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PROFESSORES INICIANTES: diferentes necessidades em diferentes contextos

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Luciana Maria Giovanni & Alda Junqueira Marin - orgs.


 


As situações aqui representadas trazem a realidade ao leitor, desnudam as escolas e as salas de aula fazendo com que ganhem força as questões teóricas apresentadas por muitos autores sobre as necessidades de formação de professores para atuar de modo correto e digno juntos aos estudantes. [...] Desejamos que auxiliem novos formandos e seus formadores de modo que novos professores deixem de enfrentar dificuldades que estão denunciadas há longo tempo, e que os estudantes, de modo geral se beneficiem da superação do cenário delineado. (as Organizadoras)


 


Esta edição recebeu apoio do Grupo de Pesquisa Docência em Suas Múltiplas Dimensões.


 




 


APRESENTANDO:


CONTEXTOS E NECESSIDADES DE PROFESSORES NO INÍCIO DA PROFISSÃO DOCENTE




 Luciana Maria Giovanni & Alda Junqueira Marin




Os focos sobre formação e atuação docentes nas escolas têm permeado boa parte da produção de pesquisas no Brasil e no exterior. O destaque dado aqui se refere aos professores iniciantes por várias razões. 


A primeira delas advém das quantidades de professores iniciantes, sobretudo no Brasil, quer seja na educação básica, quer seja na educação superior. Dados quantitativos sobre professores em exercício, no país, nos permitem apontar essa expansão quantitativa, fato que demonstra uma das faces da relevância do tema. Vejamos.


Na educação básica, no ano de 1997, o perfil do magistérioda educação básica apresentava um total de 1.617.611 professores em exercício (BRASIL, 2014) enquanto que em 2001 o Censo Escolar divulgado pelo MEC/INEP/SEEC (UNESCO, n2004) apresentou um total de 1.698.383 professores os quais desdobrados nos dão totais parciais de 1.258.357 no ensino fundamental e 440.026 no ensino médio. Verifica-se um crescimento exponencial de cerca de 80.000 professores que passaram a pertencer aos quadros do magistério na educação básica em quatro anos. Boa parte desses, certamente, iniciantes.


Nesse conjunto de dados, o estudo da UNESCO (2004, p. 23) ainda permite detectar, dentre os 5.000 professores investigados, um percentual de cerca de 13% de iniciantes, ou seja, professores que manifestaram ter até 5 anos de magistério. É bastante conhecido, nos meios educacionais, o estudo de Huberman (1992) que, ao realizar pesquisas sobre vida profissional de professores, estabeleceu essa faixa como de início na carreira, com características marcantes, sendo que muitas delas estão presentes nos estudos deste livro.


Assim, tomando-se esse percentual como representativo da realidade brasileira no início dos anos de 2000, segundo os índices acima relatados, pode-se estimar um total aproximado de 220.000 professores iniciantes em salas de aula nas nossas escolas básicas, e crescente no decorrer da primeira década do século XXI.


Essa realidade não é muito diferente quando se analisam as quantidades crescentes de professores no ensino superior a se considerar os dados oficiais. Para só ficar com as mesmas épocas acima citadas, vejamos os totais de professores atuantes no ensino superior. No ano de 1997 havia no Brasil um total de 174.481 professores atuantes no ensino superior (BRASIL, 1999) enquanto que no início dos anos 2000 esse total salta para 197.712 profissionais (BRASIL, 2001), ou seja, um acréscimo de cerca de 23.000 novos docentes, certamente boa parte deles, também, iniciantes na carreira.


Esta realidade constitui um forte argumento para que os estudos sobre professores iniciantes venham se desenvolvendo em várias frentes.


Além desses dados, por si bem impactantes, temos a bibliografia mundial apresentando, desde os anos do pós segunda guerra mundial, a crescente necessidade de educação permanente ou educação continuada detectada na reorganização social, política e econômica para todas as atividades humanas, incluindo as dos educadores. No bojo desse movimento surgiu, também, a preocupação com as dificuldades dos professores e com os professores iniciantes devido à detecção da insuficiência da formação inicial recebida para enfrentar as novas realidades escolares - outra razão para os estudos brasileiros, sobretudo com a expansão da escolaridade e novos contingentes de estudantes que antes não chegavam à educação básica.. Assim é que temos visto crescer os estudos e eventos relacionados a tal temática, sobretudo nos últimos anos a partir do aparecimento do conceito de desenvolvimento profissional docente.


