professora-pesquisadora iria viver o encantamento de ouvir meus colegas e de falar sobre o meu trabalho, o trabalho desenvolvido por minha instituição e pelo grupo de pesquisa do qual fazia parte. Que ansiedade... O que falar a pesquisadores tão conhecidos e experientes? 
Enfim, a data. Na chegada, a identificação de muitos rostos, alguns, ainda, sem muita proximidade, cerimoniosos no aguardo do que aconteceria. Esse foi o início de um descortinar horizontes... Foi-se por terra mitos de universidades perfeitas, de condições de trabalhos ideais... Estávamos ali, todos, com nossas dúvidas, nossas ansiedades, nossa paixão coletiva pelo conhecimento... Saímos todos, desse primeiro encontro, com algumas poucas certezas: este era um espaço precioso; por sua singularidade deveria ser mantido; e nossos orientandos certamente precisavam fazer parte daquilo! E assim foi... Em 2006, estávamos nós novamente no estado do Espírito Santo, dessa vez em Pedra Azul, e com nossos alunos. 
Tivemos a oportunidade de repetir esses encontros por mais quatro vezes, com formatos e tamanhos diferentes, sempre com a participação expressiva de pesquisadores de vários estados do país. Nesses encontros, fomos aprendendo a respeitar nossas diferenças e aprender com elas. Aprendemos também a construir coletivamente, a compartilhar angústias e fracassos, sucessos e alegrias. A cada encontro, aquela ansiedade inicial do enfrentamento foi cedendo espaço para a ansiedade de encontrar os amigos, para a expectativa dos abraços e para a certeza de estreitamento dos laços. Estávamos lá, a cada ano, para compartilhar, conhecer, aprender.
Esses encontros tiveram suas histórias, as quais tive a honra e o prazer de compartilhar. Esses encontros também fizeram história: neles, novos grupos de pesquisa e projetos foram se constituindo e novos pesquisadores foram gestados. Aliás, novos pesquisadores foram gestados mesmo dentro de experientes pesquisadores... Durante esses anos, sem percebermos, fomos nos fortalecendo como grupo, um grande grupo da diversidade. E no enfrentamento das muitas adversidades para a manutenção desses encontros, aqueles três colegas do início desta história tornaram-se amigos!
Hoje, quase dez anos depois daquela tarde de primavera, registro que tive o privilégio de ter vivido essa história para hoje poder brevemente contá-la. Por esse motivo, com muita alegria aceitei o desafio proposto por aqueles três amigos, Denise, Kátia e Claudio, de prefaciar esta obra, como uma forma singela de arrematar uma rica história.

Mônica de Carvalho Magalhães Kassar
Corumbá, outono de 2013. 


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ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: ANUNCIANDO MÚLTIPLAS LENTES

Denise Meyrelles de Jesus
Claudio Roberto Baptista
Katia Regina Moreno Caiado

A presente coletânea tem por objetivo analisar as possibilidades e os desafios que têm caracterizado a educação na atualidade, tendo em vista a garantia da escolarização de alunos-público-alvo da educação especial. Toma como foco de análise o atendimento educacional especializado e busca compreender esse conjunto de proposições pedagógicas em suas múltiplas facetas.
Os autores deixam claro, em seus diferentes capítulos, que no âmbito da educação especial poucas temáticas têm assumido um protagonismo semelhante àquele evidenciado pelo atendimento educacional especializado, em um contexto nacional contemporâneo que reafirma a escola regular e a classe comum como os espaços de escolarização de todos os alunos. O atendimento educacional especializado, concebido em modo complementar ou suplementar à escolarização, tem sido alvo de questionamentos quanto aos seus sentidos, suas articulações com os processos de escolarização, práticas pedagógicas e seu lócus de realização dentre outros aspectos. Portanto, essa temática se coloca como um desafio primordial para os estudiosos da área.
