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SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E REDES: desafios à formação crítica

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Rosilene Horta Tavares & Suzana dos Santos Gomes - orgs.


Devidamente estudado como um conjunto analítico, além de propositivo à prática pedagógica, este livro pretende-se como um arcabouço para o aprofundamento da capacidade crítica de professores, educadores sociais, pesquisadores e de outros profissionais da área educacional.


Assim, ao leitor que, em qualquer medida, se interessa pelas TIC e aos que já não podem escapar ao seu toque tecnológico, convidamos para um mergulho crítico na diversidade das ideias mobilizadas pelos autores que este volume ora reúne.


 


Esta edição recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES por meio do Programa de Consolidação das Licenciaturas - PRODOCÊNCIA.




 


Apresentação


 


Sociedade, Educação e Redes: desafios à formação crítica




Com a publicação deste livro encerramos projeto de pesquisa, ensino e extensão, Integração das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) na Formação Docente, desenvolvido de 2011 a 2013, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sendo este o projeto institucional da UFMG, no referido período, no Programa de Consolidação das Licenciaturas (Prodocência), de âmbito nacional, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).


As atividades do Projeto integraram as ações do Núcleo Práxis/FaE-UFMG/CNPq, que promove reflexões e atividades educativas de letramento e inclusão digital por meio das tecnologias da informação e comunicação (TIC). A proposta do Núcleo prevê, por um lado, a formação crítica de estudantes de cursos de licenciatura, professores e demais profissionais de educação frente à  exploração do trabalho e a integração ideológica de amplas massas nos atuais contornos do capitalismo; por outro, propõe a ampliação do debate e de pesquisas sobre novas formas de se produzir e utilizar as TIC no terreno social e educacional, visando apoiar processos individuais e coletivos de emancipação.


Sob tais parâmetros, constituiu-se uma metodologia de construção deste livro que teve como base as transformações recentes que se processam na economia mundial e que definem os pressupostos educacionais nos diversos países; trazendo intensos desafios ao campo de conhecimento que estuda as relações entre sociedade, tecnologias e educação. Sobre tal área de estudo, incidem a reflexão e a produção acadêmica dos pesquisadores e professores cujos artigos compõem este Sociedade,                   Educação e Redes: desafios à formação crítica. O convite a estes intelectuais para exporem suas análises, além de ser um reconhecimento pelo alto nível de sua produção teórica, ao mesmo tempo constata sua contribuição e compromisso com uma perspectiva pautada pelos interesses e demandas educacionais populares e dos trabalhadores.


O conjunto dos artigos, se assim considerados pelo leitor, aprofundam a necessária reflexão sobre como a conjuntura político-econômica mais ampla define pedagogias específicas para as escolas brasileiras. Sentido esse que os artigos revelarão, possibilitando novas tessituras de ideias, de convergências, além de anunciar  diferenciações de pontos de vista. Considerando que a junção da tecnologia, da informação e do conhecimento constitui hoje, talvez, a força produtiva essencial para a produção de produtos e serviços, em termos mundiais. Motivo pelo qual é crescente a incorporação, nos processos educacionais, das tecnologias e de todo o seu aparato instrumental, suas ferramentas tecnológicas, pois a força-de-trabalho necessita ser preparada, conforme o ideário mercantil.


Tem havido preocupação sistemática de organismos internacionais sobre a importância de integrar as tecnologias digitais na educação. Expressão disso foi a Conferência Internacional O Impacto das TIC´s na Educação, realizada em abril de 2010, no Brasil. Evento organizado pela representação da UNESCO no Brasil, em conjunto com o Escritório Regional da América Latina no Caribe (OREALC/UNESCO), sede em Santiago, e a Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação no Brasil (SEED). Tal evento anunciou, buscando consolidar, uma tendência que, segundo muitos estudiosos, não deve mais ser ignorada por órgãos e setores ligados à temática: a incorporação das novas ferramentas e plataformas tecnológicas aos processos de aprendizagem. Este evento contou com a participação de especialistas em educação, gestores de políticas públicas, comunidade escolar, representantes de organizações internacionais e da iniciativa privada por meio de empresas como Microsoft Corporation e Dell Computadores.


