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REDES EM CONSTRUÇÃO: meios de comunicação e práticas educativas

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Disponibilidade: Esgotado

R$38,00

Descrição Rápida

Tania Maria Esperon Porto - org. 


Este livro divulga material fundamental a todos os que querem e/ou precisam compreender características da sociedade contemporânea em diversificados focos nas redes de educação e comunicação.
Os autores abordam essa temática apontando relações, aprendizagens e interações que propiciam redes -construídas e/ou em construção - com os meios de comunicação em situações educativas diversas do Brasil e de outros países.


 


 


 




 


 


Introdução

O universo é um conjunto infinito de elementos que se relacionam da maneira mais diversa possível. A multiplicidade e variedade dessas relações o fazem essencialmente precário, instável e o obrigam à perpétua transformação. Pode-se mesmo dizer que tudo existe em função dessas relações mútuas, pelas quais os corpos agem uns sobre os outros.
Anísio Teixeira (1964)

Num mundo globalmente interligado pelos meios tecnológicos e de comunicação, não há lugar para situações e problemas ainda tratados de forma isolada, mecanicista e unilateral, uma vez que a organização mundial em rede contribui para construir, para sedimentar e cristalizar conceitos que se expandem para muito além de seus locais de origem, distantes da realidade para os quais foram criados. Segundo novas correntes paradigmáticas, a forma mecanicista e reducionista de ver e entender o mundo está ultrapassada, trazendo outros conceitos e dimensões que priorizam as relações, as redes e as conexões entre sujeitos, entre sujeitos e meios de comunicação, e entre as organizações/instituições/contextos em que participam.
Anísio Teixeira (1964), no início na primeira metade do século XX, mesmo sem ter conhecimento das tecnologias atuais, já nos trazia a idéia de rede – conjunto de elementos que se relacionam de múltiplas formas – em constante transformação, pela instabilidade e movimento das pessoas e situações que criam essas interações. Com esse conceito, vemos que a noção de conjunto, entrelaçamento e mutualidade independe de meios, de espaços e tempos, estando presente nas relações em função dos sujeitos que as criam e possibilitam.
No século XXI, com a disponibilização dos meios tecnológicos e comunicacionais, essas redes se ampliam. Surgem outros entrelaçamentos, outras situações comunicacionais, outras relações sociais e, principalmente, tecnológicas. Numa consulta ao dicionário, encontramos definições mais atualizadas para o termo REDE, "substantivo associado aos entrelaçamentos de fios, cordas com aberturas que permitem interações". No sentido figurado, ainda no mesmo dicionário, o autor o apresenta como o "conjunto dos meios de comunicação ou de informação" e os exemplos trazidos dão conta de redes de computadores, de telecomunicações (entre outros) que "permitem a interconexão e a troca de dados... para receber mensagens e fazê-las transitar por canais de comunicação..." (FERREIRA, 1986, p. 1466).
Alguns autores, entre eles Capra (2000), Gutiérrez (2000), D’Ambrósio (2002) e Morin (2000), utilizam o termo REDES referindo-se aos padrões de organização dos indivíduos (como seres vivos únicos, porém complexos) e das instituições (compostas por seres em relações e embates). De acordo com Capra (2000), a rede é um padrão comum para toda vida, e onda há vida há redes.
A maioria das instituições (sociais, políticas, econômicas) está organizada em redes; algumas descentralizadas com unidades menores, outras formando uma poderosa cadeia mundial de comunicação. Redes similares, redes que se complementam, redes que se opõem, redes que neste momento, estão nascendo e/ou deixando de existir. O trabalho em rede e o trabalho da rede têm sido uma das maiores atividades do indivíduo e das organizações em que ele participa. Os movimentos em rede por questões sociais, econômicas, culturais e tecnológicas têm se expandido e superado fronteiras históricas e geográficas.