Diante desse quadro, a busca de informações que qualifiquem de outro modo esses dados quantitativos têm levado pesquisadores a se dedicarem a estudos voltados a esses focos, considerando ainda a relevância de compreender a que situações de ensino estão sendo submetidos milhões de crianças e jovens em tais salas de aula no país.


Este livro resulta, pois, de tal intenção, a de desenvolver projeto  coletivo de pesquisa levado a efeito no período de 2009 a 2012, no Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob nossa coordenação.


Temos direcionado nossos estudos e pesquisas, ao longo de nossa vida profissional, para as áreas educacionais relacionadas à formação de professores e atuação deles nas escolas. Nos últimos anos desenvolvemos um amplo projeto coletivo no qual as questões sobre a docência têm sido abrangentes para focalizar temas sobre “cursos, ações e políticas de formação inicial e continuada abordando professores em diversas fases de seu preparo para o exercício da profissão” (GIOVANNI, 2006, p. 1). Além desse foco ainda se pretendeu abranger “as práticas docentes e seus desdobramentos, seja no âmbito da escola e salas de aula, seja no âmbito de sua inscrição e engajamento em movimentos profissionais, sociais e culturais” (ibid.) Evidentemente, são interligados, como se fossem duas faces da mesma moeda, para usar essa realidade como metáfora, porém são as questões de pesquisa que integram o coletivo que fazem com que se dedique a uma ou outra como intenção principal de estudo.


“Consideramos que as duas vertentes aqui apontadas podem fertilizar-se mutuamente em relação dialética, pois pesquisas sobre formação docente fornecem pistas para análises nas pesquisas sobre práticas docentes e estas, por sua vez, fornecem pistas para novas investigações sobre formação inicial e continuada” (idem, p. 2).


Além de tais princípios, e a partir da experiência acumulada em projetos anteriores sobre escola e bibliografia sobre tais focos, foi possível apontar essa direção de investigação que temos realizado formação e de ensino a que os professores são incitados, compelidos nos contextos em que se encontram inseridos. As análises têm caminhado no sentido de obtenção de processos vivenciados pelos professores, dados de vida pessoal e familiar nos contextos sociais e culturais em que se inserem, nas experiências de escolarização de vários níveis e das dimensões presentes nas condições do magistério. Assim, a definição de frentes de pesquisas têm sido base para tais estudos e pesquisas englobando as práticas de socialização prévias e vigentes na formação inicial, processos de institucionalização dos professores incluindo critérios de seleção e ingresso de jovens futuros  professores, bem como o recrutamento e desempenho de professores formadores, ao lado da compreensão abrangente e relacional do que os professores fazem em sua docência incluindo seus pensamentos e como enfrentam as determinações que pesam sobre eles.


Nesse amplo espectro é que situamos os projetos de estudo relatados neste livro. Os focos ora incidem com mais força na formação dos professores, ora se dedicam à análise de práticas. Entretanto, para a equipe, a atenção aos iniciantes revelaram fundamental conexão entre as duas frentes motivo pelo qual consideramos esta a terceira e mais forte razão – a acadêmica – para a existência de um projeto específico no interior do grande projeto.


Desse projeto específico, então, decorrem os capítulos que compõem o livro. São investigações sobre iniciação à docência em diferentes situações institucionais, focalizando as necessidades de professores iniciantes nos diferentes níveis de escolaridade. Tem como objetivo revisitar a produção da pesquisa sobre professores iniciantes, mapear e relatar dificuldades e necessidades desses professores e apresentar experiências relativas ao tema.


Nos capítulos são apresentados estudos que focalizam os professores iniciantes brasileiros, seus percursos e estratégias para enfrentar sua condição de iniciante. Constituem reflexões com diferentes referenciais teóricos para compreender a inserção desses novos professores no exercício profissional docente nos  dias de hoje seja no impacto na conformação da identidade de professores nos diferentes níveis de escolaridade, seja enfrentando ou superando tais dificuldades nos contextos institucionais.


Apesar de não se verificar no sistema educativo brasileiro, tradicionalmente, ações específicas e sistemáticas para atender a esta etapa inicial da profissão docente, hoje já se podem encontrar inúmeras investigações e experiências de intervenção sobre a formação e o trabalho de professores iniciantes e, mesmo algumas iniciativas oficiais de acompanhamento aos novos professores, desenvolvidas por secretarias municipais e estaduais, em São Paulo e outros estados brasileiros, a exemplo de políticas específicas já divulgadas, voltadas para a inserção profissional docente presentes em alguns países como Espanha, Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Finlândia, Canadá, Colômbia, Chile, México e Argentina.