Especialmente a formação docente inicial, foco central do Projeto que desenvolvemos, integra preocupação importante da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), como se depreende de seu denso documento, de 2011, Las Tecnologías de la información y las comunicaciones em la formación inicial docente de América Latina, de autoria do consultor Mario Brun. Segundo este documento, a formação inicial docente começou a ser revalorizada nos últimos anos na região, o que se evidencia pela crescente atenção dada aos processos de integração das TIC neste nível formativo. Mas, no entanto, é analisado neste documento que “a informação sobre esta temática é escassa, dispersa e está pouco sistematizada.” E, acrescentamos, são escassos também os estudos que se debruçam sobre a questão em uma perspectiva não somente integradora, mas questionadora dos limites e das funções políticas diferenciadas, e por vezes antagônicas, necessariamente cumpridas pelas tecnologias na sociedade.


Com a intenção de colaborar com a consolidação de conhecimentos em tal sentido, boa parte dos artigos deste livro alinha-se à abordagem das transformações políticas, econômicas, culturais e sociais ocorridas no mundo desde a década de1970. A partir dos anos 1980, a tecnologia, em especial a tecnologia digital, tem sido alvo de novos olhares, críticas e de meio de mudanças nas relações sociais. Essas transformações visariam o que alguns autores, como Manuel Castells e Pierre Lévy, consideram um novo modo de desenvolvimento, o informacionalismo. Entretanto, autores como Marcos Dantas e Armand Mattellart analisam que não se trata de um novo modo de desenvolvimento, mas de formas de mutação do próprio capitalismo. Convidamos o leitor a acompanhar os olhares dos autores deste livro em relação a essa importante questão.


Os artigos foram organizados a partir de três eixos. No primeiro, foram contempladas as questões relativas ao capitalismo e à sua “Sociedade da Informação e do Conhecimento”. O segundo eixo aborda a relação entre sociedade, informação e tecnologias da informação e comunicação na educação. E o terceiro eixo tem como centralidade a formação de professores, sobretudo a importância de a mesma possuir  caráter crítico e de seu letramento digital, remetendo à reflexão sobre os eixos sociedade, educação e trabalho, e didática ou práticas de ensino-aprendizagem em sala de aula, presenciais e a distância.


Inaugurando a primeira parte do livro, no artigo Para além da Formação Docente Instrumental na ‘Sociedade da Informação’, que lhe serve de introdução, são analisados, por Rosilene Horta Tavares e Ana Paula Batsita, os avanços e os limites do projeto de ensino, pesquisa e extensão, desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais, que deu origem a este livro. Além de contextualizar o conjunto das atividades do projeto, como a criação de um curso e a realização de palestras e oficinas, dentre outras, as autoras preocupam-se em trazer uma síntese do conceito de tecnologia, a partir de seus estudos de uma obra fenomenal do filósofo brasileiro Álvaro Vieira Pinto. A indicação do momento histórico em que o capitalismo teria tomado sob seu estrito controle a tecnologia e a ciência é outro ponto fundamental para a compreensão dos rumos futuros tomados pelo seu desenvolvimento na sociedade atual, inclusive a do papel atribuído à educação e às tecnologias da informação e comunicação. Em meio às análises das atividades do projeto, as autoras trazem o conceito de racionalidade instrumental e apontam a importância da luta por ultrapassá-la, rumo a formas sociais novas de criação tecnológica socialmente referenciada.


Os três artigos que se seguem têm a função teórica de apontar elementos mais amplos de análise econômica, política, cultural e social que estão na base das transformações que hoje se processam na relação entre educação de tecnologias da informação e comunicação, às vezes no livro tratadas também como tecnologias digitais ou novas tecnologias digitais.