Há REDES que não têm começo e nem fim, possibilitando relações/conexões individuais e/ou coletivas com os meios de informação e comunicação e os saberes/conhecimentos intermediados por eles. Hoje vemos pessoas utilizando meios de comunicação ligados em redes e propiciando redes de comunicação. Kenski (1997, p. 66) entende que redes são como "nós que, ligados entre si, formam uma teia por onde os conhecimentos são permanentemente reconstruídos, a partir das inter-relações ocasionais [ou não] pelas quais o sujeito é estimulado, ou obrigado, a enfrentar no seu processo de aprendizagem". Nesse conceito, a autora acrescenta às redes, a possibilidade de (re)construção de conhecimentos por meio das relações.
Moran (2001), referindo-se à sociedade da informação, entende que as relações no processo educativo pressupõem intercâmbio de papéis (aprendiz e ensinante), pois todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar e aprender, a integrar o humano e o tecnológico, a integrar o individual e o grupal/social. Está presente nessa concepção uma compreensão de si, dos outros e da realidade, possibilitando impregnar de sentidos as práticas e os atos cotidianos dos sujeitos escolares, como sustentam também Gutiérrez e Prado (2000). São estabelecidas redes de educação e comunicação, interligadas ou não pelos meios de comunicação.
E onde está a escola nessas redes?
De quais redes a escola e os sujeitos escolares participam?
As redes na escola acontecem, na maioria das vezes, premidas por necessidades advindas das instituições (administrativa/burocrática) e das pessoas que nela participam. Muitas vezes, professores e alunos vivem práticas educativas vazias de sentidos e significados, fazendo vir à tona outras redes não previstas e nem consideradas pelo ensino oficial. São as redes de amigos, de brincadeiras, de jogos, de festas, de bate-papo (presencial e/ou virtual), de embates que possibilitam e contribuem para vivências educativas. As vivências pedagógicas e sociais – na sociedade em geral e na escola em particular – contribuem para a construção de redes, estabelecimento de relações, processos de abertura e atitudes de aprendizagem, interligadas pelos fios dos conhecimentos, saberes, vivências, emoções e sentimentos presentes nos sujeitos e nos meios de comunicação.
Considerando essas reflexões, apresentamos este livro1 que aborda as relações, aprendizagens, interações que propiciam redes – construídas e/ou em construção – com os meios de comunicação em situações educativas e através deles.
A idéia do livro que ora trazemos surgiu com o III Seminário de Educação e Comunicação2, que reuniu em Pelotas, no Rio grande do Sul, em torno de 500 (quinhentos) participantes, professores e jovens adolescentes da educação básica e universitária – atendendo a suas necessidades de formação. O seminário serviu de espaço para discussão sobre as relações, as linguagens, os interesses e necessidades dos professores e estudantes, enfatizando, principalmente, a comunicação (com os meios, com os sujeitos escolares) repleta de sons, imagens, movimentos, informações, afetividades, incertezas. Adultos e jovens, professores e alunos, universidades e escolas mantiveram diálogo/comunicação, reconhecendo-se como sujeitos sociais com diferentes linguagens, referências e dinâmicas de aprendizagem. Eram professores/pesquisadores/trabalhadores do conhecimento vindos de diferentes contextos, aproximados pelas redes que estabelecemos com os meios de comunicação e através deles. Essas redes organizaram-se em função de um tema maior: meios de comunicação e práticas educativas; redes que não se esgotam no que aqui trazemos com este livro. São redes em construção, que aproximam estados, países, sujeitos de universidades, escolas e demais espaços e tempos educativos na sociedade atual.
Assim, tendo como inspiração inicial a multiplicidade de redes que um evento possibilitou, organizamos este livro cuja preocupação principal está voltada para questões que dizem respeito às redes que se constroem (1) na sociedade contemporânea considerando os sujeitos em relações/embates com ou sem tecnologia; (2) na escola, com o professor, sujeito em formação e um dos tecelões do ensino e das aprendizagens que ocorrem em seu interior e (3) no dia-a-dia dos estudantes, sujeitos em relações e construções de saberes, culturas, vivências com os meios de comunicação. Portanto, organizamos este livro em redes, distribuídas em três blocos...