Assim, este livro representa oportunidade para aprofundar reflexões sobre a temática do aprendizado e desempenho profissional da docência por professores iniciantes brasileiros e seu desenvolvimento profissional, o que, em última análise, significa falar no direito de aprender dos nossos alunos com bons professores integrados à profissão. É nessa direção que foram reunidos aqui os capítulos que abrangem o tema de diversas perspectivas.


No estudo inicial contamos com a colaboração de nossa colega portuguesa, Fatima Pereira, com quem temos desenvolvido parceria institucional nessa área. Sua reflexão sobre a formação e trabalho docente abrange concepções, políticas e práticas de formação em Portugal com perspectiva de meta-análise traçando amplo panorama crítico em face das novas e constantes necessidades das escolas e, portanto, das dificuldades enfrentadas pelos professores, seja por ausência de formação, seja pela desvalorização dos seus saberes experienciais acompanhado da inexistência de medidas que articulem o que ela denomina de saberes “sábios” e saberes “profanos”. Trata-se de pesquisa que nos instiga à comparação diante de situações muito semelhantes entre as políticas educacionais de ambos os países.


No segundo texto, elaborado por Luciana Maria Giovanni e Maria Regina Guarnieri, encontra-se um estudo similar, embora mais recortado no seu foco, um relato de pesquisa bibliográfica que analisa a contribuição dos resultados de pesquisas sobre professores iniciantes para a formação de professores e as tendências atuais de reforma e modelos de formação de professores, revelando que as políticas públicas voltadas para a formação de professores têm estado distantes do que apontam as pesquisas. Estabelecem amplo quadro sobre o tema demonstrando as possibilidades, ainda em aberto, para futuros estudos. Compõe, com o estudo de Fatima, espécie de portal sobre tais estudos dedicados a dois grandes focos apresentados anteriormente: a formação continuada , as questões sobre professores iniciantes e as reformas sobre formação de professores.


Na sequência estão alguns estudos sobre a educação básica. De diferentes naturezas e com objetivos diversos, tais estudos vão compondo, gradativamente, o panorama interno das escolas, situações vividas pelos nossos docentes e nossas crianças e jovens.


Marieta Gouvêa de Oliveira Penna apresenta seu estudo sobre “Socialização familiar do professor e valores práticos do magistério”. Neste relato de pesquisa a autora focaliza os momentos de socialização profissional de professores iniciantes em exercício, pondo em destaque a escola como espaço central desse processo e momento de aprendizagem dos modos de ser e agir docentes, em função das disposições, para a ação, aprendidas na socialização familiar, em especial no que diz respeito à escola e sua função social. Ganham relevo os valores práticos da profissão mediante três facetas fundamentais para a compreensão das condições com que os professores chegam aos cursos de formação inicial.


Alguns aspectos específicos são apresentados a seguir por Maria Lúcia Suzigan Dragone e Luciana Maria Giovanni. Trata-se de pesquisa sobre “O professor iniciante e a comunicação oral em sala de aula” em que são focalizadas dificuldades manifestas por professores iniciantes na interação e comunicação oral com os alunos. Integrada à diversidade e multidimensionalidade de fatores que interferem no trabalho docente, a comunicação oral utilizada na interação com os alunos constitui um dos fatores básicos no trabalho do professor em sala de aula e uma das principais dificuldades enfrentadas por professores iniciantes.


Já a pesquisa relatada por Alda Junqueira Marin e Fernanda Oliveira Costa Gomes abrange dados bem recentes de atuação de docente iniciante na escola de 9 anos, possibilitando verificar as dificuldades crescentes com professores de 1º ano que atuam com crianças de 6 anos. Ganham especial relevo, neste momento, as condições inexistentes de manejo da conduta das crianças pequenas que adentram a escolarização e sua interferência sobre o manejo do ensino, fulcral para as aprendizagens mínimas de tais estudantes, situação mais agravada do que a já existente anteriormente.


No estudo “Professores iniciantes: seu ingresso na profissão e suas aprendizagens” Cristiane Marcela Pepe analisa o que dizem e como se expressam professoras alfabetizadoras iniciantes em exercício nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, sobre o que as motiva para a aprendizagem da docência e quais são essas aprendizagens.


A partir deste estudo agora relatado deixamos as séries iniciais para abranger dados do ensino médio. A pesquisa de Elaine Gomes Matheus Furlan permite compreensão sobre formação de professores iniciantes de Química a partir das condições de ingresso na carreira docente em escolas públicas e privadas. Seu estudo dá destaque ao processo de socialização e construção de identidade profissional dos professores iniciantes em face da cultura escolar. Trata-se de outro contexto que amplia a referência sobre o foco desse conjunto.