Em âmbito nacional, significativos movimentos e tensões relativos ao tema evidenciavam a necessidade de construir possibilidades de aprofundamento teórico-prático sobre o atendimento educacional especializado. Assim, a presente coletânea se coloca como uma reflexão de 14 professores-pesquisadores da área de educação especial, acompanhados de seus coautores, na tentativa de colocar em análise os processos de apoio à escolarização de alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidade/superdotação. Tais autores se associam a diferentes programas de pós-graduação em educação no país e nesses programas coordenam grupos de pesquisa e formação de outros pesquisadores.
Os textos desta coletânea foram produzidos a partir das reflexões propostas no VI Seminário Nacional de Pesquisa em Educação Especial, realizado em 2011, em Nova Almeida, Espírito Santo. Esse Seminário deu continuidade a um ciclo de espaços de formação existentes desde 2005 e organizados por profissionais de três diferentes instituições – UFES, UFRGS e UFSCar. O presente conjunto de reflexões constituiu-se como um movimento que problematizou as práticas pedagógicas na área da educação especial com o foco na multiplicidade de vivências em atendimentos educacionais especializados que encontramos Brasil afora.
É interessante destacar que o objetivo inicial que motivou o encontro periódico e sistemático desses pesquisadores teve início em seminário proposto pela UFES em 2005, tendo como objetivo "a análise do cenário das produções na área da Educação Especial, numa perspectiva da inclusão escolar" (JESUS, BAPTISTA, VICTOR, 2006, p. 13). Tal iniciativa propôs a instituição de um espaço coletivo que congregou estudiosos e coordenadores de grupos de pesquisa que possuíam como características: a dedicação à pesquisa financiada; o trabalho na formação em nível de pós-graduação stricto sensu e a aposta na escolarização dos alunos da educação especial. Ao assumir a escola como espaço de investigação na área da educação especial, os organizadores daquele encontro inicial e dos demais encontros (ocorridos em 2006, 2007, 2008 e 2009) reafirmavam uma perspectiva teórica e política comprometida com a educação como um direito social.
Os programas sociais dos últimos anos de governo em nosso país possibilitaram que dados do Censo Escolar de 2011 mostrassem um aumento de matrículas de alunos com deficiência nos ensinos fundamental e médio (INEP, 2012). Cumpre destacar que a matrícula é apenas a porta de entrada da escola: ela não basta. Os alunos matriculados precisam permanecer na escola, aprender e conhecer o mundo para nele participar socialmente. Problematizar o atendimento educacional especializado em sua multiplicidade de configurações pode se constituir em aporte promissor para a permanência e apropriação do conhecimento por alunos-público-alvo da educação especial.
Com esses compromissos declarados, consideramos que o presente livro, ao investir na relação entre a pesquisa e a ação pedagógica, pode ser um potente instrumento de reflexão e análise acerca das práticas que envolvem o grande desafio de universalizar a escolarização das pessoas com deficiência em nosso país. Os quatorze textos desta obra estão organizados em quatro eixos temáticos: Diferentes significados de "atendimento" em educação especial: presente e passado; Diferentes espaços em que ocorre o atendimento educacional especializado; Diferentes etapas de escolaridade em que ocorre o atendimento educacional especializado; Diferentes alunos no atendimento educacional especializado.
No primeiro eixo temático, "Reflexões sobre os significados de ‘atendimento’ em educação especial: presente e passado", há dois textos. Mônica de Carvalho Magalhães Kassar e Andressa Santos Rebelo escrevem sobre "O especial na educação, o atendimento especializado e a educação especial". Analisam que a educação especial, em sua história, tem proposto formas de atendimento que variaram entre "atendimento especializado" (de habilitação/reabilitação e/ou educacional) e "atendimento educacional especializado". Essas formas, segundo as autoras, ocorreram com forte caráter médico/clínico e prioritariamente segregado. A partir desses aspectos, o trabalho propõe-se a conhecer a constituição do "atendimento especializado" no Brasil. Para seu desenvolvimento buscaram: 1 – Descobrir de que forma se define educação especial nos documentos do Ministério da Educação, desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1961; 2 – Identificar o conceito de "atendimento especializado" ou "atendimento educacional especializado" utilizado em cada documento e os serviços previstos como esses tipos de recursos. Concluem identificando mudanças significativas nos discursos registrados nos documentos estudados, as quais indicam o predomínio de uma perspectiva que valoriza a escolarização no ensino comum.