 O escritor português João Bernardo em seu texto, A complexa arquitetura da futilidade, afirma que o conjunto formado pelos computadores pessoais e a internet constitui uma das tecnologias mais versáteis criadas pela humanidade. Como todas as construções sociais, no entanto, têm um caráter contraditório. Para o autor, a prática mostra que as potencialidades anticapitalistas e libertadoras da informática não ultrapassaram os limites impostos por esta tecnologia enquanto materialização das relações de produção capitalistas. João Bernardo nos traz elementos para uma reflexão radical sobre o papel da internet, da informação e da linguagem. Tece críticas sobre o uso das redes sociais, como elas corroboram com o mercado e com a política no sentido de diluir o coletivo e centrar-se no indivíduo e suas futilidades, expostas na rede. Nos faz perceber de que maneira as redes sociais definem percursos individuais. Ao contrário de consolidar grupos. Ao mesmo tempo tece ricas argumentações sobre o processo ao mesmo tempo de massificação do ensino superior e de proletarização do trabalho dos professores universitários. Não há como não nos sentirmos indignadamente incomodados com suas outras boas provocações teóricas.


Com novos e originais argumentos em relação à sociedade atual, o professor Marcos Dantas, no seu artigo Internet e Geração de valor no Capitalismo espetacular, nos conduz ao entendimento da internet como lugar central de acumulação de capital no século XXI. Com toda certeza, a internet não é meramente um suporte tecnológico, mas um espaço sócio cultural onde o valor (nos termos de Marx) reside na ação linguística, na comunicação. Vale a pena adentrar a mente do autor e dela extrair a maneira como os sistemas de informação servem diretamente ao capital e ao lucro; ainda que pudessem ser mais democráticos. Nossa capacidade racional é levada a aguçar-se, ainda mais, quando Dantas descortina a maneira extraordinariamente eficaz do sistema em auferir o valor da informação na atual sociedade, pautada pelo que denomina como Capital Informação. Isso, enquanto os sujeitos, inadvertidamente, pensam que estão apenas a se divertir nas redes sociais. O artigo, então, examina as práticas sócio-culturais reticulares como fonte de valor e de enriquecimento das corporações mundializadas, que desenvolvem e fornecem as plataformas tecnológicas e os equipamentos necessários à efetuação dessas práticas.


Os fundamentos de análise societária inicial do livro se complementam nesta primeira parte, e com uma prazerosa capacidade inédita de forma linguística e de abordagem teórica, com o artigo Luzes e Sombras na cultura da convergência digital, de Vania Baldi e Lidia Oliveira. Os autores, ao analisarem a migração dos mídias tradicionais no mundo on-line e a consolidação da cultura digital, destacam algumas implicações problemáticas e alguns efeitos político-culturais imprevistos, por não terem sido considerados no debate académico e jornalístico das últimas décadas. Suavemente, mas com firmeza, os autores delatam a existência de um lado sombrio do renomado paradigma da “cultura da convergência”. Se por um lado entramos num novo e prometedor ambiente social e cultural, por outro lado esta convergência deve ser diagnosticada na sua operacionalização. O que chamam de “mediamorfose”, processo que deu nova estrutura e configuração às relações produtivas, distributivas e criativas das informações no seio da sociedade digital, trouxe para uma fragmentação e concentração dos recursos informacionais.  Vania Baldi e Lídia Oliveira trazem inquietante abordagem sobre a fábula da "horizontalidade" na sociedade em rede e sobre a emergência de novas ignorâncias na ciberculturaA "inteligência coletiva" como Pharmacon, remédio ou veneno para gerar novas hegemonias. Revelam os autores particular sensibilidade ao anunciar que a Internet tanto tem efeitos de luzes como de sombras, nela convivendo a possibilidade de se poder aproveitar do espaço complexo ou de se vitimar pela vigilância e personalização dos perfis dos usuários. Belo convite para repensarmos as luzes e as sombras do novo paradigma técnico e social.


Ao entramos no segundo eixo do livro, o artigo de Maria Rita S. Neto, Revendo a discussão: do mito da tecnologia ao paradigma tecnológico, deparamo-nos com uma análise renovada dos conceitos de tecnologia, educação e mediação tecnológica. A autora instiga-nos a pensar sobre as funções e os limites das tecnologias e dos recursos da internet na educação, ponderando, ao contrário de outros analistas da questão, que eles não são fator de equalização social; conectam-se com a “sociedade do conhecimento” que não se pauta por valores de justiça e nem de inclusão social e, por fim, não são neutros e não viabilizam o acesso ao universo de conhecimentos da humanidade. Maria Rita faz-nos colocar, com firmeza, os pés no chão, desmistificando ideias correntes de que viveríamos uma nova etapa de plenitude democrática. Ao formular a expressão intermediações tecnológicas, traz contribuição importante para situar a tecnologia nas práticas didático-pedagógicas.