A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E AS REDES EM CONSTRUÇÃO
Neste bloco estão presentes:
O texto "O desafio da tolerância na cidade contemporânea", do professor Marcos Villela Pereira, da Faculdade de Educação, Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, que traz discussões sobre as dificuldades presentes na sociedade atual, no que diz respeito aos sujeitos e às diferenças, adversidades e multiplicidades de situações e formas de com elas interagir. Neste artigo, o autor considera a vida urbana e tudo o que lhe diz respeito, enfatizando, principalmente, os direitos humanos e a convivência social e educacional.
O texto "Dimensão pedagógica das novas tecnologias da comunicação e informação", do professor Francisco Gutiérrez, criador e presidente do Instituto Latino-americano de Pedagogia da Comunicação – ILPEC, na Costa Rica, que traz uma análise das (sete) variáveis pedagógicas inerentes às tecnologias, com o propósito de facilitar a mediação entre as experiências de ensino e de aprendizagem e os sujeitos participantes das relações educativas.
O texto "No estar-junto, a construção de sentidos e relações", resultado de uma rede de saberes, afetos, trabalhos e relações que os autores vivem ou viveram no interior de espaços educativos. As professoras Carmen Lúcia Lascano Pinto (Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas – CEFET/RS), Daisi da Fonseca Prietsch (Escola Estadual de 1º Grau Coronel Pedro Osório), Msc. Denise Nascimento Silveira (Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas – CEFET/RS), Tânia Maria Esperon Porto (Faculdade de Educação, Universidade Federal de Pelotas – UFPEL) e a psicóloga Msc. Marlise Flório Real3 analisam as possibilidades comunicacionais e dialógicas, na participação e o antagonismo com o outro em busca de espaços de convivência e aprendizagens no interior da escola. Discutir relações e práticas educativas é uma das principais preocupações evidenciadas nas reflexões trazidas com o texto.

O PROFESSOR COMO TECELÃO – REDES CONSTRUÍDAS NA ESCOLA
Este bloco traz os seguintes textos-autores:
"Novos paradigmas de atuação e formação de docente", do professor Ubiratan D’Ambrósio, da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, em que o autor aborda as mudanças na sociedade e, conseqüentemente, nos sujeitos escolares, questionando-se: Qual é a nova função do professor? O professor é um comentarista crítico, um animador cultural? Pode ser substituído pelo "colega eletrônico" do CD-ROM? O autor apresenta algumas reflexões sobre a busca de novos paradigmas educacionais com implicações na escola e na preparação do professor para as novas práticas educativas.
"A comunicação na escola e a formação do professor em ação", texto da organizadora da presente obra – Tania Maria Esperon Porto -, que trata de um paradigma de formação docente no interior da escola pública, considerando as exigências da sociedade da comunicação. São discutidas algumas concepções de educação e comunicação, a partir de um referencial da pedagogia da comunicação, além de reflexões sobre formas de sentir, pensar e agir dos docentes em processos comunicacionais intermediados com e por mídias que trazem consigo novos valores, comportamentos e aprendizagens para o interior da escola.
O texto "O professor e a comunicação: Que professor é este?", da professora Mirza Seabra Toschi, Universidade Federal de Goiás – UFGo, que discute o universo de paradoxos vividos pelo professor entre tecnologias e comunicações. Não é fácil ser professor hoje!... Nem o desconhecimento do manuseio das mídias, nem o mal-estar docente podem ser justificadas para o não-enfrentamento desses paradoxos. O texto reflete sobre o professor como profissional responsável pela atualização cultural e voz das novas gerações, na perspectiva de garantir a eticidade no desenvolvimento e no uso das tecnologias, como também na construção de uma vida melhor para a maioria da sociedade.
"Poderemos trabalhar juntos na sociedade mundializada? Desafios para os educadores", texto da professora Naura Syria Carapeto Ferreira, da Universidade Tuiuti do Paraná – UTP. Num contexto de "aldeia global", vivemos juntos, trabalhamos juntos, na trama das relações sociais que se complexificaram no mundo do trabalho e das tecnologias. Em nossas instituições educativas, de certo modo, também trabalhamos juntos, aliás, sempre trabalhamos juntos sem, nem sempre, produzirmos juntos condições de existência mais qualificada para todos. Nesta realidade, o que se impõem para a educação? Como se sabe, se, de fato, nos organizamos e trabalhamos juntos? Ou, apenas juntamos trabalhos, porque temos diferenças? A autora reflete sobre como o professor aprende e lida com a gestão da complexidade e da incerteza num mundo repleto de incertezas.