Claudio Roberto Baptista escreve sobre a "Ação pedagógica e educação especial: para além do AEE". O objetivo do texto é apresentar reflexões acerca da ação pedagógica dirigida às pessoas com deficiência, considerando o contexto brasileiro contemporâneo e os desafios de proposições políticas que indicam a inclusão escolar como a diretriz para esse trabalho. Para essa análise, o autor procurou recorrer ao debate sobre as singularidades, as características e os desafios que marcam a ação dos educadores especializados em educação especial, resgatando aspectos constitutivos da história da educação especial brasileira como dispositivo para se pensar o presente e um possível de saberes que dificilmente comportam um único campo profissional específico.
No segundo eixo temático, "Diferentes espaços em que ocorre o atendimento educacional especializado", há seis textos, com diferentes enfoques teóricos, nos quais os autores abordam questões relacionadas aos múltiplos espaços em que os serviços da educação especial se organizam, sejam em escolas públicas, centros especializados, instituições especializadas ou salas de recursos multifuncionais.
Hildete Pereira dos Anjos, Katia Regina da Silva e Luciana Barbosa de Melo escrevem sobre os "Efeitos da inclusão nas escolas públicas: uma leitura a partir de falas de professores e gestores". O trabalho analisa a visão dos profissionais envolvidos no processo inclusivo no município de Marabá, Pará, considerando os efeitos desse processo no interior das escolas. Como resultados, se destacaram nas falas o processo de inserção, a agregação a um grupo, infraestrutura, relação entre atendimento especializado e planejamento pedagógico, mudanças percebidas nas práticas docentes, na rotina escolar e nas relações com as famílias. A pesquisa aponta que o processo inclusivo, no contexto investigado, ainda tem como principais sujeitos as pessoas em situação de deficiência e seus professores. Considera-se que estão presentes indícios de uma tendência ao distanciamento entre trabalho pedagógico em salas de recursos e docência em sala comum. Apesar disso, as autoras reconhecem que a presença desses ‘novos’ sujeitos no interior da escola cria possibilidades de interação e de busca de superação das limitações.
O artigo de Hiran Pinel versa sobre "A clínica no atendimento educacional especializado [AEEs] na voz de sentido das educadoras especiais: em busca de uma ‘outra clínica’", que interroga sobre os sentidos de uma produção clínica que acontece em AEEs em escolas públicas. Para isso, o autor investe em uma formação discursiva que tem como base uma pesquisa fenomenológica existencial. Descreve o estado de arte do que está pesquisando na esfera clínica, denominada de "outra clínica do AEE". Entrevista duas professoras graduadas em Pedagogia que trabalham com Educação Especial (EE) nos AEEs. Por meio desses passos, o texto procura discutir os dados respondendo as interrogações propostas, indicando essa "outra clínica..." como marcada pela escuta alegre e ativa e que não nega sua composição de alegria-tristeza, atividade-passividade... Os movimentos correspondem às singularidades dos discentes considerados como plurais junto ao outro no mundo. Destaca-se a vitalidade e importância dessa proposta para a professora que trabalha com AEE.
Rosângela Gavioli Prieto, Simone Girardi Andrade e Elaine Alves Raimundo escrevem "Inclusão escolar e constituição de políticas públicas". Nesse trabalho são examinados dados de entrevistas, questionários e fontes documentais relativos a quatro centros especializados, no município de São Paulo. As análises buscaram confrontar o previsto em lei e o efetivado em relação à estrutura e funcionamento desses centros e as ações de formação desenvolvidas pelos profissionais que atuam nestes serviços. Os resultados indicaram variação entre os centros, particularmente quanto ao espaço físico para seu funcionamento e composição da equipe de professores itinerantes, evidenciando necessidade de criação e de consolidação de políticas para atingir a equiparação de condições estruturais e de funcionamento. As autoras concluem que políticas de atendimento a pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação demandam investimentos do poder público, principalmente na constituição de novas formas de gestão em que os diversos setores públicos possam estar envolvidos para sua objetivação, podendo, assim, potencializar as ações propostas com vistas a sua constante melhoria.