Em O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação: Reflexões a partir da Práxis, Leonardo Zenha Cordeiro remete-nos à questão da penetrabilidade das TIC. Os estudos e as perguntas instigantes do autor, além de intelectualmente inquietantes no melhor sentido, evidenciam que a vida e o trabalho têm sido permeados pelas tecnologias, de tal forma que elas se naturalizaram e vêm influenciando, em grande medida, o nosso cotidiano. Uma das problemáticas centrais é como nos tornarmos espectadores menos passivos e mais reflexivos sobre as contradições das TIC na sociedade atual, a partir de uma práxis humana. Citando exemplos interessantes, o autor instiga-nos, então, a refletir sobre a possibilidade de que sejam potencializadas outras formas de abertura da consciência, na escola ou em outros organismos de reprodução social, no sentido de criar perspectivas e práticas alternativas de relação com as tecnologias.


No artigo Escola e redes: conexões, o professor Nelson De Luca Pretto e Daniel Silva Pinheiro, ao evocarem as manifestações de junho de 2013, no Brasil, além de outras manifestações que ocorreram no mundo, levam-nos à análise do importante papel das redes sociais nessas manifestações. Enfatizam o fato de que elas se intensificaram exponencialmente através do ativismo digital dos participantes, utilizando como suporte tecnológico duas grandes redes sociais; o Facebook  e o Twitter.  Os autores analisam, ainda, as políticas públicas no Brasil, como o ProInfo, o ProUca, o PNBL e o PBLE que, apesar das limitações, contribuíram para melhorar a infra-estrutura e ampliar o seu alcance com mais pontos de acesso à internet. Os autores nos entusiasmam com a proposição de uma educação baseada na Ética Hacker, com o fomento à produção descentralizada de recursos educacionais abertos (REAs), como bens usáveis e, também, remixados. Traçam uma perspectiva animadora em relação ao papel da escola e do professor no sentido do estabelecimento de uma produção e uma conexão global.


Para Flávia Melo em Disseminação e apropriação de informações para a luta docente, os trabalhadores docentes são afetados na apropriação de informações para sua organização política e sindical. Problematiza o paradigma informacional ao afirmar que o trabalho é modificado pelas tecnologias da informação, porém, não perde sua centralidade no sistema capitalista. A extração da mais valia é intensificada por meio  de novos processos gerenciais e do incremento constante das tecnologias. No caso do trabalho docente, Flávia Melo o analisa como um trabalho precarizado, fator que repercute negativamente na organização política e sindical dos trabalhadores. No contexto da aclamada “Sociedade da Informação”, a autora analisa a crise da organização política e sindical da classe trabalhadora, focando na apropriação e disseminação de informações por docentes que, devido a essa crise e a falta de espaços para debates na escola, acabam concentrando menos informações do que os dirigentes sindicais. O artigo de Flávia Melo tem também o mérito de qualificar o livro em sua possível contribuição para o alargamento da consciência política dos educadores, ao trazer com propriedade, para o campo temático em análise, a dimensão dos interesses dos trabalhadores em educação, assim como questões sindicais.


O terceiro eixo do livro tem como centralidade a discussão sobre a formação de professores, com destaque para a importância de seu caráter crítico e do letramento digital. O primeiro artigo desse eixo, Formação docente crítica em novas tecnologias, de Rosilene Horta Tavares e Cristiana Chaves de Oliveira, convida-nos a perceber as intenções diferenciadas ou antagônicas nas iniciativas de integração à educação das tecnologias da informação e comunicação. Por um lado, a possibilidade deemancipação humana e, por outro, a intensificação do trabalho e a alienação política. O artigo também tece análises sobre as políticas governamentais e a situação da educação pública no Brasil e no Uruguai. Aprofunda os estudos realizados em recente pesquisa sobre a formação docente inicial em novas tecnologias, nos cursos de licenciatura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). As autoras contextualizam também as fragilidades na formação continuada de professores, inclusive os do ensino superior, nas licenciaturas, finalizando o artigo com uma abordagem da importância da formação docente em tecnologias.