Em diálogo com professores iniciantes no ensino superior Alda Junqueira Marin apreendeu inúmeras características de dificuldades tanto de profissionais que se dedicavam ao ingresso na área de educação quanto em outras áreas de docência. Além de relatar tais dificuldades apresenta, também, algumas ações de superação em um texto sobre “Preparando iniciantes para o ritual de inserção na docência no ensino superior”. A autora relata pequeno projeto de ação que teve por objetivo preparar iniciantes candidatos ao ingresso na docência universitária, sobretudo para a realização da prova didática integrante dos concursos.


Verifica-se, por tais resumos apresentadores dos capítulos, a amplitude das dificuldades e necessidades demonstradas por professores nos mais variados contextos, desde as séries iniciais do ensino fundamental até o ensino superior. As situações aqui representadas trazem a realidade ao leitor, desnudam as escolas e as salas de aula fazendo com que ganhem força as questões teóricas apresentadas por muitos autores sobre as necessidades de formação para atuar de modo correto e digno junto aos estudantes. Foram poucos estudos, mas são exemplificadores do que pode estar acontecendo pelo país afora quando se pensa nos milhares de docentes que adentraram suas salas de aula pela primeira vez nos últimos anos e ainda vêm adentrando, conforme apontado no início deste texto. Além das informações contidas em cada capítulo, o(a) leitor(a) encontrará referências que permitam auxiliar suas leituras e estudos sobre o tema. Desejamos que auxiliem novos formandos e seus formadores de modo que novos professores deixem de enfrentar dificuldades que estão denunciadas há longo tempo, e que os estudantes, de modo geral se beneficiem da superação do cenário aqui delineado.


 


Referências


BRASIL. Ministério da Educação. INEP. Censo do professor 1997. Brasília, 1999. www.portal.inep.gov.br/profissionais do magisterio - Acesso em junho de 2014.


GIOVANNI, L. M. Processos e trajetórias de formação de professores e estatuto profissional do magistério. Projeto coletivo de pesquisa. Programa de Estudos Pós-Graduados de Educação: História, Política, Sociedade da PUCSP. 2006.


UNESCO. O perfil dos professores brasileiros: o que fazem, o que pensam, o que almejam. São Paulo: Moderna, 2004.



capa 1

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SUMÁRIO

  • APRESENTAÇÃO: CONTEXTOS E NECESSIDADES DE PROFESSORES NO INÍCIO DA PROFISSÃO DOCENTE Luciana Maria Giovanni & Alda Junqueira Marin
  • FORMAÇÃO DE PROFESSORES E TRABALHO DOCENTE, EM PORTUGAL: PARA UMA REFLEXÃO CRÍTICA Fatima Pereira
  • PESQUISAS SOBRE PROFESSORES INICIANTES E AS TENDÊNCIAS ATUAIS DE REFORMA DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: DISTÂNCIA, AMBIGUIDADES E TENSÕES Luciana Maria Giovanni & Maria Regina Guarnieri
  • PROFESSOR INICIANTE: CONSIDERAÇÕES SOBRE ASPECTOS DO HABITUS FAMILIAR E A SOCIALIZAÇÃO NA DOCÊNCIA Marieta Gouvêa de Oliveira Penna
  • O PROFESSOR INICIANTE E A COMUNICAÇÃO ORAL EM SALA DE AULA: ALGUMAS REFLEXÕES EM DIREÇÃO A POLÍTICAS DE INSERÇÃO PROFISSIONAL DOCENTE Maria Lúcia Suzigan Dragone & Luciana Maria Giovanni
  • DA ABSOLUTA NECESSIDADE DE MANEJAR A CLASSE PARA QUE O MANEJO DO ENSINO ACONTEÇA Alda Junqueira Marin & Fernanda Oliveira Costa Gomes
  • PROFESSORES INICIANTES: SEU INGRESSO NA PROFISSÃO E SUAS APRENDIZAGENS Cristiane Marcela Pepe
  • PROCESSOS DE SOCIALIZAÇÃO PROFISSIONAL DE PROFESSORES INICIANTES DE QUÍMICA Elaine Gomes Matheus Furlan
  • PREPARANDO INICIANTES PARA O RITUAL DE INSERÇÃO NA DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR Alda Junqueira Marin
  • SOBRE AS AUTORAS

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Luciana Maria Giovanni & Alda Junqueira Marin - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-8203-071-4
Área (s) / Assunto (s) Início da Carreira Docente; Didática; Sociologia da Educação; Trabalho Docente; Carreira Docente; Ensino.
Edição / Ano 1ª / 2014
Nº de Páginas 144
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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