O "Atendimento Educacional Especializado e seus sentidos: pela narrativa de professoras" é examinado por Denise Meyrelles de Jesus. O estudo teve por objetivo dialogar com o atendimento educacional especializado pela via da narrativa de cinco professoras que atuam nessa atividade. As narrativas são entendidas como fontes de conhecimento sobre os saberes-fazeres e as tensões docentes sobre o tema. Trata-se de um diálogo inicial e provisório que levanta questões sobre o vivido nos cotidianos dos espaços-tempos de Atendimento Educacional Especializado, questiona políticas locais e simultaneamente interroga a proposta oficial que estabelece e define o Atendimento Educacional Especializado.
Eduardo José Manzini escreve sobre "Possíveis variáveis para estudar as salas de recursos multifuncionais". De acordo com o autor, as Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) foram arquitetadas para fornecer atendimento especializado no interior da escola, sendo que, devido ao recente processo de implantação, ainda não existem estudos sistematizados sobre a eficiência e eficácia desse tipo de atendimento. Para realizar estudos sistematizados, deveriam ser cotizadas variáveis que permitam entender o funcionamento e a organização desse serviço. O texto segue essa direção e tem como objetivo identificar e justificar um conjunto de variáveis que pode ser utilizado para estudar as SRM como um lócus de Atendimento Educacional Especializado. O autor destacou um conjunto de variáveis, dentre as quais podem ser citadas: o planejamento pedagógico para o aluno atendido e sua interação com o planejamento da classe comum; a equipe da escola; a formação do professor para atender a diversidade de alunos da SRM e a clientela da sala.
No texto "Atendimento especializado em educação especial: desafios atuais", Ana Dorziat apresenta uma pesquisa desenvolvida em uma instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência, considerada modelo, no estado da Paraíba. Com o objetivo de problematizar o papel das instituições especializadas, considerando as políticas atuais voltadas à inclusão, o estudo buscou entender as concepções que fundamentavam as atividades ali desenvolvidas por meio do conhecimento do contexto em que se dava tal atendimento, em seus aspectos físicos, organizacionais, de recursos humanos e de apoio às escolas da rede pública estadual da Paraíba.
No terceiro eixo temático, "Diferentes etapas de escolaridade em que ocorre o atendimento educacional especializado", há três artigos. Ivone Martins de Oliveira e Anna Maria Lunardi Padilha escrevem sobre o "Atendimento Educacional Especializado para crianças de zero a três anos". O estudo teve como objetivo discutir a ação pedagógica da educação especial nos anos iniciais da vida infantil. Considerando o disposto na LDBEN (1996), na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), no Decreto nº 6.571 (2008) e na Resolução CNE/CEB nº 4 (2009), o texto aborda a proposta de estimulação precoce para os bebês e crianças pequenas com comprometimento no desenvolvimento, na educação infantil. Enfoca o que se tem compreendido como estimulação precoce, as bases teóricas em que se ancora, a proposta de atuação e algumas críticas dirigidas aos programas de estimulação precoce. De acordo com as autoras, para tratar do atendimento diferenciado para as crianças de zero a três anos, com comprometimentos no desenvolvimento, é necessário discutir as concepções de infância, de desenvolvimento, de educação infantil e de educação especial, bem como a formação dos profissionais que atuarão com essas crianças.
Taísa Grasiela Gomes Liduenha Gonçalves e Silvia Márcia Ferreira Meletti escrevem sobre a "Escolarização de alunos com deficiência na educação de jovens e adultos: uma análise dos indicadores educacionais brasileiros (2007-2010)". O trabalho teve como finalidade identificar e analisar as matrículas de alunos com deficiência na Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil, considerando como base os microdados do Censo da Educação Básica disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Os resultados indicam: alto índice de alunos com deficiência nas séries iniciais da EJA; concentração de matrículas de alunos com deficiência física e deficiência intelectual em espaços segregados; alto percentual de matrículas de alunos com deficiência intelectual nessa modalidade e crescente índice de matrículas de alunos considerados público alvo da educação especial na EJA.