Em Letramento no contexto digital: diferentes perspectivas conceituais, Maria Jacy Velloso discute o fenômeno letramento, tomando-o como heterogêneo e complexo, podendo ser designado para diferentes contextos cognitivos, culturais e sociais. Em sua análise, ela busca distinguir quais são os diferenciados referenciais existentes para a definição de letramento e de sua adjetivação como digital. Considerando que o conceito inclui um conjunto heterogêneo de práticas sociais que ocorrem num dado tempo e espaço. A autora nos faz refletir sobre as diferentes perspectivas de análise e de estudo do conceito de letramento digital e compreender a diversidade de suas manifestações em variados contextos. Não se limita apenas aos aspectos educacionais, mas, também, como um processo que se instaura nos variados aspectos da vida social, na apropriação dos meios simbólicos que dela fazem parte. Nesse cenário, focaliza a perspectiva etnográfica como uma maneira de compreender como os sujeitos que crescem em um mundo digital pensam e querem aprender, bem como de que forma as práticas socioculturais estão relacionadas aos letramentos digitais.


Nos dois artigos seguintes, são apresentadas duas experiências de letramento digital. O artigo Letramento digital no portal do professor, de Carla Viana Coscarelli, Luciana Mazur, Priscila de Resende e Valéria Castro, objetiva verificar como o letramento digital tem sido incorporado em atividades didáticas propostas por professores. O estudo foi realizado a partir de atividades postadas no site Portal do Professor do Ministério da Educação e Cultura (MEC), analisando como algumas atividades didáticas lidam com o letramento digital e que habilidades estão, de fato, sendo contempladas. Como parte desse estudo, verificou-se também que concepções de aprendizagem e de língua servem de base a essas atividades, conduzindo o leitor a reflexões significativas sobre a prática pedagógica docente.


 A outra pesquisa, de autoria de Suzana dos Santos Gomes, analisada em Desafios e Possibilidades do Letramento digital na formação inicial de professores em curso a distância, relaciona desafios e possibilidades do letramento digital na formação de pedagogos, mediatizada pelas tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC’s) em um curso a distância. Descreve e analisa algumas mudanças ocorridas no campo da educação brasileira e o impacto causado pelas tecnologias, bem como a importância do letramento digital na formação docente. Os resultados, instigadores, destacam os impactos provocados pelo uso das tecnologias digitais na formação inicial e, além disso, como esses alunos pensam as tecnologias digitais no ambiente escolar e que possibilidades veem para o seu uso na prática docente.


A autora, em novo artigo, Tornar-se professor para o ensino superior, analisa o papel da didática e das tecnologias digitais na formação docente para o ensino superior. Assunto de importância neste livro, fortalecendo o seu propósito de ser uma publicação que suscite o interesse de professores de todos os níveis de ensino. Com base em pesquisa empírica, que teve como objetivo investigar o papel da didática na formação docente para o Ensino Superior, o artigo aborda, especialmente, a construção da identidade, os saberes docentes e a prática pedagógica de profissionais iniciantes no magistério superior. Com isso, Suzana Gomes nos conduz a refletir se os professores que se formam para o exercício da docência no ensino superior estariam de fato capacitados, de forma critica e reflexiva, para o uso das TIC; efetivando, assim, o uso das tecnologias para o desenvolvimento da qualidade dos processos de ensino em quaisquer áreas do conhecimento. A questão é relevante, considerando o fato de que há uma defasagem na formação docente de nível superior nesse sentido, como outros artigos do livro apontam.