OS ALUNOS E AS MÍDIAS – NOVAS REDES DE COMUNICAÇÃO
Neste bloco estão presentes os textos:
"A imagem como símbolo cultural", da professora Tatiana Melo Flores, da Universidade de Buenos Aires – UBA, Presidente do Centro de Investigación em Médios de Comunicación, na Argentina, que traz uma reflexão sobre a imagem que atravessa a pessoa, a sociedade e a cultura como forma imperante de comunicação, produzindo modificações essenciais. Este texto tenta, a partir do resultado de algumas pesquisas, analisar os processos que ocorrem nos diferentes níveis os quais estabelecem relação entre imagens, cultura e público infantil.
"Mídia e culturas juvenis: das estratégias de midiatização da juventude às táticas de recepção e intervenção dos jovens no campo midiático", da professora Denise Cogo, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, que propõe uma reflexão em torno das inter-relações entre culturas midiáticas e culturas juvenis. A juventude midiatizada, o jovem-receptor como produtor de sentidos frente às estratégias midiáticas e o jovem como sujeito de intervenção no espaço da mídia são os três eixos em que se desenvolvem as reflexões deste texto, na perspectiva de discutir distintos percursos em que se entrecruzam comunicação, mídia, culturas e juventude.
"A televisão, a criança e o adolescente", do professor Pedro Gilberto Gomes, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, que traz para debate, reflexões em torno da programação da TV e da influência que ela exerce sobre a vida e o imaginário das pessoas. No centro dos debates, estão dois segmentos específicos: as crianças e os adolescentes. Pais e educadores preocupam-se com o futuro de seus filhos e alunos, consumidores vorazes dos mais diversos programas de televisão. O texto pretende tecer alguns comentários a respeito do tema, procurando desmistificar algumas preocupações e, quem sabe, colocar em pauta outras tantas.
"Telepsicodrama pedagógico para jovens: um percurso histórico" é um texto da professora Heloísa Dupas Penteado, da Universidade de São Paulo – USP, que apresenta resultados da primeira etapa de uma pesquisa de produção do telepsicodrama pedagógico para jovens. Trabalha com o tema transversal sexualidade junto aos estudantes do Ensino Médio. A passagem do virtual para o real (e vice-versa) é, hoje, movimento contínuo de relações/interações/aproximações possibilitadas pelas mídias. Telepsicodrama para jovens constitui uma pesquisa de exploração de possibilidades técnico-midiáticas, de socialização e de construção de uma outra linguagem para práticas educativas com a juventude via TV.




 



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SUMÁRIO

  • Introdução 
  • PARTE I 
  • A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E AS REDES EM CONSTRUÇÃO
  • O desafio da tolerância na cidade contemporânea Marcos Villela Pereira
  • Dimensão pedagógica das novas tecnologias da comunicação e informação Francisco Gutierrez
  • No estar-junto, a construção de sentidos e relações Carmem Lúcia Lascano Pinto, Maria Daisi da Fonseca Prietsch, Denise Nascimento Silveira, Marlise Flório Rea e Tania Maria Esperon Porto
  • PARTE II
  • O PROFESSOR COMO TECELÃO - REDES CONSTRUÍDAS NA ESCOLA
  • Novos paradigmas de atuação e formação de docente Ubiratan D´Ambrósio
  • A comunicação na escola e a formação do professor em ação Tania Maria Esperon Porto
  • O professor e a comunicação: que professor é este? Mirza Seabra Toschi
  • Podemos trabalhar juntos na sociedade mundializada? Desafios para os educadores Naura Syria Carapeto Ferreira
  • PARTE III
  • OS ALUNOS E AS MÍDIAS - NOVAS REDES DE COMUNICAÇÃO
  • A imagem como símbolo cultural Tatiana Merlo Flores
  • Mídia e culturas juvenis: das estratégias de midiatização da juventude às táticas de recepção e intervenção dos jovens no campo midiático Denise Maria Cogo
  • A televisão, a criança e o adolescente Pedro Gilberto Gomes
  • Telepsicodrama pedagógico para jovens: um percurso histórico Heloisa Dupas Penteado

 

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Tania Maria Esperon Porto - org.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 85-86305-18-9
Área (s) / Assunto (s) Educação
Edição / Ano 1ª / 2003
Nº de Páginas 236
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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