Katia Regina Moreno Caiado e Rosimeire Maria Orlando Zeppone escrevem "Educação e deficiência na voz de quem viveu essa trama: apoios e atendimentos durante a trajetória escolar". O estudo toma como foco problematizar a educação escolar das pessoas com deficiência, tendo como objetivos conhecer trajetórias escolares de pessoas com deficiência que concluíram o ensino superior e estudar as disposições que promoveram o seu desempenho escolar no processo de escolarização da pessoa com deficiência da educação básica à educação superior. A proposta do texto é refletir sobre a trama social, a tessitura cotidiana, que possibilitou a superação da deficiência considerada um fator de incapacidade e de fracasso escolar. A coleta e análise dos dados se deram por meio de entrevistas com pessoas com deficiência que concluíram o ensino superior. Como resultados, as autoras apontam que as narrativas trazem lembranças de superação diante de impedimentos provocados por barreiras físicas e atitudinais, dentro e fora da escola, revelando que a deficiência se transforma em força no convívio social e no enfrentamento de desafios. Nenhuma narrativa traz menção a ações assistenciais ou sequer ao desejo de assistência; pelo contrário, se afirmam e se reafirmam sujeitos de direitos.
No último eixo temático "Diferentes alunos no atendimento educacional especializado", Soraia Napoleão Freitas escreve sobre o "Atendimento Educacional Especializado para os alunos com altas habilidades/superdotação". O texto faz referência ao atendimento educacional especializado para os alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD), a partir da análise de uma série de documentos legais e normativos. De acordo com a autora, é preciso atentar às características dos alunos com AH/SD, pois estas variam em virtude de características que se mostram em perfis diferenciados. Em suma, é regatada a defesa relativa à importância da identificação do aluno com AH/SD, mas, acima de tudo, a autora afirma que se deve ter como objetivo principal oportunizar um bom desenvolvimento de suas capacidades com o interesse de oferecer a esses alunos satisfação e realização pessoal.
"Uma leitura sobre o atendimento educacional de alunos com transtornos globais do desenvolvimento: diálogos sobre o acontecer da compreensão" é apresentado por Carla K. Vasques. Trata-se de ensaio que aborda a processualidade conceitual de termos como autismo, psicose infantil, transtornos globais do desenvolvimento e transtornos invasivos do desenvolvimento. Posteriormente, é analisada a pluralidade de espaços e propostas de atendimento educacional especializado relativos a esses alunos. Os objetivos do texto reafirmam a intenção de armar novas formas de ler, reconhecer e valorar a diversidade humana, demarcando a radicalidade histórica das concepções colocadas em jogo. Para tanto, o campo teórico de referência será a hermenêutica filosófica, a qual oferece os fios que, segundo a autora, tecem a leitura, as (im)possibilidades do compreender e interpretar.
Ivanilde Apoluceno de Oliveira e Kátia do Socorro Carvalho Lima apresentam "Práticas de Atendimento Educacional Especializado com alunos surdos em sala de recursos multifuncionais". Neste artigo apresentam dados de uma pesquisa de campo, realizada em uma escola da rede estadual de Belém, sobre o atendimento de aluno surdo em Sala de Recursos Multifuncionais. O problema investigado foi o de como são efetivadas as práticas pedagógicas de professores de alunos surdos em sala de recursos multifuncionais de uma escola estadual de Belém. Os sujeitos foram três professores que lecionam de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental em uma escola da referida rede. Ao colocar em destaque aspectos constitutivos do trabalho desses professores, as autoras identificam a percepção de que há a necessidade de investimentos na formação dos professores, assim como em formas de trabalho coletivo e interativo entre os docentes envolvidos na escolarização do aluno surdo.