No último artigo deste volume, Por uma pedagogia social da tecnologia, Rosilene Horta Tavares apresenta análises críticas de questões sobre educação, tecnologias da informação e comunicação (TIC) e formação de professores. A autora faz uma análise do toyotismo e de como os princípios desse sistema de produção vêm penetrando a realidade escolar. Problematiza o processo de mercantilização da educação e as políticas de formação de professores – reguladas por uma dada lógica de currículos/conhecimentos. O artigo formula dois grandes desafios do que poderia ser uma pedagogia social da tecnologia. O primeiro desafio centra-se na possibilidade de os professores munirem-se de conhecimentos teóricos sobre o sentido e o papel político e econômico das TIC na sociedade contemporânea. O segundo objetivo seria o de que o professor possa se apoderar das tecnologias digitais, aliando-se, de forma solidária, aos alunos para diversificar a assimilação e a produção do conhecimento. Por meio de uma série de proposições didáticas concretas, a autora pretende, assim, revelar sua concepção de que não basta a perspectiva crítica sobre o que está instituído, sendo igualmente essencial construir alternativas pedagógicas práticas na relação entre tecnologias e educação.


Devidamente estudado como um conjunto analítico, além de propositivo à prática pedagógica, este livro pretende-se como um arcabouço para o aprofundamento dacapacidade crítica de professores, educadores sociais, pesquisadores e de outros profissionais da área educacional.


Assim, ao leitor que, em qualquer medida, se interessa pelas TIC e aos que já não podem escapar ao seu toque tecnológico, convidamos para um mergulho crítico na diversidade das ideias mobilizadas pelos autores que este volume ora reúne.


Rosilene Horta Tavares


Suzana dos Santos Gomes


As Organizadoras






capa

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Detalhes

SUMÁRIO
  • INTRODUZINDO A TEMÁTICA
  • Um grande desafio na integração das tecnologias dainformação e comunicação na formação docente Maria Rita N.S. Oliveira
  • APRESENTAÇÃO 
  • Sociedade, Educação e Redes: desafios à formação crítica Rosilene Horta Tavares & Suzana dos Santos Gomes
  • PARTE I: CAPITALISMO E ‘SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO EDO CONHECIMENTO
  • Para Além da Formação Docente Instrumental na‘Sociedade da Informação Rosilene Horta Tavares & Ana Paula Batista de Oliveira
  • A Complexa Arquitectura da Futilidade João Bernardo
  • Internet e Geração de Valor no Capitalismo Espetacular Marcos Dantas
  • Luzes e Sombras na Cultura da Convergência Digital Vania Baldi & Lídia Oliveira
  • PARTE II: SOCIEDADE, INFORMAÇÃO E TECNOLOGIASDIGITAIS NA EDUCAÇÃO
  • Revendo a Discussão: do mito da tecnologia ao paradigmatecnológico Maria Rita Neto Sales Oliveira
  • O Uso das Tecnologias da Informação e Comunicação:reflexões a partir da práxis Leonardo Zenha Cordeiro
  • Escola e Redes: conexões Nelson De Luca Pretto & Daniel Silva Pinheiro
  • Disseminação e Apropriação de Informações para a Luta Docente Flávia Melo
  • PARTE III: FORMAÇÃO CRÍTICA E LETRAMENTO DIGITAL DEPROFESSORES
  • Formação Docente Crítica em Novas Tecnologias Rosilene Horta Tavares & Cristiana Chaves de Oliveira
  • Letramento no Contexto Digital: diferentes perspectivasConceituais Maria Jacy Maia Velloso
  • Letramento Digital no Portal do Professor Carla Viana Coscarelli, Luciana Mazur, Priscila de Resende & Valéria Ribeirode Castro Zacharias
  • Desafios e Possibilidades do Letramento Digital naFormação Inicial de Professores em curso a distância Suzana dos Santos Gomes
  • Tornar-se Professor para o Ensino Superior Suzana dos Santos Gomes
  • Por uma Pedagogia Social da Tecnologia Rosilene Horta Tavares
  • Sobre os autores e organizadoras

Informações Adicionais

Autor (es) / Organizador (es) Rosilene Horta Tavares & Suzana dos Santos Gomes - orgs.
Editora (s) Junqueira&Marin Editores
ISBN 978-85-8203-063-9
Área (s) / Assunto (s) Tecnologias e Educação; TIC na Formação Docente; Aprendizagem e Tecnologias; Ciência da Informação; Tecnologias Aplicadas à Educação; Didática; Metodologias de Ensino; Sociologia e Filosofia da Educação
Edição / Ano 1ª / 2014
Nº de Páginas 448
Acabamento / Formato brochura - costurado e colado / 14cm x 21cm

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