A pluralidade de modos de abordar um mesmo tema é a marca que caracteriza a presente coletânea. A educação especial e suas práticas têm sido identificadas como um objeto de extrema relevância (já que a escolarização dos alunos com deficiência demanda apoios qualificados existentes no interior das escolas) e complexidade (pelo fato de vivermos um momento histórico no qual necessitamos de um conhecimento que estamos construindo). A história da educação especial nos oferece exemplos de práticas que devem ser continuamente reinventadas se desejarmos que efetivamente auxiliem a inclusão escolar e o aprendizado dos alunos. Nesse sentido, a reinvenção e o processo reflexivo devem reconhecer na universidade e na pesquisa seus pontos de ancoragem e a potência de seu futuro. Reunir, portanto, representantes de diferentes instituições brasileiras para abordar o tema foi nosso objetivo e nosso modo de contribuir com o futuro dessas práticas.



Referências

JESUS, Denise; BAPTISTA, Claudio e VICTOR, Sônia. Pesquisa e educação especial: mapeando produções. Vitória: EDUFES, 2006.



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SUMÁRIO

  • PREFÁCIO 
  • ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: ANUNCIANDO MÚLTIPLAS LENTES Denise Meyrelles de Jesus; Claudio Roberto Baptista e Katia Regina Moreno Caiado
  • O "ESPECIAL" NA EDUCAÇÃO, O ATENDIMENTO ESPECIALIZADO E A EDUCAÇÃO ESPECIAL Mônica de Carvalho Magalhães Kassar e Andressa Santos Rebelo
  • AÇÃO PEDAGÓGICA E EDUCAÇÃO ESPECIAL: PARA ALÉM DO AEE Claudio Roberto Baptista
  • EFEITOS DA INCLUSÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS: UMA LEITURA A PARTIR DE FALAS DE PROFESSORES E GESTORES Hildete Pereira dos Anjos; Kátia Regina da Silva e Luciana Barbosa de Melo
  • A CLÍNICA NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEEs) NA VOZ DE SENTIDO DAS EDUCADORAS ESPECIAIS: EM BUSCA DE UMA "OUTRA CLÍNICA" Hiran Pinel
  • INCLUSÃO ESCOLAR E CONSTITUIÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS Rosângela Gavioli Prieto; Simone Girardi Andrade e Elaine Alves Raimundo
  • ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E SEUS SENTIDOS: PELA NARRATIVA DE PROFESSORAS DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO Denise Meyrelles de Jesus
  • POSSÍVEIS VARIÁVEIS PARA ESTUDAR AS SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS Eduardo José Manzini
  • ATENDIMENTO ESPECIALIZADO EM EDUCAÇÃO ESPECIAL: DESAFIOS ATUAIS Ana Dorziat
  • ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA CRIANÇAS DE ZERO A TRÊS ANOS Ivone Martins de Oliveira e Anna Maria Lunardi Padilha
  • ESCOLARIZAÇÃO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: UMA ANÁLISE DOS INDICADORES EDUCACIONAIS BRASILEIROS (2007-2010) Taísa Grasiela Gomes Liduenha Gonçalves e Silvia Márcia Ferreira Meletti
  • EDUCAÇÃO E DEFICIÊNCIA NA VOZ DE QUEM VIVEU ESSA TRAMA: APOIOS E ATENDIMENTOS DURANTE A TRAJETÓRIA ESCOLAR Katia Regina Moreno Caiado e Rosimeire Maria Orlando Zeppone
  • ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA OS ALUNOS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO Soraia Napoleão Freitas
  • UMA LEITURA SOBRE O ATENDIMENTO EDUCACIONAL DE ALUNOS COM TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO: DIÁLOGOS SOBRE O ACONTECER DA COMPREENSÃO Carla K. Vasques
  • PRÁTICAS DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO COM ALUNOS SURDOS EM SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS Ivanilde Apoluceno de Oliveira e Kátia do Socorro Carvalho Lima 
  • ORGANIZADORES E AUTORES

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Denise Meyrelles Jesus, Claudio Roberto Baptista & Katia Regina Moreno Caiado - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-8203-023-3
Área (s) / Assunto (s) Educação Especial; Educação Infantil; Inclusão; Educação de Jovens e Adultos; Didática; Pesquisa em Escolas; Pesquisa em Instituições Educativas; Política Educacional.
Edição / Ano 1ª / 2013
Nº de Páginas 320
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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